Ed Alcock/NYT
Vista da Madraça Ben Youssef, construída no séculio 16, em Marrakesh Ed Alcock/NYT

Marrocos: o que fazer e como explorar atrações além de Marrakesh

Da hollywoodiana Casablanca ao deserto do Saara, passando por cenários de Game of Thrones, o país tem paisagens que parecem de cinema

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 05h00

A cidade mais turística do Marrocos reúne mesmo uma quantidade impressionante de atrativos para os visitantes. Com voos diretos e diários a partir de inúmeras cidades europeias, Marrakesh seduz de cara com sua imperdível medina. É ali na cidade antiga que se concentram seus principais pontos turísticos e até um importante patrimônio histórico: a Praça Jemaa el Fna.

Mas as atrações do Marrocos vão muito além de Marrakesh. Casablanca foi a cidade que ficou no imaginário popular quando o assunto é Marrocos – e é mesmo a maior do país. Com muito mais contrastes e exotismo do que o clássico filme com Humphrey Bogart que trouxe fama internacional à cidade, Casablanca é também grande, barulhenta e intensa como qualquer metrópole do século 21 – e a única cidade do país com voos diretos desde o Brasil com a Royal Air Maroc.

Melhor se concentrar em destinos mais peculiares, como as cidades próximas à cadeia do Atlas, por onde se estendem vilarejos berberes dos séculos 16 e 17 e cooperativas que produzem o cobiçado óleo de argan.

Ou se encantar com o Deserto do Saara e seus acampamentos de luxo, onde os turistas passam a noite em meio a tendas charmosas, de onde se observa o céu absurdamente estrelado depois dos jantares com música e gastronomia típicos. 

Viajar pelo Marrocos, no entanto, requer tempo. As distâncias são grandes, a geografia, montanhosa e as estradas nem sempre ajudam. Por outro lado, as paisagens são lindas e as cores intensas estão por toda parte. Dos temperos, roupas e objetos de artesanato que se espalham pelos mercados a cidades como Chefchaouen, toda pintada de azul e branco, tudo parece feito para virar post do Instagram ou quadro na parede. 

É seguro?

Em termos de segurança, o Marrocos é, em geral, tranquilo (embora sempre haja espertinhos aqui e ali). Mas mulheres viajando sozinhas costumam se incomodar com o assédio constante. Meu conselho é tomar algumas precauções, como não andar em locais ermos e só tomar táxis recomendados pelo seu hotel, atração turística ou restaurante.

Vale também prestar atenção às vestimentas. Por ser majoritariamente muçulmano e bastante conservador nas cidades menores, recomenda-se às mulheres evitarem roupas decotadas e saias e shorts curtos. No verão faz muito calor, mas peças leves de materiais como linho refrescam mesmo com mangas compridas – e ainda ajudam a proteger do sol.

ANTES DE IR

Como chegar: a Royal Air Maroc tem voos diretos entre São Paulo e Casablanca quatro vezes por semana. A tarifa ida e volta, para voar em outubro, começa em R$ 3.405,38. O percurso dura 9h30. 

 

Compras: o dirham é a moeda oficial (a conversão para o real é praticamente 1 para 1). Muitos estabelecimentos também aceitam euros. Nos souqs (os mercados populares), a regra é pechinchar. Comece oferecendo metade do valor pedido para o vendedor e tenha paciência na negociação. Alguns vendedores são bem insistentes, mesmo com quem não demonstra interesse.

 

Idiomas: árabe e francês são os oficiais. 

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Marrakesh: os contrastes de uma cidade múltipla

Dentro da medina, parece que o tempo parou; fora dela, trânsito, modernidade e vida noturna agitada

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Marrakesh é uma cidade cheia de contrastes. Poderíamos até dizer que são várias cidades em uma. Dentro da medina, a parte antiga amuralhada da cidade, de casas de cor ocre e terracota, a gente chega a pensar que o tempo parou. Outro ritmo, outras roupas, encantadores de serpentes, carruagens. Do lado de fora, trânsito frenético e caótico, edifícios modernos e contemporâneos, condomínios e shoppings de luxo, vida noturna agitada.

Eu me dediquei a explorar a medina com calma, com seu souq, barracas e lojinhas. Algumas das melhores compras da viagem, entre sapatos, bijuterias e peças de decoração para a casa, seguramente sairão dali – e com preços muito baixos para quem é bom de pechincha. Ali estão algumas das atrações mais famosas da cidade. O belo Palais Bahia (cujo nome significa palácio da beleza), construído no século 19, foi construído no século 19 com arquitetura marroquina-andaluza, e hoje recebe visitantes e, ocasionalmente, concertos musicais. 

