Chris Helgren/Reuters
Chris Helgren/Reuters

Lost na tradução

Seu inglês não é 100% ou seu portunhol já rendeu olhares estranhos? Arrisque – mesmo pagando mico. É a chance de melhorar

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2019 | 03h00

Glasgow, Escócia. Entro em uma loja de fast-food. “Hi, can I have a cheeseburger, please?”, pergunto. A resposta é indecifrável. “What?” Continua indecifrável. Em pânico pela fila que aumenta atrás de mim, vou de “Yes”. “Yes” a mais três perguntas sequenciais e uma oração no final, com medo do que eu aceitei.

O sotaque local me derrubou muitas vezes não só na Escócia, mas em outros destinos. Se perder na tradução: quem nunca? 

Pode ser pior em países nos quais você apenas não fala o idioma, como é um completo analfabeto – caso do Japão por exemplo. Isso é razão para deixar de visitar um destino? Eu digo que não. Separei algumas dicas para que o idioma não seja um perrengue.

 

Não se cobre demais. Seu inglês não é 100%, seu portunhol já rendeu olhares estranhos? Tudo bem pagar um mico aqui e ali. Leve tudo com bom humor, ria de si mesmo, faça da viagem um aprendizado para voltar falando e entendendo melhor. Quem não se arrisca permanece no inglês mais ou menos e no portunhol horrível.

Use a tecnologia. Não faltam apps que ajudam na tradução, inclusive em modo offline. O Google Tradutor é clássico e traduz também por voz ou imagens. Há muitas outras opções para celulares Android e iOS, como o Yandex, por exemplo. 

Pesquise. Um viajante bem informado corre menos riscos de cair em roubadas, principalmente em destinos em que você não fala o idioma local. Saia do Brasil com um bom planejamento – mesmo que você decida não segui-lo durante a viagem. Descubra as melhores formas de sair do aeroporto, de se locomover nas cidades, de visitara atrações. 

Tudo bem contratar um guia. Não se preocupe: você não vai ser um viajante menos descolado por isso. Guias são fontes preciosas de dicas e informações e ajudam a dar um panorama geral da cidade. Dependendo do destino, pode valer mais a pena se encaixar em tours do que ir por conta própria. Especialmente se forem no seu idioma. 

Hospedagens com vantagens. Cada tipo de hospedagem traz vantagens próprias – use-as. Nos hotéis, os concierges são essenciais para ajudá-lo na cidade. Hostels são ótimos para fazer amizades com outros turistas, os funcionários são sempre cheios de dicas de programas mais baratos e têm paciência para explicar para quem não é fluente. Um bom meio termo é alugar um quarto na casa de um morador local no Airbnb. Foi isso que fiz no Japão – meu anfitrião queria melhorar seu inglês, e a comunicação foi ótima, mesmo quando apelávamos para a mímica. Aliás: 

Use a mímica. Aponte, desenhe, gesticule. Deixe a timidez de lado: parta do princípio que você nunca mais verá aquela pessoa na vida – tudo bem fazer papel de bobo de vez em quando. 

Sempre haverá um brasileiro. Acredite: mesmo no mais remoto ponto do planeta, as chances de encontrar um brasileiro são altíssimas. Se você está inseguro, procure no Facebook por comunidades de brasileiros. Elas costumam ser ativas e seus participantes estão sempre dispostos a ajudar. 

Aprenda palavras básicas. “Oi”, “tchau”, “por favor”, “obrigado”: saber essas palavras-chave no idioma local é um sinal de boa vontade e ajuda a ganhar simpatia. Comece por elas antes de pedir ajuda em inglês ou outro idioma.

Leve endereços no idioma local. Principalmente nos países asiáticos, sotaques podem causar confusão na hora de perguntar por um hotel ou endereço. Leve essas e outras informações importantes escritas no idioma local – assim, é só mostrar na hora de pedir informação.

Busque os jovens. Em países como Rússia e Japão, as chances de eles entenderem inglês é sempre maior. 

*Envie sua pergunta para viagem.estado@estadao.com.

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