Lojas centenárias no coração de uma metrópole

Comprar pincéis no mesmo lugar onde Diego Rivera comprava, camisas na loja na qual Cantinflas as adquiria ou debruçar-se na balaustrada usada por Pancho Villa para amarrar seu cavalo. Tudo isso é possível no centro histórico da Cidade do México, área declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

PAULA ESCALADA MEDRANO / EFE, CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2012 | 03h11

Basta um passeio despreocupado pelas ruas da região para se deparar com alguns desses lugares. Um exemplo é o Café de Tacuba (cafedetacuba.com.mx), na rua de mesmo nome, que em seus cem anos de história foi até cenário de casamento e set de filme. Foi lá que o pintor Diego Rivera se casou com sua segunda esposa, Guadalupe Marín, e que o ator Anthony Quinn rodou o filme Os Filhos de Sánchez.

Algumas dessas histórias estão reunidas no Guía de Comercios Centenarios del Centro Histórico, publicado recentemente pela Curadoria do Centro Histórico. "A ideia é difundir a memória, o valor destes estabelecimentos", diz Inti Muñoz, diretor geral da Curadoria. No Cafe de Tacuba, por exemplo, turistas e moradores ainda aproveitam o ambiente lindamente decorado, com pinturas espalhadas pelos salões da casa do século 17, e menu diversificado, que oferece de empanadas a tacos, passando por enchilhadas e, claro, cafés.

Diego Rivera também era frequentador da Casa Serra (casaserra.com.mx), na Calle Bolívar, a poucos minutos dali. O local, especializado em materiais artísticos, conserva faturas de grandes pintores mexicanos (como Frida Kahlo e David Alfaro Siqueiros) que ali se abasteciam de óleos, pincéis e aquarelas.

Na mesma rua, a Camisería Bolívar (camiseriabolivar.com), fundada em 1898, recebeu personagens como Mario Moreno, o Cantinflas, ou o Prêmio Nobel de literatura Octavio Paz. Ramón Sánchez, que trabalha ali desde 1953, revela o segredo da longevidade do comércio: "Uma atenção personalizada é muito importante". É assim que ele vende camisas sob medida a senhores e jovens, que mostram que o negócio segue renovado.

E que tal fazer uma pausa saborosa ali pertinho, na Calle 5 de Mayo? O endereço abriga a confeitaria Celaya (dulceriadecelaya.com), fundada em 1874 e cuja essência, segundo o gerente, Jorge Huguenín, nunca mudou: doces artesanais, cuja receita passou de pai para filhos. Aleluyas (um tipo de bolinho de chuva), marzipãs, suspiros e rocamboles de goiaba enfeitam as vitrines da loja centenária, cujo letreiro é patrimônio histórico.

Novos tempos. Para se manterem ativos, alguns negócios tiveram de se adaptar. Hoje, a fachada imponente de azulejos de talavera poblana (cerâmica típica do Estado de Puebla), na Calle Francisco I. Madero, decora uma loja de departamentos da cadeia Sanborns . Mas em seu interior, Pancho Villa e Emiliano Zapata tomaram café e chocolate quente em 1916, depois do seu ingresso triunfal na capital mexicana. Bem, pelo menos é o que dizem.

A alguns metros, a loja La Palestina conserva em sua fachada a balaustrada de bronze decorada com cabeças e patas de cavalos onde, contam, os revolucionários amarravam os animais enquanto se reuniam para discutir no Palácio Nacional. Aberta em 1884, a casa era especializada em artigos de montaria. E ainda oferece produtos de couro: pastas e carteiras.

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