Marco Antonio Carvalho/Estadão
Marco Antonio Carvalho/Estadão

Lausanne: às margens do Lago Léman

Com aspectos medievais, cidade tem vinícolas, museus e programação noturna

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2017 | 04h30

Voltemos a falar de lagos. Desta vez, trata-se do maior da Europa ocidental: o Léman, com seus 580 quilômetros quadrados, se estendendo de Montreux, a cidade do famoso festival de jazz, a Genebra, no sudoeste do país. Entre essas duas cidades, fica Lausanne, com seus cerca de 130 mil habitantes distribuídos pelo relevo acidentado que faz os bairros serem repletos de ladeiras. 

O local guarda muito das características do reduto medieval que foi há alguns séculos. Se o imenso lago hoje é dádiva, antes representava vulnerabilidade pela facilidade com que inimigos podiam chegar ao local e tentar tomar o seu controle. Eles vinham principalmente do lado francês, aonde hoje é possível chegar em uma viagem de cerca de 35 minutos de barco – Évian-les-Bains, a cidade da famosa marca de água mineral, está do outro lado da margem, assim como os imponentes alpes. 

Em tempos de paz, os franceses continuam vindo, mas agora por conta da destacada vida noturna com bares e baladas.

Queijos e vinhos. Chegar a Lausanne de trem é de encher os olhos – partindo de Zurique, a viagem dura 2h30 e a passagem pode ser comprada na estação local por cerca de 80 francos (R$ 257). A paisagem na aproximação da cidade mostra as extensas vinícolas inclinadas no terreno às margens do Lago Léman. 

Descobriria no dia seguinte à minha chegada que a prefeitura local é dona de parte das vinícolas e ainda que vende uma porcentagem da sua colheita, aproveita a outra para produzir um vinho público, com a marca Vins de Lausanne. De tinto a branco, de suave a seco, ele pode ser encontrado à venda em lojas da cidade, a maioria por cerca de 15 francos (R$ 48). Às quartas e aos sábados, procure pela banquinha de degustação do vinho nas imediações da Place de la Palud. Pode acabar não sendo uma tarefa fácil, porque a área fica tomada por um extenso mercado de rua, mas não custa buscar a informação para o local exato.

Para conhecer mais de perto a plantação e o processo de produção, a dica é pegar um barco no porto de Ouchy e, numa viagem de menos de 20 minutos, a 15 francos (R$ 48), chegar a Lutry, um distrito vizinho. Parte dali o simpático Lavaux Express, um trenzinho amarelo que, em velocidade baixa, percorre as vinícolas, com uma parada para degustação. O passeio de 45 minutos custa 15 francos (R$ 48).

Depois de provar os vinhos, siga para uma refeição no Café du Grütli (cafedugruetli.ch), na Rue de la Mercerie, 4, próximo à praça da feira. Oportunidade para mergulhar na tradicional fondue de queijos gruyère e vacherin, típicos da região – a porção com pães, presunto e batata sai por 27 francos (R$ 87).

Museu olímpico. Lausanne é desde 1915 sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), o que faz com que se intitule a capital olímpica, mesmo nunca tendo sediado uma edição da competição. Há dois anos, foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude em 2020. A ligação do local com o COI remete ao barão Pierre de Coubertin, francês fundador da Olimpíada na era moderna e sua predileção por Lausanne – ele faleceu em 1937 e seu túmulo está na cidade suíça. 

Para celebrar a memória dos Jogos, existe desde 1993 um bonito e recém-reformado museu, com entrada a 18 francos (R$ 58) para adultos e 10 francos (R$ 32), para crianças e adolescentes até 16 anos (Quai d’Ouchy, número 1). A exposição permanente conta 1,5 mil objetos de atletas que disputaram os jogos em diferentes décadas, com destaque às peças usadas por Michael Phelps e Usain Bolt.

As 5 mil fotografias e sete horas de vídeos estão espalhadas em 150 dispositivos, muitos deles interativos, em três andares. Em 2016, o local recebeu 300 mil visitantes, sendo dois terços estrangeiros. Mais: olympic.org/museum.

Quarteirão do agito. Quem procura agito, certamente encontrará no Quartier Du Flon, área de 55 quilômetros quadrados, com cerca de 60 lojas e 30 bares e restaurantes em área montada para a circulação de pedestres. Na cidade, pegue o metrô e acesse o quarteirão próximo à estação Lausanne-Flon. No hotel, peça pelo cartão de transporte para se mover gratuitamente usando ônibus, trem e metrô por até 15 dias. Com cinema, balada, galeria de arte, boliche, não faltam opções para passar a noite.

 

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