Malas à prova: teste revela as mais confiáveis

Teste realizado ao longo de seis meses revela o que acontece quando 10 malas vendidas no País são submetidas a provas técnicas que reproduzem o uso cotidiano

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

21 Março 2016 | 15h57

Quem viaja sabe que sempre chega o momento da despedida. Dar adeus à velha companheira de aventuras e escolher uma nova nem sempre é tarefa fácil. Claro que estamos falando de malas. No entanto, na hora de comprar uma nova há uma série pré-requisitos a considerar.

Após mais de seis meses, a associação de consumidores Proteste concluiu uma série de testes com as malas da principais marcas à venda no Brasil. Separadas em duas categorias – policarbonato e poliéster – foram testados 10 modelos grandes de cinco fabricantes (Bagaggio, Lansay, Le Postiche, Primicia e Samsonite), de tamanho grande, com capacidades que variavam de 75 a 106 litros. Cada uma foi submetida a uma mesma série de provas que incluíam, entre outros, testes de esmagamento, de queda com 20 quilos de carga, de capacidade de proteger da chuva e de capacidade dos zíperes e das costuras.

Segundo Bruna Festa, técnica de produtos da Proteste e coordenadora da pesquisa, o viajante deve ficar atento a uma série de pré-requisitos. “Preste atenção na qualidade das rodas. Duas não se saíram bem, Primicia Borgundy e Le Postiche Veneza. O ideal é que tenha boas rodas”, recomenda.

A questão da resistência à água também chama a atenção da especialista. “Você coloca sua mala para despachar, mas no carrinho que as leva até o avião chove e corre o risco de molhar tudo dentro da mala. Neste quesito apenas duas malas foram fracas, todas as outras foram ruins.” Devido ao fato de que quase todas as amostras apresentam deficiências neste teste, o usuário é aconselhado a proteger suas roupas dentro da mala usando um saco plástico. Contudo, uma boa notícia: as alças, alças-telescópicas e fivelas de todos os modelos foram aprovados durante as provas.  

Entretanto, há aspectos menos técnicos e bem simples que podem ser checados na loja na hora de comprar a mala. “Veja se a ergonomia da mala te agrada, se consegue carregar bem, colocando a mão no puxador, veja se vai te machucar, se a altura é adequada para você”, indica. Como os departamentos de alfândegas e imigrações de alguns países têm regras rígidas e podem abrir malas à revelia do passageiro, Bruna aconselha malas com cadeados TSA. “Estes podem ser abertos por fiscais de alfândegas como a dos Estados Unidos.” Para os mais empolgados nas compras, também vale ficar de olho na opção de um zíper de expansão, que aumenta em alguns litros a capacidade da mala.

Veja abaixo os resultados das avaliações e os preços dos principais modelos, de acordo com a Proteste.

Samsonite – Modelos B-Lite (R$ 775,90) e Venue HS (R$ 540)

Os modelos Samsonite B-lite e Samsonite Venue HS ficaram com 63 e 59 pontos, respectivamente, na primeira e na terceira posição, entre 10 concorrentes. Ambos foram considerados muito bons no item costuras e fixadores. A mala Samsonite Venue Hs foi considerada boa no item qualidade de fabricação. É possível beliscar, ou contar os dedos sobre ou nas alças de transporte na Samsonite Venue HS. A mala Samsonite B-lite foi consideradas aceitável no teste de segurança mecânica enquanto a Venue HS foi considerada fraca. No teste de queda, com 20 quilos dentro, a Venue HS teve um dano reparável, mas que permanece visível mesmo após o reparo. Já a B-Lite teve dano irreparável que afeta a funcionalidade, inutilizando a mala. Ambas foram aprovadas com a melhor classificação no teste das rodas e das suspensões das rodas. A mala Samsonite B-lite foi considerada boa no aspecto puxador retrátil e nos aspectos ergonômicos.

Bagaggio – Modelos Pisa (R$ 499,90) e Veneza (R$ 219,90)

O modelo Pisa, da Bagaggio, ficou na segunda colocação com 61 pontos de 100 possíveis. Já o modelo Veneza, na 10ª posição, foi avaliado como fraco por apresentar fios soltos e rebites que não foram cobertos e constatou-se que é possível beliscar ou cortar os dedos sob suas alças de transporte. No teste de queda com carga de 20 quilos houve um dano irreparável que afeta a funcionalidade inutilizando ambas as malas. No quesito rodas e suspensões ambas tiveram a melhor avaliação. A Pisa teve nota A no teste de resistência da costura, enquanto a Veneza teve nota B. A Bagaggio Veneza não possui qualquer tipo de cadeado ou tranca, entretanto,  possuía mais duas rodinhas extras para dar mais estabilidade.

