John Loomis/NYT - 29/2/2008
John Loomis/NYT - 29/2/2008

Jogo da vida radical

Uma semana de carro, com quase mil quilômetros percorridos. As rodovias serpenteiam perigosamente entre os vulcões da Costa Rica, muitos ainda em atividade. Só encarar tal estrada já seria uma aventura e tanto. Mas fizemos mais. Chegamos perto do fumegante Arenal, que cospe fumaça e pedras, e vimos as crateras do Poás e do Iguazú. Na sequência, um teste de coragem nas corredeiras do Rio Pacuare, num dos raftings mais famosos do mundo. Mais ao norte, outra parada. Desta vez, para um canopy gigante, deslizando num cenário fantástico. Para fechar, praias no Pacífico e no Caribe. Uma jornada que poderia virar filme - ou jogo.

Daniel Brito, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2009 | 02h29

Não existe linha reta na Costa Rica. Não nas acanhadas rodovias que atravessam o país em um interminável zigue-zague. Culpa das cordilheiras que transformam o circuito de vulcões numa gigantesca brincadeira de ligar pontos. Apesar de eventuais percalços e dos perigos escondidos em tantas curvas, a melhor forma de conhecer a verdadeira Costa Rica é viajando de carro.

 

Veja também:

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linkPacotes para percorrer o país

Só assim fica possível - num país invadido por americanos, onde 40% da população fala inglês - ver o estilo de vida dos moradores de cidades do interior. Só assim você sente aquele cheiro de café escapando pela janela de um casebre. Casebre de um povoado perdido entre um vulcão e outro. Intermináveis plantações de abacaxi e banana estarão às margens das rodovias, a um passo do asfalto. E costarriquenhos anônimos e hospitaleiros vão acenar à sua passagem. São os Ticos e as Ticas, como eles se autodenominam.

Mas é preciso muito mais que coordenação motora para dirigir por lá. Cautela e paciência são ingredientes indispensáveis. Da fronteira sul, na divisa com o Panamá, até o norte, na Nicarágua, a malha viária serpenteia entre a cordilheira e as cidades.

As pistas são de mão dupla, com raras áreas de acostamento. Talvez por isso as resenhas turísticas façam tantas ressalvas quanto ao aluguel de um carro por lá. Sem citar dados, os guias repetem a informação que a Costa Rica é o país com o maior índice de acidentes do mundo. Uma tese que, felizmente, não se comprova.

Sua pistas pavimentadas têm menos buracos que as brasileiras, acredite. Mas é bem verdade que lá até estradas de terra ou cascalho são mapeadas como rodovias federais, mas quem está em uma delas sabe que não pode passar dos 30 km/h.

Mesmo nas pistas mais importantes, a velocidade não supera os 60 km/h. Aliás, desenvolver esse ritmo é raro, porque quase sempre haverá um caminhão se arrastando cordilheira acima, como um elefante idoso. Por isso, ter paciência é tão essencial. À noite, a viagem torna-se mais arriscada, por causa da neblina.

As principais cidades da região central estão situadas em um vale. Para ir à praia, é preciso subir a cordilheira, atravessar o topo e descer segurando o estômago para não ficar enjoado. Em alguns pontos, a altitude chega a 3.300 metros.

A Carretera Panamericana, também conhecida como Interamericana, que começa no Alasca e despenca na Patagônia argentina, com mais de 48 mil quilômetros de asfalto, serve de alento aos motoristas perto de San José. A pista fica mais larga e é possível chegar aos 90 km/h. O problema é que a Panamericana perde sua imponência 50 quilômetros depois de San José. E vira mais uma pistinha de mão dupla, sem acostamento, como as demais.

PONTES RETAS

Para não cometer uma injustiça com a malha viária da Costa Rica, há alguns trechos em linha reta: nas pontes. E são várias. Acontece que elas decepam as curvas. Sim, os costarriquenhos construíram pontes em curvas. Mas não qualquer curva. Trata-se daquele tipo de 90 graus. Para fazer a travessia e seguir viagem, você precisa virar o volante todo. Tem mais: elas são mão única. Ou seja, é comum ter de esperar por meia hora até todos os veículos outro lado atravessarem e sua fila poder andar.

E ainda tem a polícia. Os Ticos dificilmente são parados nas estradas - e eles odiariam ter de pagar multa de 56 mil colones (R$ 187). Já os turistas... Bem, os turistas e seus carros alugados parecem chamarizes de guardas. Durante a viagem, fui abordado três vezes. Em duas, a perda foi apenas de tempo.

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