Marina Pauliquevis/Estadão
Marina Pauliquevis/Estadão

Lagunas altiplânicas

Flamingos, lhamas e burros surgem no caminho para as lagoas Miscanti e Miñiques

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2016 | 04h18

Com mais tempo para levantar e tomar o café da manhã, saímos por volta das 9 horas para conhecer as Lagunas Miscanti e Miñiques, a 126 quilômetros de San Pedro de Atacama. No caminho, uma rápida parada nos povoados de Toconao e Socaire para conhecer as igrejinhas erguidas no século 18 e ver um pouco de artesanato. Artesãs mais antigas ainda usam os espinhos do cactos gigantes como agulhas para tricotar. 

Perto da estrada, grupos de burros pastam na escassa vegetação rasteira. Animais que antes eram usados para transportar carga em minas de cobre foram abandonados no deserto nos anos 80, substituídos por veículos, e se reproduziram. Hoje, vivem soltos e sem dono.

Ao longe, vemos a entrada do projeto astronômico Alma, mas as mais de 60 antenas do observatórios estão instaladas a 5 mil metros de altitude. Quando descemos em Socaire, a 3.200 metros do nível do mar, percebemos a mudança no clima – está mais frio e o céu, que em San Pedro estava totalmente limpo, aqui já tem nuvens. Os terraços de cultivo, método de plantação em níveis desenvolvido por povos andinos, ainda são usadas na plantação de batata, feijão e alfafa. Assim como o sistema inca de canalização dos rios.

Quando atingimos 4 mil metros de altitude, a vegetação muda e surge uma gramínea amarelada e espaçada, a paja-brava. A altitude pode causar desconforto, como dor de cabeça, enjoo e falta de ar. Tomar muita água alivia os sintomas. Deixar para fazer os passeios de maior altitude nos últimos dias de viagem, quando o corpo estiver mais aclimatado, também ajuda.

As lagoas ficam ao pé dos vulcões Miscanti e Miñiques e refletem o azul do céu – foto boa garantida e sem filtro. O passeio é feito por caminhos demarcados com pedra e não é permitido chegar perto da água. Pequenas aves, gaivotas e vicunhas, uma parente das lhamas, estão por ali. No inverno, o frio é intenso e a visitação é suspensa. Em outubro, um casaco corta-vento foi suficiente para proteger da temperatura mais baixa.

A partir de janeiro de 2017, quem busca isolamento vai poder se hospedar em uma casinha à beira da Miscanti, por 20 mil pesos por noite (R$ 100). O lugar é administrado por uma comunidade local e a entrada custa 3 mil pesos (R$ 15). Há banheiros simples, mas limpos. 

No fim do passeio, os hotéis que organizam a visita montam uma mesa para refeição ali mesmo, com direito a vinho chileno. Agências podem incluir na mesma saída o Salar de Atacama e outra lagoa, a Piedras Rojas, em um passeio que dura o dia todo.

Entre flamingos. No Parque Nacional dos Flamingos, o Salar do Atacama é apenas uma parte de um grande salar com 3 mil quilômetros quadrados, localizado a 2.300 metros metros de altitude. Ali vive uma colônia de flamingos que não deixam o local nem mesmo no inverno, quando essas aves costumam migrar. Na Lagoa Chaxa eles convivem com pequenas aves e gaivotas. A água ali é rica em artêmias, crustáceos que são o alimento preferido dos flamingos – e os abastecem com o corante natural que dá a cor rosada às suas penas.

Mais conteúdo sobre:
Chile

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.