Turismo de Marrocos
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Marrakesh: os contrastes de uma cidade múltipla

Dentro da medina, parece que o tempo parou; fora dela, trânsito, modernidade e vida noturna agitada

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Marrakesh é uma cidade cheia de contrastes. Poderíamos até dizer que são várias cidades em uma. Dentro da medina, a parte antiga amuralhada da cidade, de casas de cor ocre e terracota, a gente chega a pensar que o tempo parou. Outro ritmo, outras roupas, encantadores de serpentes, carruagens. Do lado de fora, trânsito frenético e caótico, edifícios modernos e contemporâneos, condomínios e shoppings de luxo, vida noturna agitada.

Eu me dediquei a explorar a medina com calma, com seu souq, barracas e lojinhas. Algumas das melhores compras da viagem, entre sapatos, bijuterias e peças de decoração para a casa, seguramente sairão dali – e com preços muito baixos para quem é bom de pechincha. Ali estão algumas das atrações mais famosas da cidade. O belo Palais Bahia (cujo nome significa palácio da beleza), construído no século 19, foi construído no século 19 com arquitetura marroquina-andaluza, e hoje recebe visitantes e, ocasionalmente, concertos musicais. 

 Vale destacar também as ruínas do Palácio El Badi, do século 16, e a Madraça Ben Yussef, escola islâmica do século 16. Ali é possível visitar alguns dos 130 quartos que serviam de hospedagem para os alunos, mas a joia do passeio é o belo pátio interior.

Onde tudo acontece

Coração da medina e patrimônio da Unesco, a praça Jeema El-Fna não é chamada de “a praça em que tudo acontece” à toa. O movimento ali é intenso a qualquer hora. De dia, encantadores de serpentes, adestradores de macacos, ambulantes e vendedores de (deliciosos) sucos de laranja ocupam o espaço. À noite, tudo isso dá lugar a barracas esfumaçadas em que se cozinham pratos típicos a preços muito baixos. Um programa infalível por ali é fazer bom uso dos “rooftops” dos arredores: vários dos cafés, restaurantes e bares ao redor da praça têm terraços perfeitos para tomar um drinque e acompanhar a vida acontecer lá embaixo – principalmente ao pôr do sol.

Fora da medina, diversos bairros merecem a atenção do visitante. Guéliz, por exemplo, é a face mais nova da Marrakesh colonial, cheia de lojas e mercados arrumadinhos, restaurantes e cafés charmosos e galerias de arte – e sem muvuca. À noite, o bairro fica ainda mais agitado por causa de seus bares e clubes. 

Mellah, por sua vez, é a parte judaica, perfeita para amantes de história – e com um ótimo mercado de especiarias. Hivernage é famoso entre os millennials, com hotéis, villas, bares e restaurantes cheios de charme (mas também altos preços). Ainda em desenvolvimento, Sidi Ghanem tem potencial para quem curte arte e moda: ali, antigos armazéns foram convertidos em lojas, galerias e cafés. 

Marrakesh tem também uma excitante vida noturna, repleta de bares e clubes que funcionam até as primeiras horas da manhã. Bons lugares para curtir a noite são o Café Árabe na Medina, o clube Le Palace em Ville Nouvelle, o bar do hotel The Royal Mansour, o Baromètre Marrakech (especializado em coquetéis e cozinha mediterrânea), o wine bar 68 Bar a Vin, o clássico Bo-Zin e o agitado L’Envers.

Fez, a 'concorrente'

Raio X

A segunda maior cidade do Marrocos tem pouco mais de um milhão de habitantes e é a mais antiga das cidades imperiais do país. A mescla entre Fez el Bali (Old Fez, do século 8º), Fez el Jdid (New Fez, do século 13) e Ville Nouvelle (a parte mais contemporânea, construída pelos franceses no século 20) não à toa seduz os turistas. 

Transformações 

Neste começo do século 21, a cidade passou a rivalizar turisticamente com Marrakesh e testemunhou a chegada de diversos hotéis de luxo, riads (antigos palacetes) de charme restaurados e talvez a mais inovadora cena gastronômica do país. O novo terminal em seu aeroporto internacional prova que ainda mais turistas devem chegar à cidade nos próximos anos.

Medina (Fez El Bali)  

A vida de Fez pulsa dentro da Medina, com seu labirinto de ruelas coloridas em que apenas pedestres, bicicletas e mulas podem circular. Além de lojinhas e cafés, onde é possível comprar artesanato e temperos ou tomar um chá marroquino, estão lá o Palácio Real, com seus sete fotogênicos portões, e a universidade em funcionamento mais antiga do mundo (Al Quaraouiyine). 

Madraça Attarina

Uma das várias madraças (antigas escolas islâmicas) de Fez, foi fundada em 1310 para formar os funcionários públicos de alto escalão e é uma obra-prima arquitetônica. Decorada com azulejos e arabescos, tem um grande pátio central rodeado de galerias, que conduz a uma sala de orações. No piso superior, há 30 quartos para os estudantes.

Curtume Chouwara

Em centenas de poços redondos, artesãos trabalham e tingem o couro de vacas, camelos, cabras e ovelhas. Dali sairá a matéria-prima para a confecção de bolsas e sandálias que serão vendidas pela cidade. A partir dos terraços dos prédios ao redor, é possível ver esses curtumes de cima. Ramos de hortelã ajudam a encarar o cheiro forte do local. 

 

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