Katmandu merece um olhar atento

Após pisar na capital do Nepal, Katmandu, o visitante não sai ileso. O primeiro passeio por suas ruas atordoa. Primeiro, o barulho do trânsito. Os motoristas se orientam pelo som, muito mais do que pela visão. É comum os carros transitarem pelo meio das ruas e trazerem escrito no pára-choque traseiro a frase "buzine, por favor".Com seus 700 mil habitantes, a cidade é um formigueiro frenético. As casas são simples e quase sempre têm mais de um andar, mas não há prédios altos. Várias gerações de uma família convivem na mesma residência, e andares novos são erguidos para os recém-chegados. Os filhos permanecem na casa dos pais - e trazem as mulheres para morar junto. O bairro turístico de Katmandu, Thamel, tem de tudo. É um verdadeiro mercado a céu aberto. Colchas coloridas e com espelhos são estendidas nas portas das minúsculas lojas ao lado de badulaques, roupas para caminhadas e escaladas, moda hippie, CDs piratas muito baratos, lembranças religiosas, adornos, livros, postais, equipamentos fotográficos. Tudo deve ser negociado. No Thamel também há restaurantes de todos os tipos, desde indianos até pizzarias. Katmandu oferece hospedagem para todos os gostos e bolsos. Para ir e vir, pode-se usar táxis, os riquixás (transportes para dois passageiros puxados por uma bicicleta) e os tuk-tuks (também para duas pessoas, mas sobre uma espécie de moto). As corridas são baratas e, também, devem necessariamente ser negociadas. Nas ruas de Katmandu, onde pedestres e carros se misturam, há uma infinidade de templos budistas e hindus. Alguns dos mais belos da religião hindu estão na Durbar Square ou Praça Real. O complexo oferece uma variedade de construções antigas, inclusive palácios onde moraram reis e suas famílias. O clã atual se transferiu para um enorme quarteirão perto do Thamel, cheio de árvores apinhadas de morcegos. Na praça também mora a Kumari, uma deusa viva e menina. Escolhida aos quatro anos, ela vive reclusa e rodeada de guardiães. Na adolescência, volta a ser uma pessoa "normal" e dá lugar a uma nova Kumari. A religião torna indispensáveis as visitas aos templos budistas, conhecidos como estupas. Uma delas, a Boudanath, já é quase um cartão-postal do Nepal, com seus expressivos "olhos de Buda" desenhados no topo. Ao seu redor, bandeiras coloridas espalham orações, ou mantras, aos ventos. No rio sagrado, o Bagmati, são lançadas as cinzas dos mortos após a cremação. Nas redondezas de Pashupatinah, o local da cremação, as cores retornam nas flores vendidas, nos corantes, nas moedas de troca para serem ofertadas aos pobres que perambulam pela região.

Agencia Estado,

01 de setembro de 2004 | 13h49

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