Dafna Tal/IMOT
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Jerusalém

O centro de tudo

José Maria Mayrink, Jerusalém

12 Junho 2018 | 04h58

Depois de cruzar o portão da entrada da Igreja do Santo Sepulcro, os peregrinos veneram a Pedra da Unção, na qual Jesus teria sido depositado, antes de ser sepultado, para preparação do corpo, de acordo com o ritual judaico. Uma escada íngreme leva ao andar superior, o Gólgota, onde se deu a crucifixão. Ao lado, uma gruta guarda fragmentos da Cruz, descobertos no século 4º por Santa Helena, mãe do imperador Constantino, após a demolição de um tempo pagão construído no século 2º pelo imperador Adriano. 

No dia 7 de maio, festa da Invenção da Santa Cruz, faz-se uma procissão e os devotos beijam a relíquia numa capela do interior da basílica. O sepulcro de Jesus, restaurado recentemente, se encontra numa edícula ou capela, que se pode visitar após longa fila. Descobertas arqueológicas confirmam a autenticidade de crenças alimentadas há 20 séculos.

O ano todo, às sextas-feiras, às 15h, celebra-se a via-sacra em 14 estações, da Igreja da Flagelação, junto da Fortaleza Antônia, onde Pilatos condenou o Rei dos Judeus, até o Santo Sepulcro. É uma procissão meio tumultuada, nas ruelas da área árabe da Cidade Velha. Liderados pelos frades franciscanos, os fiéis cristãos cantam e rezam em latim diante das imagens da Paixão, identificadas nas paredes de lojas comercias de artigos religiosos.

Chega-se à Via Dolorosa pela Porta de Damasco, que dá acesso à parte árabe da Cidade Velha. O clima é pesado pela presença ostensiva de soldados e policiais israelenses armados de metralhadoras. É ali que começam os confrontos, nos protestos de árabes e muçulmanos contra Israel. O clima é tenso, mas turistas peregrinos se sentem seguros.

Desviando-se do trajeto para o Santo Sepulcro, chega-se ao Muro das Lamentações. Centenas de homens e mulheres oram, em áreas separadas, todos os dias, mas principalmente no sábado, dia sagrado dos judeus (quando é proibido fotografar). Aproximam-se da muralha do antigo Templo de Salomão e depositam em fendas da parede bilhetes com rezas e pedidos. Predomina a presença de rabinos e de judeus ortodoxos, com os quais se misturam outros devotos, até militares armados, com comovente devoção. Atrás das ruínas do Templo se vê a cúpula dourada da Mesquita de Omar, cujo pátio se pode visitar.

Getsêmani, no sopé do Monte das Oliveiras, é a próxima etapa. Do templo, onde se recorda a agonia de Jesus, se tem a melhor vista de Jerusalém, com a Porta Dourada, a cúpula da Mesquita de Omar e as cúpulas do Santo Sepulcro. Ali perto se encontra também o Cemitério dos Judeus, no Vale de Josafá, de onde os mortos teriam a precedência na ressurreição, no Juízo Final. No alto do Monte das Oliveiras, uma pequena mesquita é aberta para celebrações católicas e ortodoxas, na festa da Ascensão de Jesus ao Céu, em maio.

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