Dennis Fidalgo/AE
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Joias no deserto

A maioria dos visitantes escolhe San Pedro de Atacama como base para explorar as principais atrações da região. Um oásis a 2.400 metros de altitude, repleto de sítios arqueológicos

Dennis Fidalgo - O Estado de S.Paulo,

13 Fevereiro 2012 | 21h15

SAN PEDRO DE ATACAMA - Aventureiros, fotógrafos, astrônomos, mochileiros. Ou, simplesmente, apaixonados pela natureza. Cercado por montanhas e vulcões, no norte do Chile, o Deserto de Atacama atrai viajantes de diferentes perfis e partes do mundo para observar uma paisagem inóspita, que encanta os olhos e deixa seca a garganta. Não há dúvidas de que estamos em um lugar mágico, onde os espetáculos ocorrem a todo momento: o amanhecer, o voo dos flamingos, os gêiseres, a noite tão estrelada que parece uma pintura.

Tamanha beleza tem uma razão científica. Trata-se do mais árido deserto do mundo - por causa da altitude, as correntes marítimas do Pacífico não conseguem chegar à área onde está o deserto. Assim, durante 300 dias por ano, não há nuvens - o que permite que a vista alcance até 400 quilômetros de distância.

O clima é extremo, com temperaturas que variam de zero grau, à noite, a 40 graus, durante o dia. Por esse motivo, você precisa redobrar os cuidados com o sol e não esquecer de tomar muita água: estar hidratado é mais do que fundamental.

Em um ambiente tão inóspito, não é de se estranhar que cidades por ali sejam raridade. Calama é a maior delas, mas a maior parte dos turistas acaba se hospedando em San Pedro de Atacama, vilarejo com pouco mais de 3 mil habitantes. Um oásis alimentado por dois rios a 2.400 metros de altitude, considerado a capital arqueológica chilena, onde repousam dezenas de sítios históricos que guardam os resquícios do domínio inca naquela região.

A Rua Caracoles, a principal e mais movimentada via da cidade, é o ponto para quem quer garantir sua cota de souvenirs. Ali estão diversas lojas de artesanato, com trabalhos regionais como agasalhos, gorros e xales (os mais comuns, de lã de ovelha ou lhama), tecidos coloridos, materiais esculpidos em madeira e pedra. Além, claro, de bares e cafés para uma providencial pausa.

Oásis de luxo. Mas o que interessa mesmo a quem viajou para tão longe são os passeios - você pode comprar lá mesmo, nas pequenas agências da cidade. Ou, se preferir se hospedar com todo conforto, aproveitar os roteiros oferecidos por hotéis cuja proposta é a total integração com a natureza. Tierra Atacama, Explora e Awasi são veteranos no assunto - recentemente, o Kunza, resort cinco estrelas instalado a dois quilômetros de San Pedro de Atacama, veio se unir a eles.

Ali, os hóspedes podem usufruir de serviço de primeira e infraestrutura confortável, ideal para relaxar corpo e alma depois de passar o dia explorando os pontos mais visitados da região, como Lagoa Cejar, Vale da Lua e gêiseres El Tatio.

Para ver tudo isso, afinal, será preciso acordar cedo, caminhar, sentir na pele e no corpo os efeitos do sol inclemente e da altitude. Mas todo o esforço é recompensado quando os olhos alcançam o horizonte, desvendando detalhes de cada pedacinho do deserto. Uma experiência única.

Boas-vindas

Diversão na água

Parece difícil de acreditar, mas existem várias lagoas espalhadas pelo Deserto de Atacama. A maioria delas formada pela água de degelo das montanhas ou por lençóis freáticos.

Em nosso primeiro dia de aventura, fomos brindados com a beleza das lagoas Cejar e Piedra, a cerca de 25 quilômetros de San Pedro de Atacama. As lagoas estão logo na entrada do Salar do Atacama, área que, há milhões de anos, era ocupada pelo mar.

Assim como ocorre no Mar Morto, a grande concentração de sal na água faz com que qualquer pessoa possa boiar ali. E eu não podia ir embora para casa sem ter essa sensação. Entramos, portanto, na Lagoa Cejar - os guias recomendam que se use algum calçado para não cortar os pés nas lâminas de sal.

O efeito provocado pelo excesso de sal causa um enorme relaxamento, mas nada de ficar tempo demais em imersão. É preciso lavar-se imediatamente com água doce assim que sair da lagoa. Ao redor, uma paisagem que só pode ser definida como espetacular, com os vulcões Licancabur, Lascar e Corona no horizonte. Com sorte, é possível ainda observar flamingos.

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