Litoral norte da Bahia: a Costa do All-Inclusive

Tudo começou em 2000, com a chegada do SuperClubs Breezes, que compunha a formação original do complexo da Costa do Sauipe. De origem jamaicana, o resort trouxe para o Brasil o sistema mais comum de hospedagem no Caribe e nos arquipélagos espanhóis das Canárias e Baleares: o all-inclusive. De repente, tudo aquilo que se consumia entre o café e o jantar - a tradicional meia-pensão - agora estava incluído no preço inicial. Não apenas incluído, como incluído de maneira generosa, com caipiroskas desde as 10 horas, uísque 12 anos, espumante, camarãozinho aperitivo. Máquinas de Coca-Cola e água de coco ao alcance das crianças, o dia inteiro. Bufê de sorvete completo no almoço e no jantar!

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br,

19 Outubro 2010 | 08h00

 

Grand Palladium. Principal novidade deste verão, chega para disputar segmento top na Bahia. Fotos: Ricardo Freire/AE 

 

No início, o sistema não teve concorrentes (a não ser a rede italiana Ventaclub, que administrava resorts modestos, próximos a Porto de Galinhas e Maceió, mas não era voltada para brasileiros). Até que, em 2006, desembarcou perto da Praia do Forte um dos gigantes espanhóis do universo do tudo-incluído: o Iberostar. Praticando preços bem camaradas no primeiro ano e oferecendo também entretenimento noturno de qualidade, o Iberostar ajudou a conquistar mais adeptos para a hospedagem sem conta na saída. Ao mesmo tempo começaram a bombar os cruzeiros pela costa brasileira, verdadeiros resorts itinerantes, em que no mínimo toda a comida estava incluída.

 

Pouco a pouco, a maioria dos resorts de localização isolada (que não estão colados a um vilarejo ou dentro dos limites de uma cidade grande) acabou se convertendo ao esquema. E em nenhum lugar do Brasil o fenômeno é tão presente quanto no litoral norte baiano. Por ali há nada menos do que nove resorts all-inclusive, instalados em cinco endereços diferentes. A novidade é o Grand Palladium Imbassaí, que abriu no começo do mês.

 

Vila Galé. Entre os destaques, piscina com 3 mil metros quadrados

 

Depois de escolher seu resort, vale a pena conferir preços em várias fontes, simulando pacotes com aéreo e também diárias avulsas. Procure nas grandes operadoras, nas agências online, nos sites dos hotéis e em operadoras especializadas litoralverde.com.br e resortsonline.com.br.

 

Sauípe Resorts. A 75 quilômetros do aeroporto de Salvador, a Costa do Sauípe é um condomínio de cinco resorts e cinco pousadas. No meio do ano passou por uma reformulação total, renomeou seus resorts e transformou três deles em all-inclusive. O Sauípe Class (antigo Marriott) tem quartos grandes e decoração clássica. O Sauípe Fun (ex-Renaissance) tem decoração semelhante em quartos um pouco menores, e uma ênfase especial nas atividades de piscina. O Sauípe Park (originalmente Sofitel Conventions) tem quartos modernos e faz do mangue e da lagoa que já existiam por lá o seu jardim.

 

Hóspedes dos três hotéis podem frequentar as demais piscinas (e os respectivos bares). Os hóspedes das pousadas podem comprar passes diários para qualquer um dos três hotéis, por R$ 40, com direito a almoço, petiscos e bebidas. Os bufês não são exagerados, mas a estrutura do complexo é excelente: o centro náutico fica numa bonita lagoa, o kid’s club funciona numa vilinha perto do mar (e oferece várias atividades educativas), há uma fazendinha no centro equestre e os hóspedes podem tentar uma aula grátis de golfe.

 

À noite dá para fazer o footing na Vila Nova da Praia, vilarejo cenográfico com restaurantes, bares, artesãos e música no coreto (mais tarde sempre há um show no teatro). É possível trocar o jantar nos hotéis por vouchers nos restaurantes da vila (há um japonês, um italiano, um baiano e um mexicano). A cerveja é Skol, os refrigerantes são Pepsi e Antarctica, a vodca é Skyy e os uísques, Cutty Sark e J&B (costadosauipe.com.br).

 

Breezes Costa do Sauípe. Está de saída do complexo: opera apenas até 31 de dezembro (depois disso, o hotel será administrado pela Sauípe S/A, com nome e perfil ainda não divulgados). Tem bufês mais fartos do que os vizinhos de complexo e atividades animadas. É o único hotel de Sauipe que oferece aulas de trapézio. Para ter acesso à estrutura de Sauípe, no entanto, é preciso comprar um day pass pelo preço cheio: R$ 80. O chope é Brahma, os refrigerantes são Pepsi e Antarctica, a vodca é Smirnoff e entre os uísques há Red Label, Logan e Chivas. A bandeira vai sair de Sauípe, mas não do Brasil: desde o fim de maio opera um resort all-inclusive em Búzios (breezes.com).

