Lojas exclusivas desenham nova era da romana Via Margutta

Mas resquícios do passado permanecem entre portinhas e histórias que inspiraram [br]Fellini, Picasso e Puccini

Danielle Pergament, NYT / ROMA, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 02h47

Ao longo dos anos, uma impressionante seleção de artistas - Fellini, Picasso, Stravinski, Puccini - viveu, encontrou inspiração e criou obras-primas na Via Margutta, uma ruazinha estreita em Roma, perto dos Spanixh Steps. Então, Joe Bradley se mudou para lá. O personagem de Gregory Peck em A Princesa e o Plebeu tinha um flat ali e aparentemente nada valoriza mais um endereço que Audrey Hepburn cantando alegremente. Pronto: nascia um mercado imobiliário.

Mas como acontece frequentemente com vizinhanças artísticas, a rua logo se tornou mais conhecida como um lugar para comprar caras obras de arte do que como centro criativo. Recentemente, contudo, se reinventou outra vez. Agora, como endereço de lojas de design. Superexclusivas, claro.

"Há alguns anos não havia nada além de galerias e estúdios", diz Alberto Moncado, dono do recém-inaugurado e soberbamente chique Hotel Margutta 54 (romeluxurysuites.com). "Hoje há todo tipo de loja, mas você não encontra as grandes Louis Vuittons aqui", explica. "Há alta qualidade, marcas elegantes, mas elas são pequenas, com sabor local. Tudo é feito como era antigamente."

Pegue, por exemplo, a Saddlers Union (saddlersunion.com), dona de uma limpíssima fachada cujo desagradável cheiro de couro nocauteia assim que você entra na loja. Este é o lugar certo para cintos feitos à mão, carteiras, bolsas e pastas executivas. Os preços são tão altos quanto a qualidade: bolsas custam desde 600 ou R$ 1.428.

Mais abaixo está a Flair (flair.it), especializada em mobília vintage, com uma bem editada coleção de móveis reformados com formatos suaves e acabamentos brilhantes. Já no fim da rua, chega-se à super-refinada joalheria Enigma (enigma.it), de Gianni Bulgari, filho do renomado joalheiro italiano de mesmo nome. Os designs e os preços são para quem quer ostentar.

Nem tudo é tão requintado ou reinventado, no entanto. Um dos resistentes de eras passadas é a La Bottega del Marmoraro (39-06-320-7660), lojinha de pequenas placas de mármore e enfeites que poderiam se encaixar na casa dos sonhos da Barbie da Roma Antiga. Por 15 (R$ 36), o dono, Enrico Fiorentini, grava qualquer palavra em um pedaço de mármore. Em seguida, tem o hábito encantador de servir uma tigela de massa italiana para os clientes, enquanto conta histórias dos dias de glória da rua.

Ao contrário dele, Alberto Moncado acredita que essa glória ainda se mantém. "O que quer que aconteça ao longo dos anos, creio que a rua sempre vai ter um pouco de seus personagens do passado", diz.

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