Litoral Norte

Atrações grudadas com a capital

Nathalia Molina/ESPECIAL PARA O ESTADO,

30 Janeiro 2012 | 22h01

A atração mais famosa de João Pessoa não fica em João Pessoa. As recomendações de quem volta da capital paraibana invariavelmente incluem no topo da lista "você tem de ir ao Jacaré". Tem mesmo. O tal Jacaré é uma praia de rio na cidade de Cabedelo, ao norte de João Pessoa, onde o sol se põe com trilha sonora. O fenômeno natural, já bonito, fica mais interessante com Bolero, de Ravel, executado por Jurandy do Sax. O músico toca em pé num barquinho em contraluz.

Para ver o espetáculo, é preciso seguir no litoral rumo ao norte. Cabedelo está coladinha a João Pessoa, distante 18 quilômetros apenas. Daí a confusão com a localização de pontos turísticos das duas. Resultado da conurbação, nome esquisito dado pela geografia para explicar o que ocorre quando as cidades crescem tanto que acabam virando uma única massa urbana.

Recomenda-se chegar no meio da tarde, no máximo às 16h30, pois o pôr do sol não passa das 17 horas. O sax é ouvido nas caixas de som à beira do estuário do Rio Paraíba, portanto, dá para assistir a tudo sem ter de se sentar nos bares enfileirados na praia. Ou decidir ficar por lá por algumas horas e aproveitar a música para embalar uma matinê, com bebida e tira-gosto. No caminho até o carro estacionado, sobram pretextos para um desvio estratégico às lojinhas de artesanato.

A vantagem de estar motorizado é combinar o pôr do sol do Jacaré com outros passeios em Cabedelo. O programa pode vir depois de uma visita à Fortaleza de Santa Catarina, construída no século 16 como proteção contra as invasões holandesas no Nordeste, ou de uma prainha no pedaço formado pela trinca Intermares, Poço e Camboinha.

De Camboinha partem barcos para o passeio da Ilha da Areia Vermelha. É só parar o carro e contratar a travessia, que leva no máximo 5 minutos e sai a R$ 10 por pessoa. Junto com as piscinas naturais do Picãozinho e o pôr do sol do Jacaré, esse é um dos principais passeios oferecidos em João Pessoa. Fazer os três de carro dá mais liberdade para decidir horários, montar a programação e esticar num restaurante ou mercado de artesanato. Preocupação? Só com a tábua das marés - consulte em www.mar.mil.br/dhn/chm/tabuas/index.htm. A Ilha da Areia Vermelha, assim como as piscinas do Picãozinho, só aparece na maré baixa e durante 20 dias por mês. Vá na lua cheia ou nova, quando a água atinge o nível mais baixo e fica mais cristalina.

O passeio à Ilha da Areia Vermelha inclui avistar peixinhos, como em qualquer piscina natural do Nordeste. O clima, porém, é diferente. Você não vai até lá apenas para explorar os cantos em que a água fica represada. A graça também está no fato de o lugar ser uma prainha no meio do mar, a um quilômetro da costa. Conforme o nome já diz, lá tem areia de fato, num banco que pode se estender por até três quilômetros e que fica descoberto em torno de 4 horas por dia. Gostoso demais fincar a cadeira na beira d’água e acompanhar a subida da maré. O mar estava na altura das canelas e agora está batendo na cintura? Hora de mover a cadeira em direção ao banco de areia, cada vez menor, até desaparecer. E, se der fome, não se preocupe: cerveja, refrigerante e petiscos estão à venda.

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