João Pessoa

Areias urbanas e centro preservado

Nathalia Molina/ESPECIAL PARA O ESTADO,

30 Janeiro 2012 | 21h58

Comece reconhecendo o terreno. Manaíra, Tambaú e Cabo Branco desenham a sequência central de praias de João Pessoa e concentram hotéis e pousadas. Acorde cedo para aproveitar os 24 quilômetros de litoral, extensão total das noves boas praias urbanas.

A vida corre mansa no calçadão, frequentado por moradores em caminhadas, de bicicleta ou num cooper pela manhã e no fim da tarde. Nas noites de lua cheia, casais namoram sentados na areia. Com pouco mais de 700 mil habitantes, João Pessoa ainda tem dessas coisas. Em ritmo desacelerado para quem está acostumado a grandes cidades, a capital paraibana cativa já na chegada, pela altura dos predinhos da orla, restritos ao máximo de 35 metros. De carro, siga rumo ao sul da cidade, em direção ao Farol do Cabo Branco. Gostoso sentir a brisa enquanto dirige pela orla. Bonito visual, de baixo e de cima, depois de subir a ladeira até o alto da falésia, onde o farol foi instalado em 1972. De lá dá para ver o mar à frente e, logo abaixo, num trechinho à direita, a Ponta do Seixas. A praia de coqueiros marca o ponto mais oriental da América continental. Ali o sol nasce antes e, claro, se põe antes também.

O sol cai do lado oposto ao mar, no Rio Paraíba. A luz alaranjada no horizonte reflete na forma espelhada projetada por Oscar Niemeyer para o prédio principal da Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes. Vá um pouco mais cedo para conhecer o complexo com 8.571 metros quadrados de área construída, com instalações para exposições, palestras e espetáculos. Antes de escurecer, veja o litoral tanto através da parede transparente do edifício como em cima dele, no mirante. Ao volante, ainda há muito para ser visto, não só perto da areia. A região central de João Pessoa merece ao menos uma tarde para ver construções tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como os predinhos coloridos em estilo art nouveau da Praça Antenor Navarro. Na Cidade Alta, o Centro Cultural São Francisco se destaca pelo barroco rococó e pelos azulejos portugueses. O complexo, com igreja e convento, começou a ser erguido em 1589, quatro anos depois da fundação de João Pessoa. Terceira cidade mais antiga do Brasil, depois de Salvador e do Rio, ela nasceu à beira do Rio Sanhauá, na Cidade Baixa. O pôr do sol do terraço do Hotel Globo, de 1929, dá uma bela visão do rio. No prédio, móveis e fotografias contam a história do hotel que abrigou celebridades quando estava em funcionamento.

De acordo com a localização no mapa, dá para dividir o centro da capital em duas áreas a serem exploradas. O centro é movimentado e pode dar trabalho para encontrar vagas. A outra área a ser vista se concentra em torno do Parque Sólon de Lucena - ali há estacionamento particular disponível. Cartão-postal da cidade, também chamado de Lagoa, devido ao enorme espelho d'água contornado por palmeiras imperiais, é um projeto do paisagista Burle Marx.

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