Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

Minimundo

A visita a uma casa francesa com lavandas provençais no jardim fica a alguns minutos de carro de um sobrevoo pela Califórnia. Bem como poucos quilômetros separam uma expedição às alturas do Everest de um mergulho ao fundo do mar, entre arraias, tubarões e todas as cores de corais e peixes. E mais as cidades, naves espaciais e vilas imaginárias que povoam o cinema. Nada tão grandioso, diverso ou inesperado quanto o planeta pode ser em versão original. Mas, ainda assim, surpreendente.

MÔNICA NÓBREGA / ORLANDO, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2013 | 02h09

Se, por um lado, Orlando oferece uma versão pasteurizada de experiências turísticas - é um minimundo, resume sem querer o título de uma das atrações mais populares do Magic Kingdom, parque da Disney que colocou a cidade no mapa 41 anos atrás - por outro, sabe fazer isso com admirável competência. Diversão é negócio sério por lá.

Tanto que em nenhum outro lugar se veem tantos lançamentos, tantas novidades por temporada. Só em 2012 foram Turtle Trek, no Sea World, e Meu Malvado Favorito, no Universal Studios.

Ilha da fantasia. A mais recente é a ampliação da Fantasyland, área do Magic Kingdom dedicada a personagens clássicos como Pinóquio, Mickey, Pateta e, desde a inauguração oficial, no mês passado, também as princesas Bela e Ariel.

Mesmo que sem ofuscar a imponência do castelo da Cinderela, símbolo do império Disney, a imagem do novo castelo da Fera guia os passos até a área recém-inaugurada. Só uma pequena parte de suas torres pode ser vista no alto e meio escondidas por uma montanha de pedras. Foi feito assim para dar sensação de afastamento, o tal "far, far away", ou "num reino muito distante" dos contos de fadas.

Há uma ponte gótica sobre um rio artificial que conduz ao interior do palácio, ocupado pelo restaurante Be Our Guest, no salão oval onde Bela e Fera dançam na cena-símbolo do filme. Detalhes, como as janelas envidraçadas de onde se vê neve caindo lá fora e o lustre idêntico ao da animação, são nada menos que lindos. Há ainda o quarto proibido da ala oeste, que guarda o retrato da fera-príncipe e a rosa que dá início ao calvário da mocinha.

O menu tem sotaque francês (mariscos à provençal, camarões e vieiras salteados, ratatouille) inserido num conceito de fast-food. Pratos são escolhidos em telas sensíveis ao toque. Mas o maior atrativo do cardápio é líquido: o Be Our Guest é o primeiro restaurante no Magic Kingdom a vender bebida alcoólica, vinho e cerveja. Talvez por isso esteja tão concorrido. No jantar, é melhor fazer reserva.

Ao lado fica o casebre de Maurice, pai de Bela, e seu jardim de lavandas. É ali que se desenrola a atração mais interessante, porque inesperada, da Nova Fantasyland. Em meio à avalanche tecnológica que montanhas-russas e simuladores de Orlando despejam sobre o visitante, Enchanted Tales with Belle, ou Histórias Encantadas com Bela, entrega exatamente o que o nome promete: uma contação de histórias na forma de teatrinho interativo com participação do público. Turbinada, mas, ainda assim, uma prosaica contação de histórias.

O grupo de visitantes é recebido por uma assombrosa Madame Wardrobe. O guarda-roupas no centro da sala conversa e tem expressões faciais que foram capazes de me distrair da narrativa - como foi que fizeram o móvel de madeira falar e sorrir? Na biblioteca, a ação continua, dessa vez com o Candelabro (outro ser incompreensivelmente saracoteante) e a própria princesa contando suas aventuras.

A reação do público mostra que os rapazes de Walt Disney acertaram mais uma vez. Ao meu lado, duas mocinhas de seus 14 anos choravam, emocionadas. No fim, antes de se despedir, Bela posa para fotos - e não há vivente na plateia, criança ou adulto, que resista a sorrir para um close ao lado da princesa.

A vila francesa de Bela divide a parte do parque batizada de Floresta Encantada com o fundo do oceano de Ariel. A Pequena Sereia é a outra estrela recente do Magic Kingdom, em duas versões. Na Gruta, cabelão e cauda impecáveis, conversa com o público e posa para fotos. E, na menos empolgante Under the Sea, carrinhos em forma de concha levam a um passeio tranquilo durante o qual desfilam bonecos do Rei Tritão, da vilã Úrsula e do príncipe Eric - novos personagens do pequeno e por vezes muito particular mundo de Orlando.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.