Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Jericoacoara está mais convidativa com novo aeroporto; veja dicas

Dona do mais famoso pôr do sol do País, Jeri, no Ceará, tem passeios clássicos, como o de bugue, e também alternativos. Saiba onde se hospedar, onde comer e o que fazer por lá

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2018 | 05h00

JERICOACOARA -  Jijoca de Jericoacoara – nome que já é pleno amor – faz tempo que não é destino novo na lista de desejos, nem de brasileiros, nem de estrangeiros. Basta andar por suas ruas ou faixa de areia para ouvir pessoas conversando em línguas diversas, em qualquer época do ano. A novidade é que a cidade do Ceará ganhou um aeroporto próximo em junho do ano passado. 

O Aeroporto Regional de Jericoacoara Comandante Ariston Pessoa está na cidade vizinha, Cruz, a 33 quilômetros de distância. Os passageiros embarcam e desembarcam na pista e acessam o interior do terminal, um casarão com cobertura de palha, por uma sala com fotos de paisagens da região e objetos que antecipam o clima praieiro. Na sala seguinte, enquanto a mala não surge na esteira, dá para se divertir tirando foto ao lado das letras gigantes que formam a frase clássica “eu amo Jeri”. Do lado de fora, balcões de check-in e uma pequena lanchonete. 

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A partir de São Paulo, são 3h30 de voo direto, mais os 50 minutos do transfer até a vila de Jeri. Antes da inauguração do aeroporto regional, quando a única opção era voar até a capital do Ceará, Fortaleza, o transfer até lá levava de 4 a 5 horas e o ônibus de linha, até 8 horas. 

O aeroporto de Jeri recebe voos diretos da Gol a partir de Guarulhos, três vezes por semana, às quartas-feiras, sábados e domingos. Da Azul, recebe um voo direto aos sábados a partir de Viracopos, em Campinas; e voos com uma ou duas conexões (Belo Horizonte e Recife) às terças-feiras, quintas, sábados e domingos, com partidas de Congonhas, Guarulhos e Viracopos.  Veja uma estimativa de valores de passagens mais abaixo.

Testei todas as formas de deslocamento e cheguei à conclusão de que voos com conexões, somados ao tempo de deslocamento até Campinas, por exemplo, podem não valer tanto a mudança de rota – o tempo gasto pode ultrapassar o da viagem por Fortaleza. Por isso, considere os valores das passagens e avalie o custo-benefício de cada caminho. 

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Nova taxa ambiental e segurança

De acordo com um levantamento da Azul Viagens, a venda de pacotes para Jeri cresceu 100% na alta temporada, entre julho e dezembro, comparando 2017 com 2018. O aumento da demanda turística, porém, também fez com que a prefeitura de Jijoca de Jericoacoara seguisse os passos de Fernando de Noronha e criasse uma taxa ambiental para a manutenção do local: R$ 5 por dia de estada, por pessoa. O ideal é entrar no site bit.ly/taxajeri e pagá-la antes de viajar para evitar a fila de carros que se forma na entrada da cidade, onde agora há fiscais para conferir sua confirmação de pagamento – não esqueça de imprimir o comprovante.

Outra das preocupações associadas à inauguração do aeroporto é a segurança. Casos de violência na região deixaram moradores em alerta. Procurada pelo Estado para comentar possíveis medidas para garantir a segurança de moradores e turistas, a prefeitura da cidade afirmou que recebeu reforço de 30 policiais que atuam no Batalhão de Turismo da Polícia Militar (BPTur).

De qualquer forma, das duas vezes em que estive na vila, não passei por nenhuma situação inconveniente ou que causasse medo, mesmo andando pelas ruas de madrugada e sozinha. A vida noturna em Jeri é movimentada todos os dias da semana e as lojas costumam ficar abertas até as 23 horas.

 

O que fazer ​

Depois da minha primeira visita ao destino, em 2016, voltei este ano cheia de expectativas. Queria, sim, reencontrar lugares e sabores pelos quais me apaixonei – a vila está repleta de bons (e não exatamente baratos) restaurantes - clique aqui e saiba onde comer bem. Mas queria também descobrir lugares novos e matar a vontade dos passeios que os quatro dias da primeira vez não me permitiram fazer. Com este tempo, aliás, dá para aproveitar bem o básico, mas, se tiver possibilidade, considere ficar sete dias.

Descobri, em Jericoacoara, que o que mais me encanta nas despedidas e encontros com o sol são as luzes que pintam o céu. Não bem a amarela que o define, mas aquelas intermediárias. Ao se pôr, o azul que escurece e se enche de estrelas rapidamente. Ao nascer, a anarquia dos riscos laranjas, rosas e lilases que, por sua vez, vão sendo afastados pelo amarelo cheio de poder. Note, esse céu não é possível em todos os lugares, nem todos os dias. Em Jeri, contudo, a poesia visual é cotidiana.

Minha visita melhorou ainda mais quando conheci Pedro Cândido, funcionário do hotel onde me hospedei, o Blue Residence - clique aqui para ver opções de onde se hospedar em Jeri. Foi ele que me ajudou, com a simpatia e o bom humor característicos das pessoas por aqui, a encontrar passeios que fogem dos roteiros tradicionais. Dicas preciosas como a que me levou a subir num barco na escuridão das cinco da manhã para poder contemplar, em alto-mar, as cores daquele nascer do sol que tanto me encantou. 

Saiba mais ​

Aéreo e terrestre: na Azul, desde R$ 3.633; na Gol, desde R$ 2.755 – preços cotados para voos diretos em outubro. Os transfers que levam até a vila costumam ser oferecidos pelas hospedagens, custando cerca de R$ 150. 

Quando ir: a época dos ventos vai de julho a dezembro, o que inclui as nossas férias e as do Hemisfério Norte. Ou seja, é o ápice da alta temporada. Entre janeiro e maio há risco de chuva; em junho, o vento já começa a aparecer e os preços são mais em conta.

Dinheiro: nem todos os estabelecimentos aceitam cartão. Tenha sempre dinheiro em espécie. Na vila não há agência bancária. Dá para ir ao mercado, passar o cartão e resgatar o valor em espécie pagando taxa de 10% a 20% sobre o valor.

Dica de roteiro: Jeri é um dos destinos da Rota das Emoções, que inclui também o Delta do Parnaíba, no Piauí, e os Lençóis Maranhenses, no Maranhão. Saiba mais sobre aqui.

Site: bit.ly/conhecajijoca

*Viagem com apoio da Azul Viagens.

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