Lagos que se descortinam na travessia pelo país

Parece não existir casamento mais feliz entre trens e paisagens que na Suíça. Os janelões amplos de vidro nas 46 linhas que cruzam o país são os melhores propagandistas da beleza local, que se oferece majestosa de curva em curva, numa sucessão de bosques, vales, clareiras, E lagos, que se contam às centenas. Dá vontade de parar a cada estação - e o verão é o momento certo para isso.

OLÍVIA FRAGA / INTERLAKEN, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h18

Ok, não é viagem das mais econômicas. Um bilhete de trem para um percurso de 2 horas costuma ultrapassar os R$ 100 (www.raileurope.com ou www.sbb.ch). O Swiss Pass mais em conta, para 4 dias, custa R$ 600. Mas, com tantos encantos, curtas distâncias e facilidade para se deslocar, permita-se ser um pouco perdulário. Os trilhos são o caminho certo do viajante na Suíça.

Partindo de Interlaken, que fica no cantão bernês (cuja capital é Berna), chega-se em meia hora a Zurique, o centro nervoso do país, que tem seu lago comprido onde se pode nadar no verão - a temperatura da água alcança 20 graus. Zurique é parada obrigatória para quem chega de avião e quer voltar carregado de sacolas.

A oeste, junto à fronteira francesa, o Lago Léman (ou Genebra) é obrigatório: porta de entrada para a própria Genebra (a 2h50 de trem desde Interlaken) e Montreux (3 horas). Lausanne está ali ao lado, no Vale do Jura. Seu lago congela no inverno e se transforma na maior pista de patinação da Europa. No verão, a paisagem é outra: grama, pedrinhas e águas aquecidas a 24 graus fazem emergir uma praia exclusiva e charmosa.

Destino de quem tem pique aventureiro é Lucerna, a duas horas de trem de Interlaken. A estação se debruça sobre as águas do Lago Vierwaldstätter, e está ao lado do Centro de Convenções KKL, reformado pelo arquiteto Jean Nouvel, que abriga os concorridos festivais de música da cidade. Mas a grande novidade na cidade é o teleférico CabriO (stanserhorn.ch), inaugurado na montanha Stanserhorn no ano passado com dois andares: o de cima é aberto, o primeiro do mundo. Custa 68 francos suíços (R$ 168) a viagem de ida e volta, com cerca de 6 minutos de duração cada trecho.

Lucerna é ainda ponto de partida para passeios no Monte Pilatus (www.pilatus.ch), acessado por gôndolas panorâmicas e pela linha de trem mais vertiginosa do mundo, operante entre maio e outubro (e quando não neva no inverno). A estrada de ferro parte de Alpnachstad, às margens do lago, e sobe quase 5 quilômetros. Custa desde 76 francos suíços (ou R$ 188).

Os trens que vão para o sul levam a destinos cálidos, casas de pedra caiadas de branco e gente de língua familiar. A caminho da Itália, lagos e cidades pitorescas, como Locarno (recentemente, o Castelo dos Visconti foi dado como obra de Leonardo da Vinci), Ascona, Orselina, todas rendidas pelo charme do lago Maggiore. Antes de chegar ao Lago de Como, uma parada para ver os vinhedos, castelos e muros de Bellinzona pode te convencer a esticar as férias.

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