Jornada ao azul profundo de Cozumel

Vizinha da barulhenta Cancún, ilha preserva belezas submersas reveladas por Jacques Cousteau há mais de meio século. E a fauna parece não ligar muito para o movimento intenso ali do lado

FELIPE MORTARA / COZUMEL, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2014 | 02h06

Em instantes entraria em órbita. Como poderia imaginar que após alguns minutos de navegação - mar um pouco batido, sol entre nuvens e mais nenhum brasileiro a bordo - eu seria despachado para outra dimensão? Máscara, nadadeiras, regulador e pluft. Azul. Meu Deus, que azul!

Não conseguia crer no que via enquanto descia ao fundo de Colombia Reef, em Cozumel. Alguns companheiros de mergulho já estavam a pelo menos 35 metros de distância de mim, mas eu os via nitidamente. E o instrutor ainda teve a coragem de dizer que "la visibilidad no estaba increíble".

A terceira maior ilha do México é também a capital nacional do mergulho, cuja beleza foi revelada ao mundo em 1961 pelo lendário Jacques Cousteau. Em Cozumel, aspirantes a astronauta submarino encontram o espaço que sonharam para flutuar entre planetas, ou melhor, entre 65 diferentes arrecifes ao longo de 28 quilômetros de costa, repletos de vida. Para dar as boas-vindas, uma imensa tartaruga se aproximou, curiosa. Ora, curioso estava eu para conhecer seu "planeta".

Nem parecia que estávamos - eu, a tartaruga, sua vizinha arraia e uma família de nove lagostas - a apenas 30 minutos de ferry de Playa del Carmen, badalado balneário próximo ao ainda mais bombado polo hoteleiro de Cancún. A 30 metros de profundidade, o silêncio gritava todos os sons. Por quase uma hora, só escutava minha respiração de Darth Vader.

Quando pensava que não poderia melhorar, surgia uma surpresa. Cada um dos três pontos de mergulho seguintes tinha um "tchan". Em Punta Dalila, foram duas intrigadas barracudas a nos seguir o tempo todo. O maior peixe-papagaio que já vi aparecia de papagaio de pirata nas fotos.

Em Palancar, uma intimidadora moreia de um palmo de largura nos seguiu por dezenas de metros. Cruzamos por dentro de uma pequena gruta de corais. Porém, o melhor parecia estar reservado para o final. Torço para nunca esquecer os matizes coloridos das anêmonas, algas e gorgôneas que tremulavam com a forte correnteza no Paredão de Santa Rosa, que descia para as profundezas do Caribe com a luz do sol iluminando nuvens de peixes e projetando tonalidades impensáveis nos recifes. Para terminar o mergulho, um enorme tubarão-lixa se deixou fotografar dentro de sua toca. Que viagem no espaço! Era hora de voltar à Terra.

Para todos. Única cidade da ilha, San Miguel de Cozumel concentra hotéis e restaurantes, além de agências de mergulho e aluguel de carro e motos. Lugar relativamente pequeno, vive essencialmente do mergulho e de navios de cruzeiro que ancoram ali por algumas horas. Os carentes de fast-food encontram grandes redes americanas, como Hard Rock Café e Pizza Hut. Porém, há opções gastronômicas e hoteleiras para todos os bolsos.

Apesar de estar no Caribe, o forte de Cozumel não são as praias. Após o furacão Wilma, em 2005, as faixas de areia do centro foram engolidas pelo mar. Mas, do lado leste, estão a Playa Los Cocos e Santa Cecília, a pouco mais de 10 quilômetros do centrinho. A opção mais econômica é alugar uma scooter por diárias desde US$ 35.

Para quem mergulha, Cozumel é um oásis de abril até o fim de setembro. Mergulhadores certificados pagam US$ 80 por saída, com duas imersões - um valor barato no universo do scuba diving. São mais de 60 pontos de mergulho, e você não repete nenhum. Os batismos (para iniciantes) são precedidos de explicações - quase um curso teórico de 3 horas - e ocorrem em lugares abrigados a baixa profundidade. O preço médio é de US$ 75.

Quem quiser voltar para casa com um certificado Padi Open Water Diver vitalício, aceito no mundo todo, pode investir quatro dias e US$ 420. O curso, ministrado por escolas como a Deep Blue e a Scuba Tony, inclui sete mergulhos.

Para interagir com a vida marinha sem cilindro, há opções de recifes rasos para snorkeling ao norte, no Casitas Beach Club, ou em Dzul-Há, ao sul (viagens de meio dia por cerca de US$ 50, a combinar no cais). E ainda há o Atlantis Submarine (US$ 65), que flana por uma hora sobre os corais mais próximos - ótimo para crianças e idosos.

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