Missão cumprida no alto do Burj Khalifa

Diretor de animações como Ratatouille e Os Incríveis, Brad Bird sabe que, com desenho e computação gráfica, pode-se fazer tudo. Mas ele confessa que tremeu nas bases quando Tom Cruise, o astro-produtor de Missão Impossível - Protocolo Fantasma, sua estreia na live action, lhe disse o que pretendia fazer. Na maior calma, Cruise simplesmente revelou que pretendia escalar o prédio mais alto do mundo, pendurando-se numa janela destroçada.

LUIZ CARLOS MERTEN / DUBAI, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2012 | 03h11

Bird começou a ter pesadelos. "Vou entrar para o Guinness como o diretor que matou seu astro." No dia da filmagem, na hora H, ele admite que fechou os olhos. Na ficção, o agente Ethan Hunt fica pendurado na parede externa do Burj Khalifa. Como a corda não é suficiente para que ele atinja o andar em que o esperam Jeremy Renner e Paula Patton, o herói tem de saltar. Fica pendurado, com meio corpo para fora. Paula salta e pega sua mão. Renner também salta e pega a parceira, antes que Cruise/Hunt e ela despenquem. O alívio cômico vem por meio de Simon Pegg, que entra em cena contando sua dificuldade - mínima diante do que o espectador viu - e, percebendo que ninguém lhe dá atenção, pergunta "Perdi alguma coisa?"

O próprio Bird perdeu e admite que só abriu os olhos depois de ouvir a gargalhada, que acha que foi nervosa, de Tom Cruise. O astro conseguiu. E voltou a Dubai e ao Burj Khalifa para contar a história a jornalistas de todo o mundo, reunidos pela empresa produtora e distribuidora Paramount dias antes da estreia mundial de MI-4. A entrevista foi realizada no andar de número 124 de Burj Khalifa. Só vidro e, acima, a torre que aumenta ainda mais a altura do prédio.

Naturalmente que precauções foram tomadas, mas o risco era real. Por que corrê-lo? "Porque é o que o público espera de mim, como Ethan Hunt." Cruise conta que adorava a antiga série de TV. Era o programa preferido da família. Todo mundo se reunia para ver o Ethan Hunt da telinha. A ideia de usar Burj Khalifa como locação partiu do produtor Bryan Buck, quando passou por Dubai como etapa do tour de lançamento de Star Trek, de JJ Abrams. Criador de Lost, a série cult, JJ também dirigiu MI-3 e Star Trek, além de produzir MI-4. Cruise topou, até porque sempre foi fascinado por Dubai.

Existem a cidade de Dubai e o emirado que integra o conglomerado de Estados (e reinos) na costa sul do Golfo Pérsico. Dubai é o que se pode chamar de miragem no deserto. Aqui, não há limite para a imaginação dos arquitetos. Os prédios são tão estranhos - e diversos, em estilo - que parecem pertencer a uma imagem daquelas HQs futuristas. Flash Gordon, por exemplo. Há 50 anos, nada disso existia. Dubai era um entreposto comercial e uma aldeia, pouco mais que isso, de pescadores de pérolas. Tudo começou com a descoberta do petróleo. Com dinheiro que não terminava mais, a dinastia Al Maktoum, que governa o país desde o século 19, achou que era tempo de mudar. Em 1971, Dubai e Abu Dabi juntaram-se a outros cinco califados para criar os Emirados Árabes Unidos.

Dinheiro e tecnologia. A síntese desse binômio é Burj Khalifa (burjkhalifa.ae). Erguer o prédio mais alto do mundo - 828 metros - na areia do deserto pode parecer loucura. Havia um conceito, uma torre erguida, como uma prece a Alá, o Misericordioso. O maior desafio do arquiteto Adrian Smith não foi criar as fundações, mas administrar o efeito do vento na construção delgada. A própria cena com Cruise foi difícil de filmar porque o vento era tão forte que impedia o helicóptero com a câmera de se aproximar. Sonhos de loucos, visionários. O filme, Dubai, Burj Khalifa. Você pode visitar a torre. O elevador que leva até o topo é computadorizado. Dura menos de um minuto para chegar lá em cima.

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