Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Labirinto de arranha-céus instiga tour de compras

Eles gostam de pensar em si mesmos como habitantes da Nova Inglaterra, mas o caso é que são mesmo americanos. E, como bons americanos, têm especial gosto pelo consumo e afiada habilidade de fazer consumir. Em Boston, gosto e habilidade ganham ares monumentais no coração de Back Bay. O complexo de arranha-céus interligados via passarelas de vidro que atravessam avenidas é, na prática, um gigantesco centro de lazer, hospedagem e compras em que quase tudo vira corredor de shopping.

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2013 | 02h16

O epicentro da coisa toda é a Prudential Tower, onde fica o mirante Skywalk Observatory (prudentialcenter.com), no 50.º andar. Os US$ 15 do ingresso dão direito a ver Boston do alto em 360 graus - o Charles River de um lado, o Oceano Atlântico de outro.

Os andares mais baixos têm lojas. E aqui não consigo dizer se a melhor escalação está no Prudential, nos vizinhos Center Plaza 2 e 3, no Copley Place ali adiante… Em algum momento entre tantos corredores e passarelas, perdi a noção de quem era quem. Mas uma coisa é certa: a Newbury Street, duas quadras ao norte desse castelo de concreto, é o exato oposto disso tudo. Luxo ali é caminhar pelas calçadas entre os sobrados vitorianos que acomodam vitrines pequenas e restaurantes de poucas mesas. Na tarde quente, voltei ao hotel para colocar vestido e havaianas. Pelo jeito, as asiáticas tiveram a mesma ideia. Meu figurino era uma espécie de uniforme das turistas na região.

Comecei pela loja da Apple, bem parecida com a da nova-iorquina 5.ª Avenida. Aliás, a Apple fica na paralela Boylston, que também merece atenção no trecho que se estende pelas mesmas oito quadras de extensão da Newbury. Juntas, as duas vias garantem doses equilibradas de grifes internacionais, design local e fast fashion. E há galerias de arte e cafés suficientes para quando for preciso descansar.

De raiz. Nos arredores do Faneuil Hall, o clima lânguido que embala turistas pelas ruas de Back Bay dá lugar a som e movimento em frequências aceleradas. Ali, galpões coloniais ficaram abandonados por anos. Restaurados, viraram mercados.

Cheguei ao Faneuil Hall Marketplace (faneuilhallmarketplace.com) no momento em que uma trupe de garotos executava um espetáculo de dança de rua na praça em frente ao primeiro dos prédios, o próprio Faneuil Hall. Nos festivais de temporadas, ali são montados palcos para shows, digamos, mais formais.

Depois vem o Quincy Market, cujo interior abriga restaurantes que oferecem de pizza a comida árabe, de yakissobas a curries. Curioso é observar que todos os estandes que vendem New England clam chowder destacam algum prêmio no currículo. Foi a maior concentração de sopa local premiada que vi em Boston.

Nas laterais ficam o North Market e o South Market. Neles vale abrir a carteira. As lojas têm produtos bem acabados e criativos. Às lagostas gigantes de pelúcia só é possível resistir se você se perguntar onde vai colocar tal trambolho no voo de volta. A Newbury Comics (newburycomics.com) tem um belo acervo de camisetas com frases engraçadinhas, adesivos e livros idem.

Caí de amores ainda pela A Hat For Every Head, de chapéus, e pela Pajama Party, de meias e roupas para dormir estampadas com pinguins, gatos e toda sorte de fofuras descoladas. Estou arrependida de não ter saído dali vestindo pijama e chapéu novos. Ninguém estranharia. Decididamente, Faneuil Hall Marketplace é o lugar para isso. / MÔNICA NOBREGA

Bom humor e juventude marcam passeio pelas alamedas de Harvard

Arrebatadora como são as paixões na juventude, a de Brett Roche por uma moça nascida na Rússia teve um resultado que deve ter deixado os pais dele felizes: Brett, de 20 anos, foi fazer graduação em russo. Não em qualquer lugar, mas em Harvard.

Se bater pernas pela universidade mais famosa do planeta soa entediante, saiba que Boston tem uma vida universitária significativa. São cerca de 50 instituições na região metropolitana e um quarto da população com até 25 anos. O Massachusetts Institute of Technology, MIT, fica lá também. Há um clima no ar, e circular por Harvard ajuda a entender qual é ele.

No papel de guias, Brett (foto) e seus colegas conduzem grupos pelas alamedas da universidade mais famosa do planeta. Em comum, têm a disposição para serem engraçados. Deve ser pré-requisito.

Se for, faz sentido. O melhor patrimônio por lá são as histórias, aquilo que não se vê. Sem um guia por perto dificilmente se descobre que o escultor Daniel Chester French (1850- 1931), o mesmo que fez a estátua de Abraham Lincoln em Washington, ali criou um John Harvard, fundador da universidade em 1636, de rosto qualquer, por falta de retratos que dessem conta de sua feição real.

Chama-se The Hahvahd Tour e custa US$ 10 por pessoa o passeio idealizado pela Trademark Tours (trademarktours.com), uma agência criada por ex-alunos. Trocar erres por agás é uma forma de brincar com sotaque da… Nova Inglaterra. A pronúncia é rá-vád, e não rár-várd.

A visita explora o Yard, quarteirão principal, passa pela biblioteca, segunda maior dos EUA, com 80 quilômetros de estantes em nove andares (cinco subterrâneos), e chega à Courtment House, república de estudantes onde Mark Zuckerberg criou o Facebook. E para não deixar dúvidas de que os alunos de Harvard são especiais, Brett conta como convenceu seu entrevistador de que merecia a vaga: fez cupcakes para ele. / M.N.

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