 

Grand Palladium Imbassaí. A pouco menos de 2 quilômetros ao norte da vila de Imbassaí (67 km do aeroporto de Salvador), no condomínio Reserva Imbassahy, o Palladium é a grande novidade do verão da Bahia. A rede espanhola chega para disputar o segmento top. Suas armas: apartamentos luxuosos (todos são suítes júnior, com saletas integradas e TVs com tela LCD) e três restaurantes à la carte que não exigem reserva (um japonês, um indiano e uma churrascaria rodízio completa).

 

As áreas externas do spa também são de uso incluído. A piscina é animadíssima, mas a praia, tranquila: há um restaurante à beira-rio com bufê completo e um bar sobre palafitas montado na areia. O terreno do hotel é cortado por uma área de preservação de mangue e restinga; para chegar à praia você pega uma jardineira que atravessa um longo pontilhão de madeira.

 

Caminhando para a direita, em vinte minutos você chega ao trecho da praia de Imbassaí em que o rio corre paralelo ao mar, criando uma península de areia. Os shows noturnos são superproduzidos. O chope é Kaiser, os refrigerantes são Coca-Cola, as vodcas são Natasha, Raissa e Eristoff, e entre os uísques há Red Label (fiestahotelgroup.com).

 

Iberostar. Está a 3 quilômetros ao norte da vila da Praia do Forte. Desde 2008 não é mais um resort, e sim um complexo: o Iberostar Bahia ganhou um vizinho, o Iberostar Praia do Forte. Ambos são cinco-estrelas na classificação do grupo, mas o Praia do Forte é mais confortável. A característica mais interessante dos Iberostar é que cada hotel tem duas zonas de piscinas: uma superanimada (o jingle do hotel, "animação é muito bom!", é um chiclete de ouvido) e outra supercalma.

 

O Iberostar Bahia tem dois restaurantes à la carte (um mediterrâneo e um japonês) e o Iberostar Praia do Forte, três (um pan-oriental, um baiano e um francês). Há um limite de noites que podem ser reservadas nesses restaurantes, dependendo da duração da estada. Os hóspedes do Iberostar Praia do Forte podem frequentar o Iberostar Bahia, mas a recíproca não é possível. O uso dos banhos termais do spa está incluído na hospedagem do Iberostar Praia do Forte, mas é pago à parte no Iberostar Bahia.

O entretenimento noturno é de alto nível em ambos resorts, alternando noites de musicais com noites de comédia. O chope é Sol ou Kaiser, os refrigerantes são Coca-Cola, as vodcas são Smirnoff (é preciso pedir), Natasha e Raissa (são as usadas no automático), e entre os uísques há Red Label (iberostar.com.br)

 

Vila Galé Marés. Fica dentro de um condomínio na extremidade norte da Praia de Guarajuba, a 40 quilômetros norte do aeroporto de Salvador (em estrada totalmente duplicada). É de um grupo português que está investindo pesado em resorts all-inclusive no Brasil (incorporou os antigos eco-resorts do Cabo de Santo Agostinho e de Angra dos Reis, e está abrindo um totalmente novo no Cumbuco, perto de Fortaleza). O destaque aqui é a imensa piscina de 3 mil metros quadrados, com vários nichos e profundidades. Entre a piscina e a praia há um belo gramado com espreguiçadeiras à sombra de quiosques de piaçava.

 

Os apartamentos ficam em blocos nas duas pontas do terreno; entre os blocos e a piscina espalham-se quase 50 bangalôs de apartamentos geminados, todos de bom espaço, com decoração moderna. Há dois restaurantes à la carte - um contemporâneo e outro de cardápio meio a meio baiano e português. O ambiente mais charmoso do hotel é o spa, de ares balineses (os tratamentos são pagos à parte). O chope é Kaiser, os refrigerantes são Coca-Cola, a vodca é Orloff, e entre os uísques há Cutty Sark e J&B (vilagale.pt).

 

Club Med Itaparica. Um dos decanos entre os resorts brasileiros, ocupa uma área belíssima na Ilha de Itaparica (a saída das lanchas fica a 30 quilômetros do aeroporto de Salvador, a travessia leva 25 minutos, então são mais 13 quilômetros até o resort). Aderiu ao sistema all-inclusive há dois verões, junto com os demais Club Med. O mais impressionante é o número de atividades esportivas incluídas - de vela a golfe, não é preciso sequer alugar equipamento (exceções são as atividades equestres).

 

E todas as modalidades oferecem aulas gratuitas - de tênis a trapézio. Os lanchinhos são limitados em comparação à concorrência, mas os bufês são mais refinados do que a média: à noite, você escolhe o prato principal nas estações e o atendente faz a montagem final como num restaurante. Os G.O.’s ("gentis organizadores"), marca registrada do Med no mundo, continuam animados e tomam parte dos shows toda noite. Prefira os apartamentos reformados, que têm banheiro novinho e TV com tela de LCD. O chope é Brahma, os refrigerantes são Coca-Cola, a vodca é Orloff e os uísques incluídos são Ballantines e Teacher’s; outras marcas são cobradas à parte (clubmed.com.br).

 

 

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