'Maraturismo' entre destinos badalados

Apaixonado por corrida, em 2005 o funcionário público Marcelo Jacoto, de 32 anos, viajou para Buenos Aires para participar de sua primeira maratona fora do País. De lá para cá, já esteve em outras 24 provas do tipo em terras estrangeiras. Sempre em cidades diferentes, como Atenas, Lisboa, Amsterdã...

FELIPE MORTARA, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2012 | 03h09

Assim como Marcelo, muitos brasileiros têm entrado na onda do "maraturismo" e aproveitado a febre da corrida no Brasil - com cada vez mais provas e um número de participantes sempre em crescimento - para marcar férias de modo a competir nos grandes eventos de atletismo pelo mundo. Na Maratona de Paris, em abril, o Brasil foi o 10.º entre os mais de 100 países presentes com o maior número de inscrições. Dos 40 mil participantes, 407 eram brasileiros.

Apesar de toda a adrenalina que antecede a participação num evento desses, depois da prova é hora de relaxar e aproveitar o destino. O auditor fiscal Celso Bruder, de 60 anos, correu a prova de Paris em 2007, mas antes passeou pela cidade com a mulher. "É interessante fazer essa fusão de turismo e esporte", diz. Durante a prova, o atleta amador tem a chance de curtir a cidade por novos ângulos. Afinal, é no mínimo um privilégio correr no meio da Champs-Elysées ou às margens do Sena.

Pegando leve. Assim como o tênis tem sua série de campeonatos mais importantes, o Grand Slam das maratonas pode ser definido por cinco eventos principais. O World Marathon Majors reúne as mais famosas e tradicionais provas: Boston, Nova York, Chicago, Berlim e Londres.

No entanto, nem todo mundo que viaja para correr topa encarar uma maratona completa. Não é para qualquer um enfrentar 42 quilômetros de corrida - além disso, são necessários alguns dias para se recuperar do esforço físico. Como sabem que bater pernas em museus e lojinhas também cansa, alguns atletas-turistas escolhem opções menos longas e exaustivas, como a meia maratona ou provas menores, de 5 a 15 quilômetros.

A analista de sistemas Marina Nakane, de 60 anos, só viajou a Istambul para acompanhar amigos na maratona local (istanbulmarathon.org). Ela optou por um percurso de 15 quilômetros, que cruza o estreito de Bósforo, da Europa para a Ásia. "A Turquia é um lugar distante que eu não tinha intenção de conhecer. Hoje eu voltaria", diz.

Planejar uma viagem dessas vai além de escolher os pontos turísticos a serem visitados. É preciso estudar bem a prova, como faz Marcelo Jacoto, que vai correr em Istambul em novembro. "Começo a estudar o lugar e a treinar de 3 a 4 meses antes da viagem. Para quem não tem tempo, é difícil. Dá trabalho."

Ele aprendeu a importância de uma boa organização prévia em 2007, na maratona de Roma, quando o trem que o levaria do hotel ao Coliseu - local da largada - atrasou 1h20. "Testamos no sábado o percurso com duas baldeações, mas no domingo havia menos trens. Eu e outros corredores estávamos agoniados", lembra ele, que hoje se diverte ao lembrar que largou em último.

Como algumas inscrições são concorridas e muita gente não tem tempo de se dedicar ao planejamento, operadoras especializadas oferecem pacotes que incluem não só aéreo e estadia, mas também transporte até a largada e da chegada. Entre as opções estão a Chamonix, a X-Travel e a Kamel. O fôlego, contudo, fica por sua conta.

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