Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Memórias de um novo jeito de ser brasileiro

Com a chegada da corte portuguesa, no início do século 19, ocorreu uma “revolução linguística” no Rio de Janeiro. Segundo Ataliba Teixeira de Castilho, assessor linguístico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a cidade recebeu 16 mil pessoas, o que mudou o português local. “A língua falada na corte é a de mais prestígio em qualquer lugar”, explica.

07 Maio 2012 | 19h30

Não foi apenas o idioma, logicamente, que mudou. Saneamento, saúde, cultura, artes e arquitetura ganharam em qualidade, de acordo com o livro 1808, de Laurentino Gomes. Era preciso, afinal, “modernizar” a cara – e os hábitos – da então capital. Na época, mesmo a Quinta da Boa Vista, palácio que serviu de residência para a família real, foi considerada “acanhada e pessimamente mobiliada” pelo negociante inglês John Luccok. Hoje Museu Nacional, o edifício está cercado por um belo parque.

 

D. João também ordenou que as fachadas das casas mudassem. A maioria das janelas tinha estilo mourisco, com treliças de madeira na parte inferior que permitiam aos moradores observarem o movimento sem serem vistos, e o príncipe regente mandou que todas fossem removidas em no máximo oito dias.

 

A Capela Real, no bairro do Flamengo, recebia os principais concertos, assim como o Teatro São João – foi inaugurado em 1813, mas acabou destruído por um incêndio e deu lugar ao Teatro João Caetano. Fica na Praça Tiradentes, que passou por uma ampla reforma no ano passado e tem no centro uma escultura de D. Pedro I, inaugurada por D. Pedro II em 1862.

Antes de se fixar no Rio, D. João VI e comitiva passaram um mês em Salvador, uma cidade de construções coloniais e uma infinidade de igrejas – dizem que há uma para cada dia do ano. A maioria delas, afinal, foi erguida antes da chegada da família real, entre os séculos 17 e 18.

 

Tal parada, que durante muitos anos se imaginou acidental, hoje já é dada por muitos historiadores como estratégica. Primeira capital do Brasil, Salvador estava descontente com a transferência do título para o Rio de Janeiro, em 1763, e a chegada da família real era um gesto de prestígio. Durante o tempo que ficou na cidade, D. João também turistou: visitou, ao lado de D. Pedro, a Ilha de Itaparica. /ADRIANA MOREIRA E NATHALIA MOLINA

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