 Vale destacar também as ruínas do Palácio El Badi, do século 16, e a Madraça Ben Yussef, escola islâmica do século 16. Ali é possível visitar alguns dos 130 quartos que serviam de hospedagem para os alunos, mas a joia do passeio é o belo pátio interior.

Onde tudo acontece

Coração da medina e patrimônio da Unesco, a praça Jeema El-Fna não é chamada de “a praça em que tudo acontece” à toa. O movimento ali é intenso a qualquer hora. De dia, encantadores de serpentes, adestradores de macacos, ambulantes e vendedores de (deliciosos) sucos de laranja ocupam o espaço. À noite, tudo isso dá lugar a barracas esfumaçadas em que se cozinham pratos típicos a preços muito baixos. Um programa infalível por ali é fazer bom uso dos “rooftops” dos arredores: vários dos cafés, restaurantes e bares ao redor da praça têm terraços perfeitos para tomar um drinque e acompanhar a vida acontecer lá embaixo – principalmente ao pôr do sol.

Fora da medina, diversos bairros merecem a atenção do visitante. Guéliz, por exemplo, é a face mais nova da Marrakesh colonial, cheia de lojas e mercados arrumadinhos, restaurantes e cafés charmosos e galerias de arte – e sem muvuca. À noite, o bairro fica ainda mais agitado por causa de seus bares e clubes. 

Mellah, por sua vez, é a parte judaica, perfeita para amantes de história – e com um ótimo mercado de especiarias. Hivernage é famoso entre os millennials, com hotéis, villas, bares e restaurantes cheios de charme (mas também altos preços). Ainda em desenvolvimento, Sidi Ghanem tem potencial para quem curte arte e moda: ali, antigos armazéns foram convertidos em lojas, galerias e cafés. 

Marrakesh tem também uma excitante vida noturna, repleta de bares e clubes que funcionam até as primeiras horas da manhã. Bons lugares para curtir a noite são o Café Árabe na Medina, o clube Le Palace em Ville Nouvelle, o bar do hotel The Royal Mansour, o Baromètre Marrakech (especializado em coquetéis e cozinha mediterrânea), o wine bar 68 Bar a Vin, o clássico Bo-Zin e o agitado L’Envers.

Fez, a 'concorrente'

Raio X

A segunda maior cidade do Marrocos tem pouco mais de um milhão de habitantes e é a mais antiga das cidades imperiais do país. A mescla entre Fez el Bali (Old Fez, do século 8º), Fez el Jdid (New Fez, do século 13) e Ville Nouvelle (a parte mais contemporânea, construída pelos franceses no século 20) não à toa seduz os turistas. 

Transformações 

Neste começo do século 21, a cidade passou a rivalizar turisticamente com Marrakesh e testemunhou a chegada de diversos hotéis de luxo, riads (antigos palacetes) de charme restaurados e talvez a mais inovadora cena gastronômica do país. O novo terminal em seu aeroporto internacional prova que ainda mais turistas devem chegar à cidade nos próximos anos.

Medina (Fez El Bali)  

A vida de Fez pulsa dentro da Medina, com seu labirinto de ruelas coloridas em que apenas pedestres, bicicletas e mulas podem circular. Além de lojinhas e cafés, onde é possível comprar artesanato e temperos ou tomar um chá marroquino, estão lá o Palácio Real, com seus sete fotogênicos portões, e a universidade em funcionamento mais antiga do mundo (Al Quaraouiyine). 

Madraça Attarina

Uma das várias madraças (antigas escolas islâmicas) de Fez, foi fundada em 1310 para formar os funcionários públicos de alto escalão e é uma obra-prima arquitetônica. Decorada com azulejos e arabescos, tem um grande pátio central rodeado de galerias, que conduz a uma sala de orações. No piso superior, há 30 quartos para os estudantes.

Curtume Chouwara

Em centenas de poços redondos, artesãos trabalham e tingem o couro de vacas, camelos, cabras e ovelhas. Dali sairá a matéria-prima para a confecção de bolsas e sandálias que serão vendidas pela cidade. A partir dos terraços dos prédios ao redor, é possível ver esses curtumes de cima. Ramos de hortelã ajudam a encarar o cheiro forte do local. 

