Thomas Samson/AFP
Thomas Samson/AFP

Mictórios a céu aberto causam polêmica nas ruas de Paris

'Uritrottoirs' começaram a ser instalados perto de pontos turísticos. É o caso de incentivar homens a urinarem nas ruas?

Sami Acef, AFP

14 Agosto 2018 | 18h07

PARIS - Singulares estruturas vermalhas de cimento proliferam há algumas semanas nas ruas de Paris. As autoridades estão testando um sistema de mictórios "ecológicos" que divertem os turistas e provocam irritação em moradores.

Em uma cidade em que não é raro ver homens urinando nas ruas, alguns residentes receberam a chegada dos "uritrottoirs", um tipo de mictório instalado nas ruas, ao ar livre, como uma ideia que pode ajudar a livrar Paris do mau cheiro. Outros reclamam que essas estruturas vermelhas, similares a lixeiras, estragam a estética das pitoriescas ruas de Paris. E há ainda quem ache que há algo estranho em incentivar os homens a urinarem nas ruas, mesmo que em um mictório.

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"É um pouco estranho, mas se for preciso, é melhor que urinar na rua", disse Jonathan, um turista de Nova York. "Urinar ao ar livre pode ser incômodo para algumas pessoas", acrescenta, enquanto barcos com dezenas de turistas passam logo ao lado, nas águas do Rio Sena.

Cobertos por canteiros de plantas, os mictórios "ecológicos" são preenchidos com palha para minimizar os odores. A prefeitura recolhe a palha para fazer fertilizantes.

Os primeiros mictórios foram instalados discretamente em vários pontos da cidade como teste há alguns meses. Mas a instalação recente do primeiro destes equipamentos na superturística Ilha St. Louis, perto da Catedral de Notre Dame, está causando a revolta dos moradores.

Françoise disse estar "escandalizada" pela instalação destes mictórios "muito pouco estéticos" em seu bairro. "Parece bom, mas colocá-lo aqui é uma má ideia", concorda Grégory, um fotógrafo de 43 anos que vive no bairro há três anos. "Deveriam tê-los colocado nos píeres", completa.

Os mictórios devem ser acessíveis a veículos para que possam ser esvaziados a cada três semanas. A prefeitura de Paris se defende afirmando que os mictórios são instalados "a pedido dos moradores" e lembra que, no momento, estão em fase de testes.

"Estamos totalmente abertos a discutir sobre sua localização", disse Evelyne Zarka, uma funcionária da administração do 4º Arrondissement, ao qual pertence a Ilha St. Louis.

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O "uritrottoir" mais exposto é sem dúvida o que fica perto do famoso cabaré Moulin Rouge, que muitos consideram desnecessário por estar a poucos metros de um banheiro público.

Sobre a falta de privacidade, Laurent Lebot, um dos designers da empresa Faltazi, que criou os mictórios, explica que a polícia não queria espaços onde as pessoas pudessem se esconder "para evitar problemas com drogas e sexo que podem ocorrer em mictórios fechados".

Mas a principal crítica até agora é que as autoridades só pensaram nos homens. "E as mulheres?", se perguntam as parisienses.

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