Mendoza a dois

Ótimos vinhos e hotéis charmosos contribuem para o clima de romance estar sempre no ar

Karen Abreu, Especial para O Estado

30 Novembro 2017 | 04h26

Além de uma excelente companhia, uma viagem a dois requer alguns detalhes para ser especial, como paisagens inspiradoras, hotel charmoso, bons vinhos... E Mendoza, a 710 quilômetros a oeste de Buenos Aires, perto da fronteira com o Chile, reúne todos os ingredientes para os casais exercitarem o clima de romance – e, de quebra, aprenderem os meandros do universo do vinho. 

A cidade, afinal, é considerada a capital argentina da bebida, famosa pela produção de malbecs e responsável por 70% dos vinhos fabricados nacionalmente, cujas bodegas estão aos pés da Cordilheira dos Andes. Assim, o cenário mescla picos que se mantêm nevados o ano todo com infindáveis parreirais, os quais se espalham pelas cidadezinhas de Maipú e Luján de Cuyo, vizinhas de Mendoza, e pelo Vale de Uco, a 100 quilômetros de distância. E é dessas plantações que saem as uvas usadas por 980 vinícolas, das quais cerca de 200 podem ser visitadas – muitas delas também oferecem hospedagem.

Com tantos empreendimentos do gênero, uma viagem à região significa peregrinar entre as bodegas. Ainda que a programação se repita – passeio por vinhedos, pela cave que guarda os barris de carvalho, pela sala com tanques de aço inoxidável e, claro, a prova dos rótulos da casa –, cada produtora oferece uma experiência diferente. 

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Na Trapiche (trapiche.com.ar), em Maipú, os visitantes veem a primeira prensa mecânica usada naquelas paragens, bem como os salões com piso e teto originais de 1920 e a antiga linha de trem, que levava a produção local para Buenos Aires. A Trivento (trivento.com), a oito quilômetros dali, também oferece o combo “vinhedo-cave-degustação”, mas tem diversas atividades extras. Dá para andar de bicicleta ou fazer um piquenique entre as parreiras, por exemplo. E, na tradicional Familia Zuccardi (familiazuccardi.com), é possível associar a visita a aulas de culinária, colheita de uvas, realizada entre 15 de fevereiro e 15 de abril, e até passeio de balão. 

Uma série de vinícolas famosas se espalha também por Luján de Cuyo, vizinha de Maipú. Ali está a Catena Zapata (catenazapata.com), que oferece uma visita padrão. E nem precisa mais do que isso: a Catena faz rótulos de alto nível e é a grande referência entre as produtoras mendocinas de vinho malbec. Não à toa, seus rótulos são extremamente premiados. Assim, no passeio realizado lá, é certo que a degustação envolverá vinhos excelentes. 

Puro requinte. Há cerca de 15 anos, outra região emergiu como Éden vitivinícola: o Vale de Uco. Nessa vizinhança ficam cerca de 15 vinícolas-butique, todas produtoras de vinhos premium. A bebida ganha esse peso porque, ali, há uma combinação perfeita entre altitudes mais elevadas, temperatura em torno de 4 graus a menos do que em Mendoza e maior amplitude térmica, resultando em uvas com mais taninos, que geram vinhos mais complexos. 

São paradas imprescindíveis as bodegas Andeluna (andeluna.com.ar), dona de uma das sedes mais bonitas; a Salentein (bodegasalentein.com), cheia de obras de arte; a La Azul (bodegalaazul.com), com uma linda vista para os Andes; e a Zorzal (zorzalwines.com), onde o vinho é armazenado em grandes ovos de cimento, que substituem os barris de madeira, conceito que chegou à região pelas mãos dos donos da Zorzal.

Mas o suprassumo dessa rota etílica é o complexo The Vines (vinesofmendoza.com), misto de condomínio de produtores de vinho – qualquer um pode comprar lotes ali e ter seu próprio parreiral –, hotel charmoso e um restaurante excepcional, o Siete Fuegos. Uma boa pedida para um jantar a dois, seja por conta do visual (às margens de um lago, cercado por vinhedos emoldurados pelas montanhas nevadas), seja pela experiência gastronômica, capitaneada pelo renomado chef Francis Mallmann. O menu é centrado nas carnes argentinas, preparadas segundo a técnica de chama aberta criada por Mallmann – um dos hits da casa é a costela assada por nove horas no fogo de chão. 

Além das vinícolas

Passeio Alta Montanha

O destaque do tour, que serpenteia os Andes e é vendido pelas agências de Mendoza, é o parque onde está o Aconcágua, o maior pico da América do Sul, a 6.962 metros de altitude.

Pq. General San Martín

Orgulho mendocino, tem vários cantinhos agradáveis para descansar. O ponto culminante do parque é o Cerro de la Gloria, que revela uma bela vista dos Andes.

Plaza Independencia 

Entre suas árvores e fontes há feira de artesanato e apresentações. Dali sai a Calle Sarmiento, calçadão com restaurantes, cafés e lojas – de vinho, inclusive.

 

 

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