 

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Essaouira, para curtir num bate-volta ou num fim de semana

Várias agências fazem roteiros bate-volta até a charmosa cidade litorânea a partir de Marrakesh

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Muita gente aproveita os voos baratos da Europa para Marrakesh para fazer sua primeira visita ao Marrocos conhecendo somente sua cidade mais turística e arredores. Afinal, Marrakesh é uma excelente base para explorar outros destinos próximos em passeios

de um dia, tipo bate-volta.

Diversas agências locais vendem esses passeios. Os mais comuns levam à litorânea Essaouira e ao belo Vale de Ourika.

O Vale de Ourika, formado pelo rio homônimo e instalado em meio às montanhas da exuberante cadeia do Atlas, compõe uma das paisagens mais visualmente arrebatadoras do Marrocos. Além da beleza natural incontestável das montanhas e do vale em si, os passeios a Ourika costumam contemplar também visitas a vilarejos berberes dos séculos 16 e 17 (com algumas casas parecendo “penduradas” nos rochedos), coperativas femininas de produção de óleo de argan e belíssimas cachoeiras, com destaque para as sete cascatas de Setti Fatma.

 Na rota para Essaouira, é comum que os tours parem para os turistas fotografarem as célebres cabras que sobem nos galhos das árvores de argan, abundantes nessa região. Antigo porto no Atlântico entre Agadir e Casablanca, Essaouira é hoje um dos pedaços mais tranquilos e gostosos do Marrocos – uma deliciosa mistura de culturas árabe, berbere, judaica, africana e europeia.

Puro charme

Foram os portugueses que construíram as muralhas que cercam Essaouira. A cidade, que chegou a ser chamada de Mogador pelos portugueses na época das grandes navegações, atrai forasteiros desde antes de Cristo, quando fenícios montaram uma base por lá. Depois, nomes como Churchill, Orson Welles, Cat Stevens, Jimi Hendrix e Frank Zappa a colocaram na rota dos jet-setters. Uma espécie de Trancoso marroquina, por assim dizer.

Tombada pela Unesco, sua medina de casinhas brancas e telhados azuis é um de seus principais atrativos. Vários cafés e restaurantes têm mesas na varanda para os dias ensolarados – caso do clássico Taros Café. No souq, aproveite para comprar especiarias, cerâmicas, prataria e souvenirs. Fora da medina, um belo porto, praias de areia dourada e muito, muito vento garantem a alegria dos praticantes de windsurfe. Observar os pescadores em franca atividade também é uma delícia. 

Para receber esse público exigente, não é de se estranhar que a cidade seja conhecida por seus hotéis de charme, pelas galerias de arte e pelos muitos festivais de música que recebe ao longo do ano, como o Les Alizées e o Ganaoua Festival.

 

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Ouarzazate, portal para o Saara e cenário de cinema

Povoado de Ait-Ben-Haddou serviu de locação para diversas produções, de 'Lawrence da Arábia' a 'Game of Thrones'

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Instalada em plena cadeia montanhosa do Atlas, a mais de 1160 metros de altitude, Ouarzazate é considerada a porta de entrada para o Deserto do Saara. A cerca de 200 quilômetros de Marrakesh, é também cenário cativo de gravações – como da série Game of Thrones.

A relação de Ouarzazate com o cinema é antiga: a cidade ganhou fama internacional nos anos 1960, quando cenas de Lawrence da Arábia foram gravadas em Ait-Ben-Haddou, um povoado cercado por muralhas – e patrimônio da Unesco a 25 quilômetros da cidade. Depois, outras grandes produções de Hollywood – como Gladiador (2000) e A Múmia (1999) – também incluíram as paisagens arrebatadoras da região em sua cenografia.

Guias de turismo vendem pacotes a partir de Marrakesh para ver as locações de Game of Thrones. Na ficção, Ait-Ben-Haddou se transformou em Yunkai. A cena mais emblemática filmada ali está na terceira temporada, quando Daenerys é ovacionada e erguida pelos escravos que acabou de libertar. 

Há poucos moradores em Ait-Ben-Haddou – a maioria se mudou para um povoado próximo, com melhor infraestrutura. Não é difícil encontrar alguém contando que participou como figurante em alguma produção. No local, a pedida é caminhar entre as vielas e construções feitas com argila e palha, em um tom ocre que domina toda a paisagem. 

