Maiorca: calmaria cosmopolita

MÔNICA NOBREGA / PALMA , O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2014 | 02h06

Ainda que a agenda turística daquele fim de manhã apontasse outra direção, seria difícil não seguir o cortejo de cavaleiros surgido na dobra de uma esquina. Não muitos, mas marcantes, porque não é exatamente fácil um grupo de sujeitos montados a cavalo passar despercebido por estreitas vielas medievais, ainda mais levando nas mãos rosas vermelhas. Turistas têm lá sua cota de sorte na vida. Eu, sem me dar conta, punha os pés na ilha de Maiorca em dia de festa: 23 de abril, dia de São Jorge, é celebração importante no mundo catalão.

Praticamente em fila indiana atrás dos equinos, cheguei à Plaza Mayor, no centro histórico da capital, Palma, para descobrir ali uma grande feira de livros sob o céu azul de primavera. É assim que maiorquinos e catalães em geral celebram seu padroeiro: nas ruas, com letras e flores.

Basta sair daquele miolo, no entanto, para estar de novo em meio à tranquilidade - e talvez seja esta a razão de Maiorca ser procurada por viajantes com diversos perfis, inclusive os que buscam um pouco de paz. Nem tão baladeira quanto a vizinha que lhe fica à esquerda no Mar das Baleares, Ibiza, nem tão discreta quanto a da direita, Menorca, a graça de Maiorca é ser relativamente cosmopolita, mas preservar recantos quietos. Tem arquitetura histórica na capital. Resorts familiares em Cala Major, a oeste, e na Baía de Alcudia, no norte. Boa comida, especialmente frutos do mar, como é de se esperar. E ao menos duas dúzias de marinas para receber iates e dar ao conjunto da obra aquela cara de porto para afortunados que tanto se costuma associar ao verão no Mediterrâneo.

Carro alugado compensa, mas você pode deixar para pegá-lo no terceiro dia, caso escolha se hospedar em Palma. Até porque boa parte do centro histórico é área de pedestres.

Em destaque sobre uma colina, entre edificações góticas, barrocas e árabes, está a magnífica catedral gótica. Ocupa o lugar de uma mesquita que, por sua vez, foi sobreposta a um templo romano dos séculos 10 a 11. Mais recentemente, Antoni Gaudí, ele mesmo, o de Barcelona, fez intervenções, no que foi seguido por Miquel Barceló. Mais: catedraldemallorca.info. Emende a visita à catedral com uma caminhada pelo Parc de la Mar que lhe fica aos pés.

Os mouros dominaram Maiorca e por lá deixaram seu legado em ruas e palacetes, alguns ocupados por museus (o das Bonecas Antigas, na Carrer del Palau Reial, 27, é uma graça), outros, por joalherias que vendem pérolas. Pelo centro histórico, veja ainda La Rambla e Paseo de Born, vias de comércio elegante.

À noite, o distrito de La Llonja ganha atmosfera boêmia. A Rua Apuntadores é um calçadão com bares, restaurantes e clubinhos de jazz. Com salão cheio das vozes que conversam em tom nada moderado, o Bar Día (no número 18) tem tapas maravilhosas em uma estufa de vidro, como o polvo com molho de tomates e as sardinhas. Para acompanhar, hierba, cachaça local à base de anis.

Na estrada. Na avenida à beira-mar, o calçadão e a ciclovia vão margeando o oceano pontilhado pelo brilho dos cascos reluzentes dos iates ancorados por ali. Durante o dia, navios de cruzeiros podem ser vistos.

A vila vizinha de Cala Major é a praia mais próxima da capital e tem outro atrativo de peso: a Fundação Pilar e Juan Miró (miro.palmademallorca.es; 6), casa-museu onde o artista trabalhou desde meados dos anos de 1950 até sua morte, em 1983.

Além da Baía de Alcudia, principal destino de praia em Maiorca, e de seu centro histórico murado, outras praias e cidadezinhas merecem atenção. Port d'Andratx e Sant Elm têm mar turquesa. Es Trenc é para adeptos do naturismo. Pollenca e Soller são graciosas cidades rurais.

Noite adentro. Ainda que a vizinha Ibiza seja mais famosa no quesito, Maiorca também é endereço de balada. Palma tem filial da boate Pacha (pachamallorca.es) e a Tito's (titosmallorca.com), com alta frequência de locais. A oeste, 20 minutos distante da capital, Magalluf é conhecida por suas megaboates, caso da gigantesca BCM Planet Dance (bcmplanetdance.com). A cidade tem até passe baladeiro: por preço único, o Magalluf Club Pass (magallufclubpass.com) dá entrada em seis baladas na mesma noite ou ao longo de uma semana.

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