Fotos: Daniel Akstein Batista/AE
Fotos: Daniel Akstein Batista/AE

Kalahari de emoções

Já é fim de tarde quando o carro para de repente e o guia monta uma mesa, assim, no meio do nada. De uma maleta, saca bebidas e petiscos para o lanchinho no Kalahari, o deserto que corta o norte da África do Sul.

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2009 | 02h25

O piquenique pegou de surpresa os visitantes do Tswalu, uma reserva natural a uma hora de voo de Johannesburgo, antes dedicada à caça e hoje transformada em lodge de luxo. Naquele cair da tarde, era o que faltava para completar o primeiro dia de safári.

Andar com o dedo na câmera fotográfica é requisito básico no Kalahari. Quando menos se espera, um animal salta na sua frente. Lá, nós, homens, é que somos os bichos estranhos, invasores de um ambiente que há muito já tem dono.

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Quando as girafas são anunciadas no horizonte, o zoom da máquina parece insuficiente. "Podemos parar, descer, chegar mais perto?", pergunta um dos turistas. Marco Tonoli, o guia, filho de caçador, dá o sinal positivo. E lá vamos nós, lado a lado, em silêncio, atrás das gigantes. Sair do carro é praticamente impossível na maioria dos parques, mas, como estamos num grupo pequeno, o pedido é aceito. Marco segue o caminho atento e com o rifle armado, para qualquer eventualidade.

 

 

 

SAFÁRI - Câmera a postos para clicar leões, girafas, rinocerontes e veados

 

Se a aproximação das girafas já rendeu momentos de emoção, imagine, então, ver um guepardo a 3 metros de distância. Um dos animais mais velozes do mundo, o felino resolveu descansar bem na hora em que ficamos frente a frente. Ufa!

Estávamos a pé e, por mais que os guias digam que os bichos são acostumados com a presença humana, o medo é inevitável. Medo e apreensão que vão embora com a cena seguinte: o animal se espreguiça e anda lentamente, sob um sol que ameaça nos abandonar e só leva mais beleza ao quadro. Cores que não se veem todo dia.

É preciso fôlego para aguentar a rotina e o pique dos guias. O segundo dia de safári começa cedo e dura 14 horas. Deixamos o lodge com o objetivo fixo de achar pelo menos um dos big five - leão, rinoceronte, búfalo, elefante e leopardo. Por causa do clima árido, as três últimas espécies não habitam a região. Vamos, então, à caça dos leões.

Depois do café da manhã (mais uma vez) no meio do nada, o jipe percorre quilômetros e quilômetros, escala montanhas - do alto, a vista é impagável - e... eis que surgem, lá no horizonte, os lindos animais.

A mamãe leoa e seus filhotes brincam preguiçosos na sombra. De repente, o rei da selva surge entre o verde da grama, imponente com sua juba, indiferente àquelas duas máquinas sobre rodas. Agora, ninguém sugere descer do carro. Nem adiantaria: é proibido.

Uma hora para contemplar os dez leões é muito pouco. O cartão de 1Gb da câmera fotográfica está lotado. E o passeio ainda nem chegou à metade.

OUTROS ALVOS

O Tswalu é uma das reservas que protegem o rinoceronte negro, em extinção - são apenas 2 mil exemplares no mundo. Para procurá-los com o grupo, os guias redobraram a atenção. Qualquer barulho é sinal de alerta. Os rinos têm audição e olfato privilegiados e são imprevisíveis. Podem significar perigo.

Saímos em busca desses animais a pé. Avistamos dois, inclusive um filhote. Então perguntamos para que tanto cuidado ao se aproximar? Tão bonitinhos... Mas basta um deles levantar a cabeça para Marco recuar o grupo depressa. OK, já estávamos satisfeitos com nosso momento. Depois, do veículo, ainda conseguimos vê-los mais um pouquinho.

O dia seguinte tem passeio a cavalo para os mais empolgados. A maioria do grupo, já exausta, não aguenta e prefere dormir até mais tarde. A cavalgada é leve e não proporciona as mesmas cenas incríveis dos passeios anteriores.

Mas quem disse que não vale a pena? No frio gelado que corta a pele logo cedo, ver as gazelas, o porco do mato, a zebra e tantos outros animais que parecem ter saído de desenhos como O Rei Leão ou Mogli é motivo de satisfação. Por alguns dias, brincamos de aventureiros no meio da selva - ou do deserto, assim chamado Kalahari.

linkTswalu: www.tswalu.com

Viagem feita a convite da South African Tourism, da South African Airways e do Tswalu

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