Aryane Cararo/Estadão
Aryane Cararo/Estadão

Memórias de uma Antonina festeira e boa de conversa

Eu poderia começar falando que ela tem o melhor carnaval do Paraná, daqueles que mobilizam a cidade inteira em escolas e blocos à moda antiga e atraem milhares de turistas. Ou contar do Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná, que há 23 invernos, durante uma semana de julho, leva oficinas, shows, espetáculos e muita cultura para suas ruas, num arremedo de Paraty, mas sem foco na literatura. Talvez devesse dizer que dali saíram as primeiras remessas de ouro para Portugal e que ele e a erva-mate proporcionaram à cidade um conjunto arquitetônico rico e colorido, que mereceu ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

ANTONINA, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2013 | 02h17

Mas não é essa Antonina, cidade a 15 quilômetros de Morretes, que me vem primeiro à mente. São as cadeiras nas calçadas, nos fins de tarde preguiçosos e quentes, do pôr do sol amarelado e vizinhos conversando até a noitinha. A cidade, que me viu começar a andar, merece o título de querida. Povo hospitaleiro, bom de prosa e alegre. Também lembro da brisa do mar que bate fresquinha no píer, de onde partem barcos para os manguezais, Superagui e Ilha do Mel. Ali do trapiche se tem a melhor vista da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, de 1714 (data também da fundação do povoado), e das ruínas do Armazém dos Macedos, ao lado da antiga fábrica de bananas - é no casarão abandonado que são tiradas as fotos mais icônicas.

Lembro ainda da prainha na Ponta da Pita, onde a molecada até hoje joga bola e se lança em piruetas na água, enquanto pescadores esperam sentados nas pedras. No caminho para lá, lembro que nas ruínas do Complexo Industrial Matarazzo, do início do século 20, com moinhos de trigo e vilas de operários, eu também já cheguei a morar. Não sobrou vida por ali, só tristeza e curiosidade turística.

Por fim, lembro do prazer de ter sempre à mesa carne de siri e caranguejo, e especialidades como o barreado. E, toda vez que começo a esquecer, decido que está na hora de pegar a Estrada da Graciosa de volta. /A.C

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