Felipe Mortara
Felipe Mortara

Judaísmo: os pontos mais importantes para a fé

Emoções à flor da pele no Muro das Lamentações

O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2017 | 04h30

Como se o Muro das Lamentações pudesse oferecer conselhos e ouvir suas lamúrias, judeus, ortodoxos ou não, encaixam suas cabeças entre as maiores fendas do mais icônico símbolo do judaísmo no mundo. Muitos rezam silenciosos, outros se mexem para frente e para trás, num movimento tradicional de oração. Mas o som das rezas em voz alta mistura cânticos e leituras que vão se confundindo num grande mantra transcendental. Principalmente se for um sábado pela manhã. Nem ouse tirar fotos no período do shabat, você será imediatamente repreendido. A fé e o respeito à Torá são palavras de ordem explícitas.

Visitar o Muro em qualquer outro dia é diferente, pois as fotos são permitidas e ficam bem melhores no período da tarde, quando o sol banha de amarelo as pedras-sabão. Descubra que o trecho exposto da famosa parede oeste do Templo do Monte – parte de uma construção erguida há mais de 2000 anos pelo Rei Herodes (37 a 4 a.C.) – é apenas uma parte dele. Para isso, explore o complexo de túneis que seguem por 488 metros – é bom reservar pelo site. Na mesma página é possível ver ao vivo o que acontece no chamado Western Wall neste exato momento – e escrever virtualmente os famosos bilhetinhos deixados entre as fendas do Muro. 

Na Praça Hurva, uma das poucas áreas de respiro no denso Bairro Judeu, fica a Sinagoga Ramban. Fundada no Monte Sião em meados de 1270 d.C. por Moses Ben Nahman, um rabino vindo da Espanha, foi transferida cerca de 130 anos depois para a área do centro antigo. Havia uma ausência de presença judaica por ali desde a diáspora, em 135 d.C.. O local era um dos poucos pontos de oração dos hebreus até fins do século 16, enquanto os otomanos controlaram Jerusalém. Passou séculos ocupado como uma oficina. A partir de 1967, quando o Estado de Israel tomou o controle da Cidade Velha, o prédio retomou sua vocação de sinagoga. 

Mesmo fora do centro antigo, dois lugares muito caros aos judeus merecem destaque. Na área de Givat Ram, o Museu de Israel  é essencial para compreender os porquês da importância da região, abrigando as principais descobertas arqueológicas e obras de arte de épocas distintas. Inaugurado em 1965, passou por reforma completa em 2010 e revela a força do judaísmo ao longo do tempo. Encontrados em Qumran, em 1947, por um beduíno que procurava um bode desaparecido, os Pergaminhos do Mar Morto são a maior preciosidade da religião judaica, escritos entre o século 3 a.C. e 68 d.C., e têm um moderno edifício arredondado arquitetado especialmente para eles dentro da área do museu. 

Igualmente marcante, mas por outro motivo, o Yad Vashem funciona como Memorial do Holocausto e narra de forma intensa e penetrante o extermínio de cerca de seis milhões de judeus pelos nazistas. Num corredor repleto de informações, depoimentos de sobreviventes e milhares de objetos, como sapatos, roupas e brinquedos traduzem a história recente dos judeus e os perigos da perseguição religiosa. Experiência impactante e dolorida, mas necessária. 

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