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Longe de casa, sem cartão de crédito: e agora?

O cartão foi furtado, perdido, cancelado ou ficou preso no caixa eletrônico - para complicar, no exterior. Conheça suas alternativas, direitos e como minimizar o transtorno

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2015 | 01h00

Eram 22 horas em Dubai quando, antes de seguir para a balada, pedimos ao taxista que passasse em um caixa eletrônico. Mas aquela que era para ser a mais convencional das operações bancárias se tornou, de repente, bem complexa. Com batidas no equipamento, o fotógrafo que me acompanhava na viagem tentava reverter o irreversível: “O caixa eletrônico engoliu meu cartão”.

O capítulo seguinte foi tentar sacar em outro caixa, dessa vez com o meu cartão. Que, apesar de já ter sido usado naquela mesma viagem, no Vietnã, foi bloqueado. “Por medida de segurança”, disse o banco. Mas isso eu só soube quando já estava de volta ao Brasil.

Ficar sem cartões bancários durante uma viagem ao exterior – seja porque foram bloqueados pelo banco, engolidos pelo caixa eletrônico, perdidos, furtados ou porque você digitou a senha errada – é uma situação tão comum quanto inconveniente. No caso da engenheira química Caroline Rodrigues, “a tela congelou na mensagem que pede para inserir o cartão” depois de o plástico estar dentro do equipamento, para não ser mais devolvido. Sem telefone emergencial à vista, ela e o namorado voltaram ao hotel para tomar as providências de cancelamento.

(O problema) costuma acontecer em Nova York, Orlando, na Califórnia, lugares onde há grande fluxo de turistas e boa parte dos cartões usados são de tarja, não de chip com senha”, diz o diretor da área de Riscos da Visa no Brasil, Edson Ortega.

Claro que os equipamentos podem ter defeitos, mas existe também a possibilidade de fraude – e é por isso que bancos e administradoras de crédito cancelam cartões ao menor sinal de movimentação estranha, fora do padrão de consumo do seu titular. Hoje, a cada US$ 100 sacados, 8 centavos de dólar provêm de fraudes, segundo Edson Ortega, da Visa.

Independentemente do motivo, o jeito de não ter a viagem arruinada pela impossibilidade de usar os cartões é sair de casa prevenido. Veja como minimizar o risco de ter problemas, e o que fazer caso aconteça.

ANTES

Tenha opções

Acrescente ao check-list pré-embarque o item dinheiro – é essencial levá-lo de forma diversificada na viagem. Ter em mãos uma quantia em notas é importante, mas seja cauteloso: prefira levar uma doleira junto ao corpo para evitar aborrecimentos. 

Não esqueça também de avisar seu banco sobre a viagem. O superintendente executivo do Santander no Brasil, Rodrigo Cury, diz que é preciso comunicar os destinos e a duração da viagem para que os cartões possam ser usados fora do Brasil – e, se for o caso, aumentar o limite para compras e saques nos cartões de crédito e débito. Boa parte dos bancos permite que o aviso seja feito também pelo site. 

Segundo a Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), “por medida de segurança, o emissor (do cartão) não autoriza compras no exterior por se tratarem de operações incomuns”. Por isso é preciso avisar.

Ter mais de um cartão também é importante, principalmente para quem viaja sozinho. “A sorte do meu namorado é que ele estava comigo na Argentina, porque senão ele não teria outra forma para sacar”, conta a engenheira química Carolina Rodrigues. Mas até a suposta tranquilidade de ter mais de um cartão, mesmo que seja o do companheiro, é relativa. Aconteceu comigo: o cartão do fotógrafo foi engolido; o meu, bloqueado “por questões de segurança”.

Por isso, outra providência é anotar ou fotografar os números dos cartões e os telefones de atendimento emergencial, e guardar em segurança no local de hospedagem. São informações indispensáveis para as primeiras providências – e, em caso de perda ou roubo, conseguir bloquear o cartão antes de tomar um prejuízo daqueles em plenas férias. 

DURANTE

Cancelamento à vista

Golpear a máquina dificilmente vai adiantar. Se o equipamento engolir o cartão, chame um funcionário – e aqui você entende porque é preferível sacar em agência bancária, no horário de expediente – ou ligue para a central de atendimento. 

É quase certo que você terá de cancelar o cartão, para sua própria segurança e tranquilidade – e isso vale também em caso de perda, furto ou roubo. Essa é a recomendação do Procon de São Paulo. Por isso é tão importante ter anotados ou fotografados os números dos cartões e telefones de contato do banco e administradora.

“Cancele o cartão o mais rápido possível. E use seu próprio telefone celular ou o de uma pessoa conhecida. Nunca de terceiros”, diz Edson Ortega, da Visa. Você pode optar por já pedir uma nova via, mas pergunte o prazo máximo de entrega. Talvez seja o caso de deixar essa parte para resolver em casa. 

Quanto ao dinheiro para o restante da viagem: a administradora do cartão de crédito não é obrigada, segundo a Abecs, mas pode oferecer um saque emergencial. “O ideal é conhecer as soluções antes da viagem”, recomenda a associação. 

Depois de passar aperto em Lima, no Peru, a jornalista Aline Lacerda encontrou outra alternativa. Quando seu próprio cartão ficou retido no caixa eletrônico, a amiga com quem viajava, tensa, errou a senha três vezes. Sem possibilidade de fazer saques bancários, a dupla pediu a um amigo no Brasil para fazer um depósito em uma corretora de câmbio. Usaram a Western Union, que permite o saque cerca de 5 minutos depois do depósito. “A operação é feita em dólares e tem taxas”, diz a jornalista. Mas pode ser a saída que resta. Procure uma casa de câmbio de acesso fácil nos dois países – o de origem do depósito e naquele em que você está. No caso de bloqueio do cartão, é mais fácil: a maioria pode ser resolvida pelo internet banking.

DEPOIS

Ressarcimento ou não?

As entidades de defesa do consumidor, Idec e Procon, afirmam que seu banco no Brasil tem, sim, responsabilidade pelos problemas que você tiver com o plástico durante a viagem ao exterior. Em caso de furto, roubo ou clonagem, por exemplo, se o ladrão fizer algum saque ou compra, o banco deve ressarcir o cliente. Para conseguir os valores de volta, o importante é comunicar o fato o quanto antes – e se munir de paciência para a burocracia.

O Código de Defesa do Consumidor garante que o banco deve fornecer um novo cartão – o que só será feito sem custo se você não tiver culpa pelo que aconteceu, ou seja, se não perdeu o cartão. Não há regra quanto ao prazo de entrega. 

“Minha conta telefônica veio R$ 100 mais cara”, diz Carolina Rodrigues sobre as ligações que fez para a administradora do cartão e o banco desde a Argentina.

Em relação a esse tipo de custo extra, a Abecs afirma que “dependem da política de negócios e de relacionamento de cada banco”. Segundo o Procon, é possível entrar em contato com o serviço de atendimento ao cliente das empresas (bancos e administradoras de cartão). O reembolso dos gastos é analisado caso a caso, com apresentação dos comprovantes. Peça números de protocolo e notas – muitos podem chegar por mensagem de celular.

 

 

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