Os tours aumentaram também o movimento em Ouarzazate, onde estão os estúdios cinematográficos Atlas (mais afastado da cidade) e CLA (cla-studios.com; visitas a 40 dirham ou R$ 45), além de um museu cinematográfico onde estão objetos de alguns filmes gravados na região. É possível fazer o passeio de um dia a partir de Marrakesh, mas é bem cansativo. Prefira os tours com dois ou três dias de duração.

Rumo aos acampamentos

Outra área famosa é Merzouga, com suas impressionantes dunas Erg Chebbi fazendo contraste com outras partes tão planas e rochosas do deserto. É em Merzouga que estão reunidos boa parte dos acampamentos para turistas, muitos deles de luxo, cheios de comodidades e conforto no meio do deserto. 

 Um deles é o Merzouga Luxury Desert Camp (merzougaluxurydesertcamps.com), localizado em meio às dunas, com tendas amplas e serviço impecável. Há dois tipos de acampamento, um com 15 tendas (320 euros por tenda) e outro mais exclusivo, com apenas 5 habitações (420 euros cada). Os acampamentos também fazem pacotes com saída direto de Marrakesh (a partir de 460 euros por pessoa, duas noites), com direito a passeio de camelo, jantar e café da manhã. 

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Chefchaouen, a cidade azul

Casas pintadas com a cor dominam o centrinho da chamada 'pérola azul'

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Quando a gente chega a Chefchaouen, os olhos demoram a se acostumar a todo aquele azul. A cidade que povoa o perfil do Instagram de influenciadores do mundo inteiro tem mesmo as paredes, portas, janelas e até ruas do seu centrinho tingidas de tons de azul, sobretudo azul-denim.

Chefchaouen, hoje conhecida como a Cidade Azul, fica incrustada nas Rif Mountains, no norte do Marrocos. Outrora uma espécie de paraíso perdido – como fica distante de carro das principais cidades do país (são quatro horas de Fez e quase seis de Casablanca), ficou por muitos anos guardada quase como um segredo por seus poucos visitantes.

Hoje, virou febre nas mídias sociais e a cada ano recebe mais e mais turistas. Mas, no fundo, ainda conserva uma atmosfera diferente das grandes cidades marroquinas.

Fundada por berberes no século 15 como uma espécie de fortaleza para defesa contra invasores portugueses, hoje sua medina é pequena, com uma experiência social e de consumo ainda muito mais tranquila e agradável que nos grandes centros turísticos do Marrocos. 

O melhor programa por ali é realmente “se perder” entre suas ruelas de tantos tons de azul, com casinhas de charmosa arquitetura marroquina ocupadas ora por lojinhas, ora por vendas de especiarias, ora por hoteizinhos simpáticos ou cafés e restaurantes. E há gatos, muitos gatos, por toda parte.

Chefchaouen significa literalmente “pérola azul”, mas há controvérsias sobre a origem da fixação da cidade pela cor. Alguns defendem que as casas teriam sido pintadas de azul primeiramente por refugiados judeus vindos da Europa nos anos 1930 e 1940 para simbolizar o céu; outros, menos crédulos, garantem que a cor funcionaria desde tempos antigos como uma espécie de repelente para os muitos mosquitos que existiam por ali.

Durante o dia, além de tanto azul, é também arrebatadora a visão da cidade rodeada por montanhas. Vale passar uma noite por ali para ver como sua atmosfera muda depois que o sol se vai. Com mais tempo na cidade, caminhe até as Cascades d’Akchour, um conjunto de cascatas com piscina de água azul-turquesa nas Rif Mountains, a quase 45 minutos de Chefchaouen.

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Em busca do ouro líquido: a rota do óleo de argan

Usado para hidratar a pele e os cabelos, óleo é produzido na região entre Marrakesh e Essaouira - e é possível comprar direto dos produtores

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Na última década, com o crescimento do turismo internacional no país, o Marrocos também desenvolveu suas rotas turísticas, criando itinerários para fãs de uma determinada série ou que viajem com interesses específicos. Por um lado, surgiram os chamados “itinerários para nerds”, que focam em fenômenos da televisão e do cinema, como as rotas Star Wars e Game of Thrones, que percorrem lugares que serviram de locação para as grandes produções, geralmente instalados em pleno deserto marroquino.