Le Postiche – Modelos Veneza (R$ 399,99) e Las Vegas (R$ 459)

O modelo Veneza, da Le Postiche, ficou na quarta colocação no ranking da Proteste. Já o modelo Las Vegas terminou a avaliação em oitavo lugar, por conta de seu desempenho em alguns testes. A pesquisa mostrou que é possível que este último belisque ou corte os dedos sob ou nas alças de transporte nas malas. No teste de queda, a mala Las Vegas apresentou defeitos reparáveis, enquanto o modelo Veneza teve danos irreparáveis. No teste de rodas e suspensão, a Le Postiche Veneza não passou, porém teve bom desempenho no teste de resistência da costura. O modelo Veneza não possui nenhum tipo de cadeado. Em termos do puxador retrátil, a pior amostra foi a mala Le Postiche Las Vegas porque o pino de segurança não podia ser sempre fixado, o que muitas vezes resultava em um desbloqueio não intencional e o puxador escorregava para baixo. Em aspectos ergonômicos, a Le Postiche Veneza foi considerada boa.

Lansay – Modelos Oxford Fendi (R$ 449) e Platinum (R$ 599)    

Os modelos Oxford Fendi e Platinum, ficaram, respectivamente, na quinta e sétima posições na classificação da Proteste. A Lansay Platinum teve bom resultado no teste de esmagamento. Assim como a maior parte dos modelos, o Oxford Fendi também pode beliscar ou cortar os dedos sob ou nas alças de transporte. Em ambos os modelos, os danos provocados pelos testes de quedas ou eram reparáveis ou não afetavam seu bom funcionamento – a Oxford Fendi foi uma das três melhores neste teste. Apesar de não ter cobertura rígida, a Lansay Oxford Fendi se saiu bem no teste de preenchimento, não amassando roupas demasiadamente em seu interior. A maneira mais segura de parar posições ao ajustar o puxador retrátil foi encontrada na mala Lansay Oxford Fendi.

Primicia – Modelos Burgundy Marrocos (R$ 409) e Manchest ML (R$ 399,90)

As malas Burgundy Marrocos e Manchest ML, da Primicia, ficaram na sexta e nona posição, respectivamente. O modelo Burgundy Marrocos foi o único a receber nota A em aspectos ergonômicos, entretanto, foi constatada em sua costura a presença de fios soltos – ainda que estes não atrapalhem o bom funcionamento da mala. Em ambos os modelos é possível beliscar os dedos nas alças de transporte. No teste de queda, a Primicia Manchest ML sofreu danos irreparáveis na suspensão da roda. No teste específico de resistência de rodas e suspensão a mala Primicia Burgundy Marrocos teve sua suspensão quebrada ou extremamente danificada. Cabe ressaltar que, junto com a Samsonite Venue HS, a Primicia Manchest ML foi a que teve os mecanismos de fechamento melhor avaliados. As costuras de ambos os modelos foram consideradas médias. A manipulação dos meios de fixação das bandas da mala Primicia Manchest ML, bem como das correias pode ser descrito como fácil. A Primicia Burgundy Marrocos possui cobertura extra entre o puxador retrátil e o revestimento interno, tornando a superfície mais plana e mantendo as roupas menos amassada.

Até a publicação desta reportagem, três fabricantes enviaram resposta. Leia:

Le Postiche

Em relação ao teste de esmagamento, o ideal é que este tenha sido feito com a mala cheia, considerando que ela foi feita para este fim. Quando testada com o interior vazio, sua capacidade de suportar grandes pressões externas diminui. Sobre as alças de transporte das  malas Las Vegas, estudaremos novas opções de alças e, se possível, faremos a substituição. Em relação ao teste de queda, para que seja possível aprimorar nossos produtos, gostaríamos de ver as malas testadas para melhor análise dos resultados obtidos. Afirmamos que realizamos inspeção dos produtos antes de irem para as lojas e testamos quedas convencionais. Salientamos que as malas rígidas possuem em sua composição o material ABS mais Policarbonato, que resiste a grandes impactos. Sobre a abrasão verificada nas rodas, suspensão da roda e no puxador dos modelos Veneza, informaremos aos nossos fornecedores os resultados do teste de rodas e suspensão da roda e teste das alças retráteis para que providencie melhoria no sistema de rodas. Os resultados obtidos no também serão enviadas aos nossos fornecedores. Os modelos Las Vegas e Veneza possuem zíperes de boa qualidade e em seus cursores lugar apropriado para travá-los com cadeado. Além disso, possuem triângulo de segurança, também conhecido como ponto fixo, costurado ao corpo da mala para ser travado com o cadeado juntamente aos dois cursores.

