Bruna Toni|Estadão
Tablado do Cardamomo Bruna Toni|Estadão

Tablado do Cardamomo Bruna Toni|Estadão

Madri: a arte do canto e da dança flamenca

Uma das casas mais tradicionais de Madri, a pequena Cardamomo é perto do Museu do Prado e tem apresentações cheias de vigor

Bruna Toni , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Tablado do Cardamomo Bruna Toni|Estadão

CARDAMOMO E O FLAMENCO Distância a partir do Museu do Prado: 800 metros (11 minutos de caminhada).

Ano de inauguração: 1994, 175 anos depois do Museu do Prado.

O que ver: apresentações de grupos de flamenco, comer e beber.  

Serviço: Calle Echegaray, 15. Abre diariamente, com três shows noturnos por dia (19h, 21h e 22h30).

A VISITA

A velocidade com que a moça batia os pés no tablado sem perder o ritmo da canção e a elegância sedutora que lhe parecia tão natural me impressionou. Com um longo vestido em camadas, que ela subia e descia de acordo com a exigência da música, deixava às vistas da plateia o sapato quadrado responsável por fazer barulho. Um barulho que ganhava harmonia quando as castanholas de suas mãos se encontravam e/ou quando ela batia com força as mãos nas coxas. Era o barulho envolvente e inconfundível do flamenco. 

Madri não é a origem desse ritmo intenso que envolve, antes de tudo, o canto profundo, depois o violão - às vezes também o adufe (caixa de madeira) e outros instrumentos - e a dança marcante de sapateado. Fruto do encontro de diferentes culturas perseguidas pela inquisição - cigana e mourisca, com influências judia e árabe -, o flamenco nasceu na região da Andaluzia, no sul da Espanha. Mas, como capital que se preze, nela se concentram ótimos lugares para descobrir e/ou apreciar bons shows, dos mais turísticos aos mais intimistas. Uma das casas mais tradicionais de flamenco em Madri é a Cardamomo. Aberta em 1994 na região central, tornou-se patrimônio cultural da cidade dez anos depois por suas características “singulares”. É que o espaço, pequeno e apertadinho, com tablado para os artistas também pequeno, e a luz baixa, entre o azul neón e o vermelho, cria todo um clima que combina muitíssimo com a proposta dramática e intensa do flamenco. Só não chega a ser intimista por ser bastante turístico e incluir serviço de mesa durante o espetáculo - não atrapalha a visão, mas a proposta, sim.

 

Antes de o espetáculo começar, inclusive, já há uma recepção (essa sim justa) com presunto cru e uma tacinha de vinho, ótimos para ir lendo sobre a casa e os grupos de artistas que por ali já passaram. Perto de começar, segui para meu lugar, numa espécie de miniarquibancada - se quiser comer e/ou sentar em grupo, prefira mesa. Por uma hora ininterrupta, mantive meus olhos vidrados naquele estreito palco,  com três músicos que emendaram uma canção na outra enquanto os dançarinos, dois homens e duas mulheres, se revezavam no protagonismo da cena. 

Além da Cardamomo - é possível comprar ingressos no próprio local, no site ou pela Expedia.com, desde 45 euros o adulto -, há outras casas de flamenco e cafés e restaurantes que incluem apresentações na programação, como Café de Chinitas, Corral de la Moreria e Torres Bermejas.

O QUE TEM PERTO

O Teatro Espanhol, a 110 metros. Sua história remonta aos medievais corrales. Foi, a partir do século 18, reconstruído muitas vezes após incêndios – uma delas por Juan de Villanueva, arquiteto do Prado. Hoje, possui seis espaços, o último inaugurado em 2004.

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