Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Koya-san

A cidade sagrada do budismo

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2017 | 04h30

Fazia frio quando chegamos a Koya-san, cidade sagrada para o budismo, em meio às montanhas da província de Nara. No ano de 816, Kobo Daishi (Kukai) recebeu permissão para criar na cidade, 900 metros acima do nível do mar, um complexo de templos budistas. Foi ali que ele formou uma legião de monges até o ano 835 quando, segundo conta-se, entrou em “meditação eterna”. Hoje, descansa no cemitério Oku-no-in para, segundo a lenda, acordar quando Buda chegar. 

São cerca de 130 templos – o principal deles é Kongobu-ji, erguido originalmente em 1593 e remodelado no século 19. Os visitantes deixam os sapatos na entrada e colocam uma espécie de pantufa para pisar no delicado piso de madeira, que leva por salões adornados com pinturas feitas no século 16 por Kano Tanyu. O ingresso custa 500 ienes (US$ 5), mas há um passe de 2 mil ienes (US$ 20) que dá direito a entrar em outras atrações da cidade.

Caminhando por ali, nos deparamos com vários grupos de jovens monges de diversas partes do mundo – conversei com australianos e tailandeses –, curiosos para saber de onde éramos e o que fazíamos ali. Foi assim que eu soube que nossa visita coincidiu com a de ninguém menos que Dalai Lama, que daria uma palestra ali naquele mesmo dia. Não encontrei o líder religioso, mas só de saber que estava no mesmo lugar que ele fiquei feliz. 

Uma experiência indispensável em Koya-san é se hospedar nos ryokans (pousadas tradicionais que oferecem tatames com futons em vez de camas) dentro de um dos templos. Há cerca de 50 ali, mas nem todos aceitam estrangeiros. Ficamos no Fukuchiin (a partir de R$ 600 para dois), com monges simpáticos que até arranham o inglês. 

O sapato fica do lado de fora durante sua estada. Há dois chinelos, um para as áreas comuns e outro só para o banheiro. Usa-se o yukata, espécie de quimono mais simples, para o dia a dia, em todos os lugares (como estava frio, mantive a roupa por baixo). O jantar, farto, é vegetariano e suficiente. Já o café da manhã tradicional, com sopa, arroz e bolinhos de textura estranha foi mais desafiador para o paladar ocidental.

O Fukushiin é um dos poucos com banhos termais acessíveis 24 horas por dia. Nesses lugares tradicionais na cultura japonesa não se usa roupa de banho – homens e mulheres ficam em locais separados, e há todo um ritual de banhar-se numa área comum, sentado em banquinhos com chuveirinhos e bacias individuais, antes de entrar nas piscinas.

Tatuagens não são bem vistas nesses banhos – recomenda-se cobri-las (durante muito tempo, eram associadas à máfia). No ryokan, havia duas piscinas, uma interna, tão quente que não consegui nem colocar o pé, e outra externa, de temperatura agradável na noite fria, de onde podíamos observar a linda lua que nos iluminava naquele ambiente relaxante.

NÃO PERCA EM OSAKA

Osaka está a cerca de 1h30 de Koyasan. Nosso tempo na metrópole era curto, mas a cidade merece ser explorada com mais calma. De lá, é possível seguir de trem para Kyoto (cerca de 30 minutos), Tóquio (até quatro horas) ou à histórica Nara (de 30 minutos a 1 hora). 

1. Osaka-jo

Construído em 1583, o castelo é fundamental para entender a história do Japão. Osaka-jo foi destruído duas vezes – a versão atual é de 1931, e cada andar é um minimuseu, com objetos, roupas, mapas e armaduras de época. A fila para ir no pequeno elevador é grande e demorada – vale a pena enfrentar as escadas até o observatório, no 8º andar. Fica em um lindo parque, tomado por cerejeiras. Entrada 600 ienes (US$ 6).

2. Harukas 300

Com 300 metros de altura, o prédio mais alto do Japão se ergue no centro de Osaka. Compre o ingresso com antecedência, pelo site (1.400 ienes ou US$ 14) para evitar filas. O observatório ocupa três andares, incluindo um jardim ao ar livre, protegido do vento, com mesinhas e um café. 

3. Dotonbori

Depois do Castelo, esse é o lugar que você não pode deixar de ir em Osaka. Um delicioso caos de lojas de bolsas, roupas, perfumes, eletrônicos, lembrancinhas, penduricalhos, comidinhas e personagens, temperado com telões imensos e barulhentos, apresentações artísticas, camelôs. As margens do Rio Dotonbori convidam a uma caminhada (há mais lojinhas e restaurantes ali) ou a um passeio de barco. 

 

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