Jet ski, motocross e muita adrenalina

Mistura dos dois esportes deu origem ao jet waves, modalidade que permite ?vôos? de até 10 metros

Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2008 | 03h11

Surfistas um tanto incomuns perseguem ondas montados não em pranchas, mas em jet skis. A bordo de máquinas possantes, usam as marolas para pegar impulso e saltar dois, cinco, até dez metros. Trata-se do jet waves, uma espécie de "motocross das águas". Ao contrário do que ocorre em terra, as rampas são moldadas seguindo a vontade da natureza. Quanto maior a onda, mais alto o pulo. Como resultado, o esportista descobre-se em meio a uma série de piruetas e mergulhos na companhia de equipamentos nada leves. As manobras atraem bastante a atenção dos banhistas na areia. Afinal, não é sempre que se vê um jet ski de ponta cabeça, voando por aí. Alguns diriam que o jet waves é coisa para poucos. Não deixa de ser verdade: afinal, o nível de adrenalina precisa estar além do normal para encarar movimentos tão ousados. Por isso, para evitar quedas, é preciso ter técnica e, sobretudo, lucidez . Tudo começou meio por brincadeira. A modalidade uniu o pessoal do freestyle - categoria clássica do jet ski, praticada em água parada - com a turma que arriscava truques nas ondas, mas sem saltar. Recebeu, ainda, herdeiros do motocross. E assim nasceu o freeride - ou só jet waves mesmo. O esporte se desenvolveu e ganhou peças específicas, que não eram fabricadas quando surgiram os primeiros jet skis, na década de 1980. Hoje, máquinas de 100 quilos e 180 cavalos são as mais adequadas para quem quer "voar" sobre as águas. Comparadas às tradicionais, elas têm o dobro da potência - e a metade do peso. Essa desenvoltura permite vôos de até dez metros de altura. E o tamanho da queda é sempre maior que o do salto, porque é descontada a altura da marola. Por isso, cair na água com o casco do jet ski não é uma boa idéia. Seria como um mergulho de barriga - o impacto é forte e doloroso. Para evitar a experiência desagradável, respire fundo e entre de bico. O jet waves até pode ser praticado por lazer, desde que se tenha muito, muito cuidado. Mas, no geral, exige habilidade e experiência de profissionais. A evolução do esporte é recente. A primeira competição no Brasil ocorreu em 1999, quando também foram lançadas disputas nos Estados Unidos e na Europa. "O curioso é que nenhum dos organizadores se conhecia", conta o paulista Marcelo Brandão, ou apenas Tchello, que seguiu carreira no motocross e só conheceu os jet skis no fim dos anos 1980, quando se mudou para Florianópolis. "Foi amor à primeira vista." Em 2004, Tchello criou a Associação Internacional de Jet Ski Freeride (IFWA, em inglês), ao lado de organizadores estrangeiros. Ele se tornou presidente do grupo e hoje está à frente dos torneios mundiais. O primeiro campeonato ocorreu em 2005, dividido em cinco etapas: Brasil, França, Espanha, Portugal e Estados Unidos. O francês Pierre Maixen venceu as três edições iniciais - e um americano com nome de vitorioso levou a deste ano: Ross Champion. Cristiano Magarão e Bruno Jacó são os destaques entre os atletas brasileiros e estão empatados na primeira posição no circuito nacional deste ano. O confronto final será neste fim de semana, durante a terceira e última etapa do torneio, em Tramandaí (RS). IFWA: www.ifwa.com.br

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