Curaçau Tourist Board
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Mergulho nas entranhas de um naufrágio em Curaçau

Descemos à altura de um prédio de 10 andares para conferir a vida submersa no Superior Producer, afundado em 1977

Murilo Souza, O Estado de S. Paulo

15 Junho 2015 | 19h47

Um ano depois, voltei a Curaçau para mergulhar mais fundo. A temperatura do mar na ilha varia entre 24 e 28 graus, raramente eriçando os pelos do braço e, em geral, dispensando o uso de roupa de borracha. Há 65 pontos de mergulho para se dividir, com visibilidade frequentemente acima dos 20 metros, vida marinha em ebulição e formações de corais complexas, muitas vezes com pigmentações intensas. A vizinha Bonaire, a poucos minutos de voo dali, tem uma fama mundial maior como paraíso de mergulho, mas isso não quer dizer que Curaçau não seja um.

Em vez de 18 metros de profundidade, como da última vez – limite máximo permitido para mergulhadores iniciantes –, queria agora descer a 30 metros, mesma altura de um prédio de 10 andares. Um dos objetivos era ver de perto os restos de um dos muitos naufrágios que se espalham ao redor da ilha. Depois de conseguir a certificação para descer até essa profundidade, juntei-me a outros sete mergulhadores que iriam fazer uma visita ao Superior Producer, um cargueiro com 50 metros de comprimento que afundou próximo à saída do porto de Curaçau, em 1977.

Dizem que o naufrágio se deu enquanto o navio deixava o porto a caminho de Isla Margarita, em território venezuelano, já carregado de combustível e suprimentos. Uma tempestade teria deslocado a carga no convés, levando a embarcação a encher d’água e a tombar. Mesmo rebocado, acabou afundando a 60 metros da costa de Otrobanda.

Saindo da praia, submergimos depois de passar pela fraca arrebentação. Em poucos minutos, graças a uma visibilidade média de 30 metros, já foi possível ver o deque de comando do cargueiro, localizado na popa, a 25 metros de profundidade. De longe, o navio parecia deitado em posição de navegação, como se tivesse feito uma breve pausa para descansar antes de seguir viagem.

A menos de um metro da estrutura, a profundidade faz a água ganhar um tom azul petróleo e qualquer variação de cor fica mais rara pela ausência de luz natural. O tempo também parece passar em câmera lenta, com os peixes ditando o ritmo do tic-tac. O silêncio quase absoluto só é perturbado pelas bolhas dos respiradores.

Os porões do convés têm todas as portas abertas, mas já havíamos sido advertidos pelo guia que entrar não seria permitido. Mesmo assim, descemos até a entrada, uns quatro metros abaixo do deque de comando. Barracudas e tartarugas surgem como referências em meio ao caos organizado dos cardumes que habitam o navio. Bem de perto, é nítida a presença da craca formada por algas e corais na superfície da embarcação, o que denuncia os quase 40 anos do naufrágio.

De repente, os 15 minutos que tínhamos para permanecer àquela profundidade tinham acabado. Trocamos sinais e começamos a subida de volta à superfície, seguindo uma trilha imaginária no meio da parede de corais. Fora da água, começo a pensar em um mergulho noturno, guiado por lanternas a prova d’água. Quem sabe na próxima vez. 

Quem ainda não pode descer a tamanha profundidade tem várias outras opções – escolha o seu aqui. Espere gastar cerca de US$ 140 para duas aulas introdutórias e pouco mais de US$ 400 para o certificado de um curso com cinco mergulhos. Clique aqui para conferir a lista com as operadoras. /COLABOROU THIAGO MOMM

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