Mistura quente e bem brasileira na intrigante Belém

Regra básica para alguém que assiste um filme é não contar o final para quem não viu. Mas o início pode. E se sua viagem para Belém fosse um longa, digamos que ele começa quente, literalmente. Mas é rapidamente temperado por um ar condicionado. Ou pela sombra de uma das centenárias mangueiras que embelezam e amenizam o calor úmido desta intrigante cidade, a segunda maior da região Norte, com 1,3 milhões de habitantes. Sempre acompanhado de sorvete de frutas da Amazônia, claro.

FELIPE MORTARA / BELÉM, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h09

Apesar do ritmo moderno de capital e da atmosfera levemente cosmopolita, Belém não perdeu o clima colonial evidenciado nas fachadas dos casarões, igrejas e capelas do período. As construções, boa parte delas restauradas, remetem sempre ao passado - embora o tecnobrega que sai das caixas de som de carros e lojas insista em trazer o visitante para o presente.

Logo ao chegar, não há nada melhor para se ambientar do que uma caminhada na Cidade Velha. O cartão de visitas é, sem dúvida, o Mercado Ver-o-Peso, uma síntese da complexa mistura que é a capital do Pará. A ampla quantidade de frutos de que dificilmente se ouve falar no Sudeste, bem como os rituais de preparo dos pescados, da maniva e do tucupi, são uma introdução a um mundo inesperadamente brasileiro (leia ao lado).

Dali, vale a pena margear o Rio Guamá, onde o cais recebe barcos carregados de peixes. E fazer uma parada no Forte do Presépio, onde nasceu a cidade, em 1616. Bem conservados canhões do século 19 e uma estrutura metálica convidam o visitante a descobrir porque proteger Belém era tão importante para a coroa portuguesa. A entrada é gratuita e o visual encanta até mesmo os moradores, que têm ali um dos pontos preferidos para admirar o pôr do sol na Baía do Guajará, formada pelo encontro das fozes dos Rios Guamá e Acará.

Na saída, tome uma água de coco gelada e atravesse a Praça Frei Brandão até a branquíssima Catedral da Sé com seus belos afrescos no teto. A visita ao Museu de Arte Sacra dá ideia do belo acervo que a cidade possui. Não deixe de conhecer a Estação das Docas, polo de comercio, diversão e gastronomia que funciona em uma antiga doca reformada, ali mesmo, perto do Ver-o-Peso.

Heranças. Em quase 400 anos de história, Belém passou por alguns auges econômicos, como o período áureo da borracha, no início do século 20, quando recebeu famílias migrantes europeias e asiáticas. E que misturaram suas influências culturais às de tribos indígenas da região, transformando o Pará em um mosaico singular de culturas.

Um bom jeito de conhecer as ancestrais tradições locais é visitar o Museu Paraense Emílio Goeldi, a mais antiga instituição de pesquisa científica dedicada aos povos e à fauna amazônica, fundado em 1871. Lá está reunido um dos mais importantes acervos de arte indígena do mundo, além de material interativo sobre as cerca de 150 línguas faladas até hoje por diversas tribos.

Do lado de fora, entre exemplares de árvores centenárias, tanto crianças como adultos se encantam no pequeno, porém bem cuidado zoológico com espécies nativas, como onças, macacos e papagaios. Um sorvete de taperebá ou de uxi cai bem, sob os olhares curiosos das dezenas de cotias que ficam soltas pelo parque.

Para terminar o dia num clima bem típico, caminhe duas quadras e acompanhe a missa de fim de tarde na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré - onde, no segundo domingo de outubro acontece o Círio, maior procissão do País, seguida por mais de 2 milhões de fiéis. Depois escolha um dos bancos da ampla praça de mesmo nome e assista à espetacular revoada de milhares de pequenos periquitos voltando para uma imensa samaúma de mais de 30 metros de altura.

Som e imagem. As linhas neoclássicas do Theatro da Paz dominam a belíssima Praça da República, forrada de mangueiras e um gramado que convida ao descanso. O imponente teatro apresentou seu primeiro concerto em 1874, e sua arquitetura e luxo fazem dele uma das principais casas de música clássica do País. Não há visitas guiadas - orquestras estão previstas para se apresentar ainda este ano. Consulte no site theatrodapaz.com.br.

O que você não pode perder é uma sessão no Cinema Olympia, o mais antigo em atividade no Brasil. O espaço funciona desde 1912, bem perto do Theatro, e hoje é administrado pela prefeitura. Há sessões a preços populares diariamente, às 18h30.

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