Mariscada com os Flintstones

Quiosque sem luz é a atração de José Gonçalves

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2009 | 02h29

No caminho entre as cidades, faça uma parada na Praia de José Gonçalves. Por incrível que pareça, o grande atrativo por lá não é o visual pouco modificado, a calmaria quase desértica ou o mar bom para o surfe, e sim o quiosque sem eletricidade de Ranieri Carlos de Almeida, de 44 anos. À primeira vista, você pode até achar o lugar meio esquisitão. Deixe o preconceito de lado. Tudo ali foi construído pelo próprio dono, com objetos que iriam para o lixo.

 

O escultor-cozinheiro Ranieri em seu quiosque sem energia elétrica

O local lembra as casas de Bedrock, a cidade dos Flintstones. As paredes parecem esculpidas em pedra, assim como algumas mesas e cadeiras. Nada disso. Ranieri utiliza uma técnica que aprendeu quando viveu na Espanha e trabalhou em um ateliê de esculturas. Modela cimento com ácido e fogo, criando uma textura única. Garrafas pet, engradados de cerveja e outros objetos servem como base para a construção. Além disso, ele recicla o que pode. O balcão, por exemplo, foi feito a partir de uma velha porta.

 

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A propaganda boca-a-boca trouxe uma clientela fiel. Até o presidente Lula esteve ali, como prova a foto que Ranieri ostenta, orgulhoso. Mas você nunca encontrará a barraca lotada. "Não tenho estrutura para atender muita gente." Tanto melhor. Assim, você vai poder bater um ótimo papo com o artista-comerciante-cozinheiro.

Cozinheiro, sim. E premiado. Peça mariscos ao tempero da casa (R$ 15), à vinagrete (R$ 12) ou à dorê (R$ 18). Sua receita de casquinha de marisco com camarões recebeu menção honrosa no Festival Gastronômico de Búzios e foi parar no Festival de Tiradentes, em Minas.

Além do quiosque, Ranieri anda às voltas com encomendas de mesas e cadeiras artesanais - uma mesinha de centro custa R$ 300. Mas quem se interessar precisa ir até José Gonçalves encontrá-lo. Ele não tem telefone há anos.

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