Memórias da renascida Varsóvia pós-guerra

Pulverizada por Hitler durante a 2.ª Guerra Mundial, cidade foi reconstruída tal qual era antes dos bombardeios

Steve Dougherty, The New York Times

29 Setembro 2009 | 02h35

Quando, em uma tarde do outono de 1937, o engenheiro de armas alemão e espião Edvard Uhl chega a Varsóvia para um encontro com uma deslumbrante condessa polonesa, a brilhante, mas já condenada capital, desfrutava seus últimos momentos de paz. "Acima da cidade, o céu estava em guerra", escreve o romancista Alan Furst logo no começo do recém-lançado The Spies of Warsaw (Os Espiões de Varsóvia, Random House, 288 págs., US$ 25 ou R$ 45 na www.amazon.com).

 

COMO ANTIGAMENTE - Praça do Mercado, na Cidade Velha, foi reerguida com a ajuda de fotos e pinturas que hoje enfeitam as ruas (como na foto abaixo)

O cenário para as intrigas criadas pelo autor - ruas arborizadas, românticos cafés, alegres salões e sinistras ruelas de uma cidade à beira da catástrofe - é detalhadamente descrito. A ficção se mescla à história, de maneira que os visitantes podem identificar, na Varsóvia de hoje, os cenários daquele glamouroso período pré-guerra. "Apesar de Varsóvia ter sido completamente destruída na 2ª Guerra Mundial, seu passado ainda está vivo. É como assistir à história", disse o escritor americano.

 

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A capital polonesa foi a primeira localidade bombardeada por Adolf Hitler, 70 anos atrás. E a única quase totalmente destruída. Determinados a resgatar a cidade, os poloneses reconstruíram-na tijolo por tijolo. Tarefa nada fácil, já que a maior parte foi pulverizada.

 

Com ajuda de pinturas a óleo, cartões-postais, fotos de jornal e álbuns de família, arquitetos e engenheiros reerguerem, do zero, a medieval Praça do Mercado, na Cidade Velha, e a Cidade Nova, do século 15. Praticamente tudo o que se vê nesses locais são recriações, assim como a maioria dos palácios, catedrais e monumentos.

No centro da cidade, o imponente Hotel Europejski concentra a ação do livro de Furst. Os bailes grandiosos e vistosos banquetes já não ocorrem mais no hotel, fechado desde 2005 para reformas. O antigo lobby hoje abriga uma pouco visitada galeria de arte, com uma exposição de fotos de antes da guerra. A visita ao prédio do século 19 vale também pelo excelente restaurante U Kucharzy (www.gessler.pl), na antiga cozinha do hotel. Um café-bar, na esquina sudoeste, proporciona a visão da Praça Pilsudski, onde fica um fragmento do majestoso Palácio Saxon do século 19, antes localizado ali: uma colunata arqueada que enfeita o túmulo do Soldado Desconhecido da Polônia. Sagrada para os poloneses, a praça foi rebatizada com o nome de Hitler durante a ocupação alemã.

SOBREVIVENTE

Antigamente um aglomerado de cortiços e fábricas abandonadas de vodca e chocolate, o bairro de Praga, na margem oposta do Rio Vístula, ganhou novo fôlego. Hoje, a área está repleta de artistas, estudantes e empresários, além dos trabalhadores que sempre moraram por ali.

Guias de turismo costumam descrever Praga como um lugar perigoso que deve ser evitado à noite. Uma injustiça. O bairro abriga alguns dos cafés, bares e restaurantes mais interessantes de Varsóvia. E, como os alemães não a bombardearam e os russos a deixaram intacta, a região dá aos visitantes a visão mais precisa de como a capital polonesa era antes de 1945.

GUETO

O Caminho da Memória, Martírio e Combate é um tour a pé pelo antigo Gueto de Varsóvia, onde os alemães aprisionaram judeus atrás de muros de 3 metros de altura. Um dos endereços mais emblemáticos é a Rua Mila, palco da última resistência dos insurgentes judeus contra o exército alemão, em 1943.

A revolta do gueto e a subsequente rebelião de 1944 são motivos de orgulho para os jovens da Varsóvia de hoje. Difícil localizar os fragmentos que restaram do muro do gueto - um deles, no número 55 da Rua Sienna. "Os judeus da Rua Mila eram da minha idade", afirma a estudante Martyna Gorska, de 20 anos. "A história deles é a minha história." Alan Furst não poderia ter dito algo melhor.

 

São Paulo-Varsóvia-São Paulo:

linka partir de R$ 2.302 na TAM (4002-5700)

linkR$ 2.406,11 na Lufthansa (0--11-3048-5800)

linkR$ 2.511,82 na KLM (4003-1888)

linkR$ 2.583,48 na Air France (4003-9955)

linkVoos com conexão

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