México sem visto: pergunte-me como

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br,

17 Novembro 2010 | 17h18

 

Por que o México exige visto de brasileiros? Todo mundo que algum dia tenha pensado em ir a Cancún já se fez essa pergunta. Nenhuma autoridade confirmará isso com todas as letras, mas a exigência de visto deve-se à política de fronteira dos Estados Unidos para controlar a principal porta de entrada de imigrantes clandestinos. Diante da crise americana, porém, o governo mexicano tem aberto brechas para facilitar a viagem de turistas de mercados emergentes não afetados pela crise econômica mundial. A primeira afrouxada veio quando os possuidores de visto americano foram dispensados de visto mexicano para entrar no país. E, agora, esta: brasileiros, russos e ucranianos podem requerer uma autorização eletrônica para viajar, sem precisar comparecer pessoalmente a um consulado munidos de uma pilha de documentos.

A escolha das nacionalidades não é ao acaso: russos e ucranianos estão atualmente entre os hóspedes mais numerosos dos resorts de Punta Cana, na República Dominicana. E, no nosso caso, o México sonha em criar condições para uma nova invasão brasileira a Cancún, como ocorreu na outra época do real fortíssimo, entre 1994 e 1998.

 

Antes de planejar sua viagem sem visto, porém, conheça as pegadinhas. Primeiro, é preciso que a sua companhia aérea participe do sistema de emissão de autorizações eletrônicas da embaixada. Por enquanto, só a Aeromexico aderiu ao sistema. Viajando com companhias latino-americanas ou americanas, você vai precisar ou do visto americano ou do mexicano. E tão importante quanto: é preciso que o seu requerimento seja aprovado; caso contrário, precisará comparecer pessoalmente a um consulado. Para pedir a sua autorização de viagem, acesse inm.gob.mx e escreva "autorización electrónica" no campo de busca.

 

Vale a pena: poucos países são tão diversos quanto o México. E o melhor de tudo: os preços estão bastante camaradas.

 

Riviera Maia além de Cancún. Aquele paredão de prédios em forma de pirâmide à beira-mar é só uma pequeníssima parte do que o Caribe mexicano tem a oferecer. Cancún é uma base para visitar as ruínas maias de Chichén Itzá (uma das novas maravilhas do mundo) e Tulum, para mergulhos em cenotes (rios subterrâneos) e para ecoparques temáticos que misturam Brotas com Orlando. E Cancún nem é o lugar mais bem situado para explorar a região. Playa del Carmen, a Búzios da Riviera Maia, a 70 km na direção sul, está mais próxima de tudo (menos de Chichén Itzá) e é construída em escala humana; dá para ir caminhando tanto para a praia quanto para a noite. Tulum, 120 km ao sul de Cancún, tem uma vocação zen. E espalhados pela Riviera estão todos os resorts de grandes redes all-inclusive (como Iberostar, Palladium e Gran Bahía Príncipe), normalmente situados em praias mais tranquilas e ainda mais bonitas que a de Cancún. Para ter um gostinho do México colonial, aproveite a ida a Chichén Itzá para visitar (ou pernoitar) em Valladolid ou Mérida.

 

Cidade do México: demore-se nela. Não pense na capital como uma escala rápida. A Cidade do México não é grande só no tamanho - há muito o que ver. Inicie sua visita pelo Museu Nacional de Antropologia: é um dos melhores do mundo e prepara você para entender tudo o que verá no país. No segundo dia vá às pirâmides de Teotihuacán; pegue um passeio combinado com um pit stop na Basílica da Virgem de Guadalupe (mais interessante pelo folclore do que pela história ou arquitetura). O terceiro dia deve ser dedicado ao casal mais famoso das artes mexicanas: visite o Museu-Estúdio de Diego Rivera e depois siga para o lindo bairro de Coyoacán para ver o Museu Frida Kahlo, que funciona na casa da artista. Dentre os programas superturisticões, vá ver os mariachis à noite na Plaza Garibaldi, passeie pelos canais de Xochimilco e assista a uma luta livre. A noite descolada fica no bairro de La Condesa, o equivalente local ao Palermo Soho de Buenos Aires.

 

Circuito da Prata ao norte. Um rosário de cidades que tiveram seu apogeu no ciclo mexicano da prata pode ser encontrado ao norte da capital. A mais simpática das cidades da prata é Guanajuato, a 373 km, hoje uma colônia de estudantes (seria a Ouro Preto deles). A mais sofisticada é San Miguel de Allende (275 km da capital), que se tornou um ímã de americanos - uma espécie de nova Santa Fé, desta vez em autêntico território mexicano. Indo a qualquer uma das duas, não deixe de passar por Querétarao (a 220 km do DF), famosa por suas portas artisticamente esculpidas. Se não quiser voltar à capital, termine o giro em Guadalajara (a 270 km de Guanajuato).