Mas a rota turística que mais tem feito sucesso no país ultimamente tem sido a rota do argan. Desenvolvida em princípio para aproveitar a febre internacional do óleo de argan há alguns anos, a rota (também conhecida como rota do ouro líquido) acabou caindo no gosto dos turistas em geral e ainda vai muito bem, obrigada.

O famoso óleo capaz de deixar cabelos e pele sedosos e hidratados é velho conhecido dos marroquinos. Os primeiros registros de utilização do mesmo datam de mais de cem anos atrás. No dia a dia, diferentes versões do óleo são usados: anti-idade, hidratante, fortalecedor de unhas e cabelos, antisséptico, no combate a doenças de pele e até na comida. E a maioria dos spas e hammans do país têm menu de tratamentos específicos com o produto.

Reserva da Unesco

Boa parte dos passeios para conferir a produção do óleo se concentra nas estradas que ligam Marrakesh e Essaouira, que costumam ser ladeadas pelas árvores do argan, semente dura como uma noz e muito rica em vitamina E. A fartura do raro argan ali é tanta que a Unesco denominou a região como reserva mundial de biosfera por isso. 

Ao longo da estrada se desenvolveram algumas cooperativas femininas de produção artesanal do óleo, caso da Argan Co-Op (num povoado próximo a Essaouira), Toudarte (em Tamri, a 2h30 de Essaouira), entre outras. Os frutos são colhidos manualmente, separados de acordo com a utilização que terão, tostados ou triturados e amassados crus com auxílio de um pilão. 

Nesses locais, um litro completo de óleo de argan custa ao turista cerca de US$35 e garante boa parte da renda familiar das mulheres envolvidas nas cooperativas. Além do óleo, o argan costuma ser vendido também em versões creme, pomada, sabonete, xampu e azeite para cozinhar.

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Casablanca além da fama

Conhecida pelo filme homônimo, a metrópole de trânsito intenso tem pouco romantismo hollywoodiano, mas é ótima para compras

Mari Campos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 04h50

Alçada à fama internacional pelo famoso filme homônimo, Casablanca hoje transita sem pudores – e com toda a intensidade – pelo século 21. Esqueça o climão do filme com Ingrid Bergman e Humphrey Bogart: Casablanca é atualmente uma cidade grande (a maior do Marrocos), com trânsito confuso e cheia de gente.

Cosmopolita, se transformou em uma mistura equilibrada entre tradição e progresso. Com raízes romanas, a cidade foi planejada pelos franceses e seu nome, hoje uma palavra espanhola, foi inicialmente batizado em português. A elegância colonial é entrecortada por modernidades, como um interessante sistema de tram que facilita o transporte pela cidade toda.

A principal atração turística da cidade é sua mesquita Hassan II, uma das maiores do planeta. Construída à beira do oceano Atlântico no fim do século passado, a imensa mesquita feita em mármore e granito é capaz de abrigar até 100 mil fiéis ao mesmo tempo. Seu minarete de 210 metros de altura é o mais alto do mundo, tornando a mesquita figurinha fácil de identificar mesmo da janela do avião. O local recebe visitas turísticas diariamente.

Shoppings e souqs

As opções de compras em Casablanca são inúmeras, e vão desde os mercados populares e lojinhas de souvenirs até sua própria filial das Galeries Lafayette de Paris. O mercado central, muito menor e mais administrável que em  Fez ou Marrakesh, é imperdível: as lojas têm paredes branquinhas e telhados verdes, e vendem de tudo.

Banhada pelo mar, Casablanca exibe ainda adoráveis espaços verdes, como o Parc de La Ligue Arabe, o maior espaço verde da cidade, com direito a esplanada de palmeiras, espaços bucólicos e inúmeros cafés nos arredores.

Galerias de arte também são comuns, com destaque para a Villa des Arts, que ocupa um belo edifício art déco dos anos 30. Além das peças em exibição, o museu gratuito vez ou outra recebe concertos musicais.

O modernoso Quartier Gauthier é uma área muito procurada por expatriados, hipsters e jet-setters. Ali se concentram lojas, galerias, cafés e restaurantes em abundância, como o gostoso Mood Café. É bom para compras, para sentar num café e ver a vida passar ou mesmo para a happy hour. 

Tradição em Casablanca é também dar uma passadinha no bairro Quartier Habous para visitar a Patisserie Bennis Habous, uma verdadeira instituição local. Essa doçaria familiar, aberta em 1938, vende docinhos árabes, marroquinos e franceses a granel – e o difícil ali é escolher o que provar.

 

 

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