Magnífica recompensa

Subir o Monte Cristallina tem seus momentos difíceis, é bem verdade. Mas a[br]paisagem que se descortina lá do alto faz você esquecer o cansaço em dois tempos

Bruna Tiussu / MAGGIA, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2010 | 01h35

Parecia de propósito. O reflexo do Monte Cristallina nas águas azuis-celestes do Lago di Narèt fez a mágica de praticamente varrer a insegurança. A brisa pura e o brilho do sol no Vale Maggia completaram de vez o serviço. De repente, os 2.575 metros de altura da montanha não passavam de um mero e insignificante detalhe.

Desde o início, a trilha em meio àquela pintura deu mostras de ter sido talhada com precisão suíça. Divididos no início, no meio e no fim do grupo, os três guias eram pura animação. Com gestos largos e sorrisos idem, mostravam cada canto da paisagem, só para depois engatar em tagarela explicação. "Aqui temos a eficiência suíça e a irreverência italiana", diziam. Explicação ouvida com razoável frequência no cantão de Ticino, ao sul do país e quase colado na vizinha Itália.

A empolgação do trio, diga-se de passagem, foi essencial para encarar a primeira hora de subida, etapa mais difícil de todo o trajeto. O terreno íngreme deixou claro que os bastões de montanhismo eram imprescindíveis (não, eles não haviam sido trazidos até ali para servir de acessório nas fotos). Igualmente úteis foram as garrafinhas d"água e o protetor solar, itens obrigatórios nas mochilas.

Apesar de tudo, distrair o cansaço era algo razoavelmente simples. Bastava uma breve parada para contemplar o Lago di Narèt, que, lá do fundo, acompanhava o percurso. Ou mesmo desviar o olhar para o chão, coberto de pequenas flores brancas, amarelas e rosadas.

Ao longe, o tilintar de pequenos sinos, numa melodia peculiar. O som dos rebanhos, explicaram. Não demorou muito para as vaquinhas cor de caramelo surgirem no cenário, completando a cena retratada em um sem-fim de cartões-postais do país. Fotos e mais fotos. E os guias decidiram dar uma trégua, já que todos haviam parado mesmo: decretaram hora do lanche. O intervalo foi suficiente apenas para repor as calorias e recuperar parte do fôlego. Antes que a preguiça batesse ou a paisagem exercesse efeito hipnótico, veio a ordem para resgatar os bastões e começar a marcha.

Outras duas horas de andança separavam o grupo da Capanna Cristallina (diárias desde 30 francos suíços ou R$ 52; capannacristallina.ch), onde todos passariam a noite. Subidas vencidas, a nova etapa do percurso era mais longa, mas não exigia tanto esforço. Condições ideais para apreciar como se deve a cascata que de repente cortou a trilha, o glaciar que apareceu atrás do morro e o riozinho que mereceu até pausa para um mergulho.

Pernoite alpina. Agora, uma descida com emoção, numa encosta pedregosa. Lá embaixo, outro grupo de aventureiros descansava sobre as ruínas da antiga Capanna Cristallina, destruída por uma avalanche em 1999. Para não deixar os aventureiros na mão, uma nova hospedaria foi erguida em 2002, dessa vez no ponto mais alto do monte. Com 130 leitos distribuídos em quartos coletivos, energia elétrica e banho de água quente (cobrado à parte, por 5 francos suíços ou R$ 8), é um dos acampamentos mais modernos do país.

E o que tem a vista mais deslumbrante: do terraço é possível ver a geleira Basodino, a maior do cantão, e o Monte Rosa, no Valais, onde ficam as montanhas mais altas da Suíça. Para completar a experiência alpina, um jantar típico, com creme de legumes, queijos e vinhos.

Montanha abaixo. Lá do alto, têm-se a impressão de que o dia amanhece mais nítido. O intenso brilho do sol e o café da manhã reforçado garantiram a disposição necessária para o grupo completar as três horas de downhill, pelo outro lado da montanha, até o teleférico Robiei, que levaria de volta à cidade.

O solo pedregoso exigia atenção redobrada. Mas o cenário seguia impressionante: três outros lagos surgiram pelo caminho, com suas águas límpidas refletindo as altas montanhas. Passamos por um túnel na pedra. Logo à frente, um pastor que recolhia seu rebanho de cabras.

Com o Monte Cristallina deixado para trás e já do alto do teleférico, a conclusão só poderia ser uma: se quiser conhecer mesmo os cenários suíços, tome um bastão de montanha e ponha-se em marcha.

BATE-VOLTA

Foroglio

Este pequeno vilarejo no Vale Maggia parece ter realmente parado no tempo, com suas casinhas de pedra e suas ruas estreitas, onde os carros não conseguem circular. Mas a atração máxima dali é uma cascata que cai de 110 metros de altura. Uma trilha simples, de dez minutos, leva os turistas até o pé da queda d"água - impossível sair de lá seco.

Swiss Miniature

Não vai conseguir visitar a Suíça toda? Sem problemas. As principais atrações do país foram reunidas neste parque, em versão miniatura. São 130 réplicas perfeitas de monumentos, castelos, igrejas e até dos Alpes, espalhados em 14 mil metros quadrados em Melide, ao lado de Lugano. Destaque ainda para a réplica do ultramoderno sistema ferroviário do país, incrementado com 18 trenzinhos que passeiam (e apitam) ao longo da estrutura. Ideal para entreter as crianças. Site: swissminiatur.ch.

O QUE LEVAR

Protetor solar, óculos

Todo tipo de bloqueio aos raios solares é bem vindo lá no alto da montanha. Enquanto caminha, você mal vai sentir os efeitos deles na pele, mas à noite...

Roupas apropriadas

Parece exagero, mas vestir calça e blusa leves, de material próprio para montanhismo, vai ajudar no desempenho da atividade. E não esqueça um casaco: a temperatura cai e o vento aparece após o pôr do sol

Calçado de montanhismo

Essencial para terminar o passeio sem torções ou incômodo nos pés. Há vários modelos disponíveis em lojas de artigos esportivos

O QUE TRAZER

Azeite

Com clima mediterrâneo, Ticino tem boas condições para o cultivo de oliveiras e produz azeites de qualidade

Vinho

Há mais de um século o cantão se dedica à produção de vinho merlot, que se tornou a bebida típica. Os rótulos exibem preços variados

Queijo, chocolate

Afinal estamos falando da Suíça, certo? Prefira queijos embalados a vácuo, para evitar problemas no avião

Roupas de aventura

Os preços podem não atrair, mas o país tem algumas das melhores marcas de vestimentas e acessórios

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