 

Cidades mestiças ao sul. O México mais indígena é melhor apreciado ao sul da Cidade do México. Puebla, a 150 km, é o berço do maior tesouro da culinária mexicana, o mole poblano, molho que leva chocolate e especiarias entre seus ingredientes e que acompanha perfeitamente qualquer ave. Oaxaca, 370 km adiante, é a cidade em que a arte indígena atingiu seu nível mais alto - aproveite para visitar as ruínas zapotecas do Monte Albán. San Cristóbal de las Casas, em Chiapas, a 600 km de Oaxaca, tem o casario mais singelo e um turismo mais alternativo. Funciona como base para visitar as ruínas maias de Palenque, as mais impressionantes do México, por serem as únicas em meio à selva.

 

E a costa do Pacífico? O litoral oeste mexicano é pontilhado por praias belíssimas, mas, com exceção de pequenas baías aqui e ali, não tem aquele mar azul-bebê hipnotizante da costa caribenha. Mesmo tendo experimentado nos últimos anos um pequeno revival, Acapulco fica melhor nas reprises da Sessão da Tarde. Puerto Escondido, ao sul, é uma meca de surfistas; mas se você não surfa, há pouco o que fazer. As novas estrelas da costa do Pacífico estão mais ao norte. Puerto Vallarta, onde Elizabeth Burton e Richard Burton começaram sua longa novela da vida real, tornou-se o principal destino GLS do México. E, na Baixa Califórnia, Los Cabos desponta como uma versão mais sofisticada de Cancún, voltada para os americanos que estão longe do Caribe.

 

Ônibus: simplesmente um luxo. Não se deixe deter pela malha aérea doméstica limitada. Os ônibus do México permitem que se viaje com muito conforto. Basta escolher as categorias lujo e ejecutivo e você viajará em ônibus novos, impecavelmente mantidos, com direito a serviço de bordo e bancos com reclinação de primeira classe de avião (ótimo para viagens noturnas). Evite, no entanto, as rotas que são feitas só por ônibus primera clase - são ônibus de quinta categoria, que levam passageiros até de pé. Para viajar bem, compre viagens para o sul da Cidade do México no site. E para o norte, no endereço.

 

O hype: hotéis Habita. Se puder, tente se hospedar num dos hotéis do grupo Habita, que faz uma hotelaria-design bastante charmosa. Na Cidade do México, a boa dica é ficar no Condesa DF, no coração de La Condesa; em Playa del Carmen, considere o Deseo e o Básico; e, se passar por Puebla, reserve o La Purificadora (Twitter: @grupohabita).

 

 

Internet para viagem

 

O fórum de discussão de viagem começou há pouco, mas promete muito. Para postar mensagens é preciso estar registrado, o que garante a qualidade das conversas e das informações. Excelente sobretudo para viagens independentes aos Estados Unidos, com dicas testadas de viajantes experimentados

 

Dossiê

Para ver o Internacional em Abu Dabi

 

Aerotur. A agência porto-alegrense leva os torcedores no avião fretado pelo Inter, num voo direto Porto Alegre-Abu Dabi, no Emirados Árabes, com escala apenas para reabastecimento. Como é o voo da delegação, a partida é bastante antecipada, dia 8 de dezembro (o primeiro jogo do time gaúcho no Mundial de Clubes será só dia 14). A volta será no dia 19. A hospedagem pode ser tanto em Abu Dabi quanto em Dubai, com traslado para as partidas e ingressos garantidos. Os pacotes custam a partir de R$ 6.070 (de entrada) mais 4 parcelas de R$ 1.520. Informações: (51) 3228-8144 ou mundial2010@aerotur.com.

Freeway Sports. Leva os colorados em voos regulares da Qatar (a Doha, com traslado a Dubai, que fica a 200 km) e da KLM (a Dubai, com conexão em Amsterdã). Há saídas confirmadas para os dias 11, 12 e 13 de dezembro. A hospedagem é em Dubai, com traslado para Abu Dabi nos dias dos jogos e ingressos garantidos para as partidas do Inter. Os pacotes com a KLM são os mais em conta; custam desde US$ 3.825, com 40% de entrada e saldo em duas vezes no cartão. Informações: (11) 5088-0999 ou valquiria@internomundial.com.br.

 

 

Bill Cash

Nosso especialista em viagens perdulárias. Sempre arranjando uma desculpa para chutar o balde

 

"Vocês estão prestando atenção nessas novas rotas da Lan? Tem um voo de Foz do Iguaçu para Lima e outro de Lima direto para a Ilha da Páscoa. Isso me inspira a fazer um giro místico-chique Cataratas-Machu Picchu-Ilha da Páscoa. Deve valer cada centavo - em dobro!"

 

 

Veja também:

 

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linkHoras de dedicação ao pecado da gula. E à merecida e sagrada siesta

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