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Jet lag de bebê

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Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

02 Janeiro 2018 | 02h55

Eram duas horas da madrugada e Claire Cunha, 1 ano e 4 meses, ainda saracoteava de um lado para o outro na sala de estar de uma casa no litoral paulista. Era a única criança ainda acordada das quatro que passavam o feriado na casa de praia. Estava agitada, irritada e chorona; claramente dormiria, se pudesse. Mas, vinda há apenas dois dias de Las Vegas, onde nasceu e mora, Claire estava sofrendo um jet lag pesado. O relógio biológico da pequena ainda indicava nove horas da noite, habitualmente o horário em que seus pais começam a prepará-la para dormir.

Às três, a menina de fato adormeceu. Às nove e pouco da manhã seguinte estava acordada, arrastando consigo uma mãe e um pai tontos de cansaço.

Defendo e incentivo a viagem com filhos de qualquer idade. Mas há momentos em que é preciso encarar a dura realidade sem floreios. O jet lag dos bebês e das crianças pequenas é uma dessas situações. Pode provocar exaustão em toda a família e chegar mesmo a arruinar os primeiros dias da viagem.

Os bebês pequenos, de até seis meses ou um pouco mais, incrivelmente são os que dão menos trabalho nesse sentido. Como dormem muitas horas por dia e alternam sono e despertar de dia e à noite, nada muda muito, mesmo que viajem para o outro lado do planeta.

Perto de completar o primeiro aninho, você finalmente consegue estabelecer algo parecido com uma rotina na vida da criança. Chega a contar com orgulho que o pequeno dorme muito bem e acorda “só” duas vezes na noite. A partir deste período, e até os três ou quatro anos, a alteração nos fusos horários pode acabar com a relativa estabilidade que você tão duramente conquistou.

Numa viagem recente, tivemos de acordar duas horas mais cedo que o habitual. Como consequência, meu filho teve fome mais cedo para almoçar, quando ainda não planejávamos fazer uma pausa. Também tivemos de adiantar o jantar e cancelar a sessão de observação de estrelas num planetário: às oito e meia da noite ele só queria dormir.

Desânimo e irritação são os sintomas mais comuns do jet lag em bebês e crianças, diz a pediatra Lucila Bizari Fernandes do Prado, presidente do departamento de Medicina do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria. Alterações no apetite também podem ocorrer. Veja dicas para amenizar os sintomas e ajudar na adaptação dos pequenos.

Acerte seu relógio. A pediatra recomenda que os adultos ajustem o relógio para o horário do destino assim que entrarem no avião. “Pode parecer besteira, mas é uma medida simples que já vai adaptando o cérebro a outro ritmo”, diz Lucila. “E como o ritmo da vida das crianças é ditado pelos pais, elas também acabam sendo influenciadas.”

Voo noturno. Dê preferência a voos noturnos e tente que a criança durma o máximo possível no avião (lembre-se que as companhias aéreas têm berços pagos à parte para quem viaja com bebês). A estratégia dá mais certo se os pais também conseguem dormir durante o voo.

Sol na moleira. “O sol é um regulador do relógio biológico”, diz a pediatra Lucila Bizari Fernandes do Prado. Por isso, programe passeios ao ar livre nos primeiros dias. E incentive as crianças a gastarem energia.

Horas certas. Mantenha a rotina do dia a dia da criança, adaptada ao fuso do destino. Acorde-a no horário a que está habituada se perceber que ela vai esticar o sono; mantenha refeições (leves, se não houver fome), soneca da tarde e o horário de dormir à noite.

Keep calm and continue a viajar. Acima de tudo, tenha paciência. A criança vai se adaptar, mesmo que demore uns dias (Claire entrou no ritmo na quarta noite). E encare tudo como parte da educação que você está dando ao seu filho; afinal, lidar com o jet lag – ou seja, com reações do próprio corpo – também é um aprendizado. Continuem a viajar. E boas férias!

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