Isabelle Kunf/Flow Sinergy
Isabelle Kunf/Flow Sinergy

Mergulho em Bonaire: veja como cair n'água

Desça do avião de snorkel e pé de pato. Ilha do Caribe é um dos melhores lugares de mergulho, com mais de 350 espécies de peixes

Thiago Momm, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 03h00

KRALENDIJK- Quando chegar a Bonaire, um conselho: alugue o quanto antes um snorkel. Se tiver um, aliás, é melhor até já descer a escada do avião com ele.

Ao desembarcar ali, em 1962, o capitão Don Stewart escreveu em seu diário de bordo que parecia se tratar de “uma ilha fantástica debaixo d’água”, com “jardins de corais” que ele dizia nunca ter visto antes. Sua visão era tão literal quanto figurada. Em um ano ele se tornaria um pioneiro oferecendo mergulhos e, após uma saga de décadas, é apontado como o maior responsável pela popularização da prática em Bonaire. 

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No começo, Don tinha apenas um pequeno compressor e cinco tanques de oxigênio, além de noções ferrenhas de preservação de corais que, dizem, o teriam feito socar e expatriar alguns mergulhadores que tentaram surrupiá-los como souvenir. 

Ele participou, nos anos 1970, da criação do Parque Nacional Marítimo de Bonaire, que fortaleceu as leis de preservação ambiental avant la lettre da ilha – o cuidado com os corais, a proteção de tartarugas e a proibição de pesca com arpão datam todos de mais de 40 anos atrás. O resultado é um dos melhores lugares de mergulho do Ocidente, com mais de 350 espécies de peixes e quase 60 de corais.

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“Se existe um lugar feito para mergulhar (e fotografar debaixo d’água), esse é Bonaire”, escreveu um dos principais fotógrafos do ramo no mundo, Stephen Frink, ao detalhar 16 paraísos subaquáticos. Bonaire só não seria ideal para quem busca “tubarões e criaturas grandes”. 

Daí a profusão de mergulhadores na ilha. Eles emergem, atravessam corais e surgem o tempo todo à beira do asfalto, com suas roupas de neoprene escuras e tubos de oxigênio cinza-claros, como lerdas e saciadas criaturas marinhas. A água é sempre morna, no máximo com meia pedrinha de gelo, e sua visibilidade chega a 30 metros, o que significa enxergar o outro lado de uma avenida em um mundo liquefeito. 

Ficar embasbacado não depende de sorte ou esforço. A maioria dos pontos de mergulho começa na própria costa, dispensando barco – ao pular na água você estará a três ou quatro metros do fundo, finalmente prestando atenção em todos aqueles peixes que parecem nadar em televisões à venda. 

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São dezenas de minutos sonorizados só pela própria respiração, embora tenha quem leve MP3 à prova d’água. No final do dia, no bar, você reconhece os mergulhadores pela serenidade trazida lá de baixo. Trazem também um pouco de desprezo saudável por quem passou o dia avistando a superfície. 

Bonaire tem hoje, oficialmente, 63 pontos de mergulho, que se somam a outros 23 da pequena ilha vizinha, Klein Bonaire. Nenhum é igual ao outro, como comprovamos um pouco por conta própria e muito com a leitura do Bonaire Dive Guide, distribuído de graça pela ilha. 

Capitão Don morreu no ano passado. Tinha 89 anos. 

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