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Longe do asfalto: roteiros para conhecer favelas do Rio de Janeiro na Olimpíada

Projeto Favelidades explora natureza e cultura de dez comunidades cariocas mostrando a turistas projetos sociais e fazendo todo mundo colocar a mão na massa

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 04h55

“Venha em paz e volte com ela” lê-se em um tijolo. Ao lado, acima e embaixo dele estão outros incontáveis tijolos coloridos que reproduzem construções dos morros cariocas. Juntos, formam uma curiosa maquete montada sobre um barranco da favela Pereira da Silva, na zona sul do Rio de Janeiro.

A obra de arte, ou Projeto Morrinho, começou em 1997, quando Cirlan Oliveira chegou à Pereira da Silva. “Era só uma brincadeira entre eu e meu irmão para fugir da violência que existia na época, não era para mostrar ao mundo”, conta ele. Com o tempo, porém, a “brincadeira” virou projeto social, ganhou sede e reconhecimento fora da comunidade.

Arquitetura, música, teatro, gastronomia. Assim como a arte de Cirlan, muitas outras iniciativas dos próprios moradores têm garantido um futuro melhor a uma parte dos 2 milhões de habitantes das favelas do Rio.

Clique para conhecer os 10 roteiros do Favelidades

Pensando em impulsionar alguns desses trabalhos, a ONG Atados, em parceria com a empresa social Favela Experience, decidiu aproveitar o período da Olimpíada para vender passeios que promovam intercâmbio cultural e renda a moradores e às organizações que mantêm.

Os dez roteiros estarão disponíveis para os turistas entre os dias 6 e 20 de agosto, em dez favelas – Morro dos Cabritos, Santa Marta, Rocinha, Complexo do Alemão, Vila das Canoas, Cantagalo, Complexo da Pedreira, Vidigal, Morro da Babilônia e Pereira da Silva. Cada passeio leva de 3 a 4 horas, custa R$ 150 por pessoa, inclui o almoço e os guias bilíngues. A inscrição é feita no site favelaexperience.com/favelidade.

“O legado que a Olimpíada deixa para as comunidades é muito baixo em relação ao restante da cidade”, afirma o voluntário da Atados e idealizador da iniciativa, Daniel Morais. Por isso, a intenção do projeto, batizado de Favelidade, é fazer do turismo algo interessante também às comunidades, feito por elas e para elas. Uma lógica diferente da dos pacotes vendidos por agências há algum tempo. “Muito do turismo em favela do Rio é como se fosse um zoológico para ver a pobreza e não o que está acontecendo de bom nesses lugares”, explica Daniel.

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No Favelidade, turistar no morro significa menos selfies e mais mão na massa e atuação. Guiados por moradores, os passeios exploram o que cada local tem de interessante, como a trilha pela Floresta da Tijuca na Vila das Canoas e a cervejaria artesanal do Complexo do Alemão. Permitem aos visitantes participar dos projetos sociais. Na Pereira da Silva, o público poderá criar seu próprio morro com tijolos; na Pavuna, dar ideias para um mural aos grafiteiros da comunidade.

Selecionamos algumas opções do que será visto morro acima. Porque se há muito o que se fazer no asfalto (confira nosso Guia do Turista Olímpico para saber o que fazer pelo Rio nos Jogos), do morro será possível olhar para a cidade olímpica com os olhos de quem ocupa esse outro alto do pódio.

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