Ricardo Freire/AE
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Kenoa: Nordeste cool

Sem muito alarde, em meados de dezembro abriu o mais novo hotel de luxo do Nordeste: o Kenoa Resort. Fica na Barra de São Miguel, trinta quilômetros ao sul de Maceió - mas é tão estiloso que poderia muito bem estar em José Ignacio, o enclave eco-rústico-chique de Punta del Este. Pensando melhor, não poderia, não: basta olhar para o mar azul-esverdeado para ter certeza de que você está em Alagoas.

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2010 | 00h50

Quase urbano

A localização é um achado. O Kenoa fica na ponta norte da Barra de São Miguel, no último lote em que é possível construir. À sua esquerda começa uma área de preservação ambiental que se estende por dez quilômetros até a Praia do Francês. Neste trecho o mar não é protegido por recifes; correntes pouco amigáveis tratam de afastar as multidões, que se concentram no canto oposto da praia. Só dão as caras por ali os que estão caminhando pela areia - e apenas enquanto a maré está baixa.

Por estar em zona urbana - a Barra de São Miguel é o endereço tradicional das mansões de veraneio dos bacanas de Maceió -, o Kenoa aproveita a permissividade do antigo plano diretor local para fazer algo que hoje em dia seria impossível (e inaceitável) em praias desertas: seus bangalôs e piscinas estão debruçados na areia. Não me vem à cabeça nenhuma piscina de hotel no Brasil com borda infinita tão perfeita quanto as das piscinas do Kenoa. Um revestimento de pedra trazido de Bali mimetiza de maneira camaleônica o tom de verde ou azul que estiver em cartaz no mar a qualquer momento.

Ecodesign

Posição das piscinas à parte, o hotel segue à risca a cartilha da sustentabilidade. O projeto, desenvolvido pelo arquiteto alagoano Osvaldo Tenório a partir das ideias do jovem dono, o português Pedro Marques, transforma boas práticas de conservação de energia e insumos em soluções ousadas de design e ambientação. As paredes são de argamassa crua ou pedra - para não precisar de tinta. Todas as madeiras usadas são certificadas ou de demolição; há muitos dormentes de trilhos de trem fazendo as vezes de vigas.

As raras peças de ferro usadas já são preenferrujadas. Os guardanapos e toalhas de linho não são passados a ferro - mas postos à mesa charmosamente amarfanhados. A água das piscinas dos bangalôs é marinha. Não se usa plástico em lugar nenhum, nem embalagens individuais de papel (o adoçante vem à mesa num lindo conta-gotas usado em laboratórios de química). Peças rústicas de vários continentes - muita coisa vinda da África - misturam-se pelos ambientes, sem que você consiga identificar a origem (poderiam muito bem ser daqui).

Tudo isso seria muito aborrecido - caso não resultasse tão bonito. O fato é que a história que existe por trás de cada peça do mobiliário ou técnica de construção apenas torna mais interessante aquilo que, à primeira vista, já era de impressionar.

Pé na água

A fileira do gargarejo tem treze bangalôs, todos com piscina particular e saída independente para a praia (você ganha uma chave na entrada). Doze deles têm entre 60 e 80 metros quadrados; são estreitos e compridos, divididos em volumes - o banheiro nos fundos, o quarto de dormir, a sala e o deque. Altos muros laterais tornam as piscinas realmente privativas, e o aquecimento da água faz com que elas sejam úteis também à noite. Para quem quer uma frente de praia mais larga há a Villa Kenoa, uma suíte dupla, de 120 metros quadrados.

Uma segunda ala, prestes a ser inaugurada, tem apartamentos mais simples, de 48 metros quadrados, com ofurô na varanda e vista lateral para a reserva ambiental e a praia. Outra boa solução da arquitetura: à diferença do que acontece em hotéis como o Nannai de Porto de Galinhas e a Pousada Maravilha de Noronha, os ocupantes dos apartamentos mais simples do Kenoa não são torturados com a vista para os bangalôs mais luxuosos.

Cataplanas nordestinas

O restaurante e o spa são abertos ao público - uma oportunidade para quem quer conhecer o hotel antes de investir numa estada.

O restaurante tem cardápio (e supervisão) de César Santos, da Oficina do Sabor de Olinda. Coube-lhe o desafio de fazer cozinha nordestina na cataplana, a panela ovalada portuguesa feita de cobre (experimente a de frutos do mar com leite de coco). Sua versão para o arroz de pato é guarnecida por chips de bacon. Entre as sobremesas há uma levíssima mousse de coco servida na água de coco. O serviço ainda está um pouco verde, mas a equipe é jovem e cativante.

Quanto custa

O Kenoa chega posicionado no mesmo nicho de Ponta dos Ganchos, Txai, Pousada Maravilha, Nannai e Kiaroa. A diária para casal do bangalô com piscina mais em conta sai por R$ 1.550, com café da manhã (ou R$ 1.240 na baixa temporada). Os apartamentos com ofurô custam R$ 1.040 (R$ 830 na baixa). Fora de feriadões não há limite mínimo de noites (kenoaresort.com).

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