Bagaggio

Temos um setor de controle de qualidade no Rio de Janeiro e os produtos passam por uma fase inicial dentro deste departamento e seguem para venda. Após chegar no consumidor final, para utilização, no pós venda, os produtos recebem um feeedback do cliente, baseado na utilização e manuseio dos produtos. Nossos fornecedores são informados a respeito do que é necessário (se necessário) alterar e os próximos lotes são reavaliados. Sobre o risco de ferimentos, a mala em questão (Veneza) possui estrutura oval e toda boleada, permitindo que o produto esteja protegido, com parafusos rebitados nos pontos de recorte. A parte plástica da estrutura, também é boleada e não possui “pontas”. Não há qualquer ponto de corte e/ou que tenha risco de ferimentos. O material utilizado no puxador é completamente liso, com formato “quadrado” já foi avaliado e será trocado para os próximos lotes. A alça é completamente fixada e a única possibilidade em seu manuseio é de ocorrer contato da mala com os dedos/mãos. Há intervalos necessários para “apalpar” o puxador, para que o usuário evite o contato com o tecido. A única possibilidade de corte dos dedos ou mãos no tecido existe se houver objeto de corte ou cortante, na superfície da mala, o que não ocorre. Queda da mala representa mau uso. Esta foi feita para ser utilizada de forma correta de acordo com suas características físicas, com proteção adequada (rodas, alças, etc). As malas avaliadas têm todos os componentes adequados para o uso correto; existem pés de apoio e proteção nos posicionamentos adequados. Em seu manuseio, levando-se em consideração o uso natural da mala, esta não foi desenvolvida para ser lançada ou ter atrito com o solo, mas sim para transportes de artigos em viagem. Já foi verificado e avaliado junto ao fornecedor a composição do material de costura e de fechamento, que será avaliado para o próximo lote de fabricação. Existem modelos com e sem cadeados e/ou trancas para atender às diferentes necessidades do consumidor, inclusive com diferença de preços entre os produtos de acordo com o material utilizado.

Lansay

Nas junções das partes da mala Oxford, frente, laterais e traseiras existe um “vivo” que contorna todas as junções. Esse vivo é confeccionado em material plástico e tem corpo arredondado o que evita danos em caso de contato. A frente e a traseira da mala são confeccionadas em polietileno flexível e expandido, revestidos com poliéster, o que garante maciez ao toque, além disso essas partes possuem cantos arredondados. A lateral da mala é confeccionada em poliéster e tem na sua parte interna um reforço em placa de PVC. Essa é  a parte mais rígida da mala, no entanto, suas bordas e os cantos inferiores e superiores são arredondados. Todas as malas com carrinho acoplado têm puxadores com tubos retráteis. Na extremidade superior temos uma alça com cantos arredondados fixada por parafusos que ficam embutidos, não havendo contato direto com a mão. Na extremidade inferior a fixação é feita através de rebites e parafusos e essa parte fica totalmente embutida na mala.

O sistema tem resistência suporta até 32 Kg, em condições normais, ou seja, para o transporte da mala puxando-a apoiada nas rodas, não devendo ser utilizado como alça para carregar a mala com peso. Outro dado de utilização normal; a mala estando cheia faz com que os tubos fiquem mais protegidos, apoiados sobre as roupas. A mala vazia permite que o esforço sobre os tubos se torne maior em virtude do vão livre.

Trabalhamos com controle de qualidade de confecção do produto e de matérias primas utilizadas para que não haja prejuízo da funcionalidade, considerando além das condições normais de uso, também o tratamento, por vezes, inadequado por parte das companhias aéreas. Itens considerados vitais para a utilização do produto, como carrinhos, rodas, alças e tecidos são analisados criteriosamente.

Mais conteúdo sobre:
Proteste Le Postiche Pisa Mala Bagagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.