Jovem Budapeste

Duas décadas após a queda da Cortina de Ferro, capital do país revê o passado e escreve um novo e criativo capítulo de sua história

Mônica Nóbrega, BUDAPESTE

13 Julho 2010 | 02h30

História e turismo. A bela Chain Bridge, ponte mais antiga e cartão-postal da capital húngara, enche os olhos dos turistas que passam pela região

 

 

Diante de um Danúbio metros acima de seu nível normal, Budapeste sorri para o sol, que começa a se pôr atrás das montanhas de Buda, na margem esquerda. Mais tarde, telejornais noturnos até mostrariam estragos causados pela cheia do rio. Naqueles instantes ao ar livre, no entanto, o que se vê são moradores que aproveitam o entardecer de fim de primavera sentados nas muretas ou em caminhadas, como se estivessem na praia.

Mesmo àqueles a quem a carteira de identidade nega o adjetivo, a tarde empresta uma expressão jovem. Palavra que pode ser usada também para definir a atmosfera da capital da Hungria. Duas décadas após a queda da Cortina de Ferro que dividiu a Europa em duas, a cidade se mostra ávida por passar a limpo sua história e escrever um próximo capítulo diferente. Arte, cultura, design - para onde olhar, o visitante encontrará novidade.

 

Veja também:

linkO castelo e outros patrimônios seculares. Para ver e desfrutar

linkPor um lugar ao sol na Ilha Margarete

linkSpas e piscinas públicas mantêm a tradição dos banhos medicinais

linkGuia Prático

mais imagens Galeria de fotos Budapeste

O mundo começa a se dar conta de que algo de interessante ocorre às margens do Danúbio. O Brasil inclusive, apesar dos modestos 3.049 visitantes que enviou ao país no ano passado. O longa hollywoodiano The Rite, ambientado na capital húngara, será lançado em 2011, com Antony Hopkins e Alice Braga. Chico Buarque usa a cidade como cenário em um de seus livros.

E o showbizz descobriu Budapeste: Iron Maiden e Bad Religion aterrissam lá em agosto para apresentações no megafestival Sziget, que fez sua primeira edição em 1993 e tem, atualmente, status de um dos mais importantes do verão europeu.

 

   

Dark. O Museu Casa do Terror (House of Terror Museum) narra a ditadura socialista no país

 

Revisão. Assim como faz Berlim, expor as marcas do autoritarismo foi a forma que Budapeste encontrou de rever seu passado recente. No prédio renascentista que foi quartel-general do fascismo húngaro e, depois, sede da polícia política, hoje funciona o Museu Casa do Terror (terrorhaza.hu). Difícil ficar indiferente à fachada, que ganhou uma moldura monumental com letras vazadas. Os três organizados andares mostram, em ordem cronológica, a história política do século 20 no país. Perto dali, na Rua Andrassy, o monumento à queda da Cortina de Ferro traz frases como "Isto dividiu a Europa e o mundo em dois".

 

A própria Andrassy absorveu depressa os novos tempos. Inspirada nos bulevares franceses e tomada por prédios do século 19, a rua é, hoje, o endereço das grifes cinco-estrelas internacionais - americanas inclusive, algo impensável apenas 20 anos atrás. A Ópera House (operavisit.hu), principal casa de concertos da cidade, erguida em 1884 com arquitetura entre o neoclássico e o neorrenascentista, fica na rua.

Distrito 7. A Andrassy limita, ao norte, o Distrito 7, onde Budapeste está, de fato, acontecendo. A região tem muitos edifícios tombados como patrimônio - abandonados.

Quase ninguém mora por ali, mas os aluguéis em conta atraíram uma leva de lojas e estúdios cujos proprietários são jovens artistas e designers. Quando anoitece, os moradores fazem o esquenta em bares ao ar livre montados em terrenos vazios, antes de seguir para baladas mais que alternativas, que, em geral, não cobram entrada. Restaurantes começam a encontrar seu espaço na vizinhança.

 

 

Patrimônio. O parlamento húngaro está localizado nessa antiga construção, próxima ao Danúbio

 

Os bons hotéis não ficam longe. Basta uma corrida curta de táxi para chegar à Praça Deák Feréc, no lado Peste, a mais importante da cidade, onde se cruzam as linhas de metrô. No entorno da Ponte Elisabeth estão Marriott, Sofitel e Intercontinental. De frente para a colina do castelo, lá em Buda.

Porque, como você certamente já leu por aí, a capital tem duas metades (ou três partes, se for considerada Óbuda, mais ao norte). Divisão que funciona apenas na teoria. Na prática, é quase certo que você caia de amores por Budapeste inteira.  

 

 

 

OS TRILHOS

     

      

  

Linha M1 do metrô

Londres lançou a ideia, em 1863. E Budapeste correu para seguir o exemplo: a segunda linha de metrô mais antiga do mundo fica na capital húngara, inaugurada em 1896. A linha amarela foi ampliada desde então e os trens originais, substituídos - há exemplares no Underground Railway Museum (bkv.hu). Já o design das estações continua praticamente o mesmo.

 

 

BATE-VOLTA    

 

 

Esztergom

A primeira capital da Hungria, fundada há um milênio, atrai 1 milhão de visitantes a cada ano - os húngaros são maioria. Localizada a 50 quilômetros de Budapeste, Esztergom é famosa pela basílica local, a maior igreja católica do país. A beleza natural da cidade, na margem esquerda do Danúbio, e seu castelo chamam a atenção de mochileiros e adeptos de slow travel. Mais: www.esztergom.hu/wps/portal/english.

 

Visegrád

O rei Matthias fez deste vilarejo de menos de 2 mil habitantes, ao norte de Budapeste, no limite do Império Romano nesta parte da Europa, o endereço de seu palácio de verão. Às margens do Danúbio sobrevivem ruínas de torres de vigilância. Mais: visegrad.hu/en.

 

Mais conteúdo sobre:
BudapesteHungriahistóriaViagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.