Mesa farta com carnes e peixes

Pratos simples e caseiros, mas com porções bem generosas, destacam-se nos restaurantes

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2008 | 02h50

"O salmão mais fresco do mundo!", exalta Juan Muñoz, cozinheiro do lodge Vida Salvaje, à margem do Parque Nacional Queulat. "Cozinheiro não", contesta, apesar de saber o tempo de forno ideal para servir o peixe, passado apenas no sal, acompanhado de purê de batatas e uma fatia de limão siciliano.A simplicidade de Muñoz é a marca da gastronomia local. Descendente de índios tehuelches, que ocuparam a região antes dos colonizadores chilenos, o cozinheiro que não gosta de ser chamado de cozinheiro ainda serviu uma providencial sopa de frutos do mar (caldillo marinero) para esquentar.Apesar de não saber como seus antepassados se alimentavam, ele supõe que a base devia ser a mesma: peixes da região, como trutas, congros, merluzas, robalos e salmões. São eles que dão as cores ao carpaccio de salmão do restaurante Mesón Don Quijote, a cinco minutos de carro de Coyhaique, e ao ceviche de salmão e merluza do restaurante La Casona, no coração da cidade. A delicatessen fica a cargo dos puyes, peixes pequeninos, longos e estreitos, cozidos pelo sumo de limão, e servidos como entrada no verão. A chilena Magalis González Paredes, dona do La Casona, faz questão de dar um toque aconchegante à casa. Cortinas rendadas nas janelas cercam as 15 mesas. Já o espanhol Juan Montes Vega, do Mesón Don Quijote, aposta em salões para receber grandes levas de turistas. Grandes ou pequenos, os restaurantes investem em porções generosas. Por isso, tenha parcimônia, principalmente se o pedido for carne vermelha.Vega exibe um monumental contrafilé com molho de cogumelos e purê de batatas, enquanto Magalis prepara o Lomo de la Casona, prato em que o lombo envolto com bacon mal deixa espaço no prato para o creme de milho. "Aqui toda carne é orgânica", gaba-se Vega.O prêmio de restaurante mais caseiro, porém, fica com o Mi Casita de Té, em La Junta, ao norte de Puyuhuapi. Eliana Larenas transformou o quarto do filho, Jorge, de 10 anos, em sala de jantar. Ali ela serve carne de panela, saladas, massas e sobremesas com bons preços e atendimento personalizado. Nos hotéis, a lógica das vastas porções é a mesma, mas com toque refinado. No lodge Espacio y Tiempo, também em La Junta, a carne de cervo é a especialidade. Já no spa Puyuhuapi, o jovem chef Carlos Cortés prepara pratos bem mais elaborados, como o salmão local com crosta de ervas e nori com pil-pil de camarões.Mesón Don Quijote: : www.mesondonquijote.cl La Casona: (00--56-67) 238-894Mi Casita de Té:(00--56-67) 314-206Estrela localEntre tantas boas opções gastronômicas em Coyhaique, o restaurante Dalí (00--56-67- 245-422) alcançou destaque internacional e figura na lista dos restaurantes recomendados pela Condé Nast. O espaço é intimista: há apenas 16 lugares na casa comandada pelo chef Cristián Balboa. Do lado de fora, um mural lembra os trabalhos do pintor espanhol que nomeia o restaurante. Os pratos são apresentados com estilo, sem perder o sabor típico da cultura regional. No cardápio, delícias como bife de chorizo com tortillas patagônias e duo de raviólis, com recheio centolas e ostiones, um tipo de marisco. Aberto todos os dias para almoço e jantar.  

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