Joias coloniais e reinos de barro

Os casarões coloniais ornados com balcões de madeira talhada cercam a Praça de Armas e avisam que Trujillo tem personalidade própria. E forte. O coração da cidade é seguro e agradável para caminhadas e visitas furtivas a um e outro ponto de interesse, como a bela catedral erguida em 1616 e duas vezes reconstruída - a última em 1666 - por causa de terremotos. Cerca de 200 quilômetros ao sul de Chiclayo, a cidade funciona como ponto de partida para conhecer impressionantes sítios arqueológicos que pertenceram a diferentes culturas pré-incaicas ao longo da história.

TRUJILLO, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2014 | 02h06

Inevitável começar por Chan Chan. Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1986, ocupa nada menos que 15 quilômetros quadrados em uma região próxima ao mar. A antiga capital do reino Chimú, que se desenvolveu entre os anos 1.100 e 1.470, foi construída com tijolos de adobe - que utilizam areia, terra, pedras e água - e acabou sendo bastante afetada pelas intempéries.

Contudo, o governo tem feito um trabalho sério de restauração, habilitando a visita ao antigo palácio do local, onde ainda é possível ver aposentos reais, paredes ornadas com desenhos em alto relevo e pátios cerimoniais. É interessante notar a importância atribuída ao mar, com diversas imagens que lembram ondas, pelicanos, anchovas e outros animais. Atualmente, outros prédios se encontram em processo de restauro.

Moche. Não muito longe dali, a 8 quilômetros de Trujillo, ficam as Huacas del Sol e de la Luna. Tratam-se de antigos templos cerimoniais da cultura Moche, que ocupou a região entre os anos 100 a.C. e 800 d.C. - anterior, portanto, aos chimús.

Centro religioso, a Huaca de la Luna está aberta à visitação (10 soles ou R$ 8 por pessoa) e guarda diversas imagens desenhadas em alto e baixo relevo nas paredes. Já a Huaca del Sol segue em processo de investigação por arqueólogos e não pode ser visitada, mas muitos dos objetos encontrados ali podem ser vistos no Museo Huacas de Moche, no mesmo local.

Soberana. Cerca de 60 quilômetros ao norte está o complexo El Brujo, onde a equipe do arqueólogo Régulo Franco encontrou em 2006 a Dama de Cao. Pela primeira vez, comprovou-se que as mulheres também exerciam o poder nas primeiras civilizações sul-americanas. Seu fardo funerário, depositado em um recinto em que predomina a figura do deus decapitador Ai-apaec, pesava mais de 100 quilos e levou oito meses para ser totalmente aberto. Toda a riqueza ali contida, assim como o corpo preservado (e tatuado) da personagem de mais 1700 anos, estão no Museo Cao. / PEDRO SIBAHI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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