Mochila nas costas para desbravar a Bolívia

Nada de hotéis de luxo ou alta gastronomia. Quem opta por um roteiro mochileiro pela Bolívia necessita de desprendimento e bom humor para encarar os longos trajetos em ônibus lotados e pouco pontuais. Mas qualquer insatisfação é esquecida assim que, pelas janelas, surgem os picos nevados da Cordilheira dos Andes ou a imensidão branca do Salar de Uyuni.

CAIO HORNSTEIN , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2014 | 02h06

De acordo com levantamento do site TripAdvisor, La Paz é a capital mais barata da América do Sul, com gasto médio de R$ 269,69 por dia, incluindo hospedagem, transporte e alimentação. Para o mochileiro, contudo, esse valor pode ser ainda menor. O transporte rodoviário, ainda que precário, é uma pechincha - é possível percorrer o trecho de 10 horas entre La Paz e Potosí por cerca de R$ 20. Come-se bem sem gastar muito e há hostels de qualidade, como o Loki Backpackers (Avenida de las Americas, 120), com diárias desde R$ 18 em dormitórios compartilhados. Conheça alguns dos highlights do país.

La Paz

A 3.650 metros de altitude, a capital de 2 milhões de habitantes está entre as cidades mais altas da América do Sul. Situada em meio a uma espécie de cânion nos Andes, tem uma geografia incomum: o centro e os bairros nobres ficam na parte baixa; os mais pobres moram nas altitudes maiores. Ao fundo, o monte Illimani, com seu topo nevado, impressiona.

A Rua Jaén guarda as construções coloniais e os principais museus, como o do Ouro - um dia é suficiente para desbravá-los. Não deixe de visitar o Mercado de las Brujas, com amuletos para qualquer problema. Ali, encontra-se também artesanato e roupas típicas a preços convidativos.

A 30 quilômetros da cidade, Chacaltaya vale pelo inusitado: uma estação de esqui desativada, a 5.265 metros de altitude. Para chegar ao topo da montanha, caminha-se mais 135 metros a pé. Um tour particular para duas pessoas sai por R$ 100. Nem todos suportam o ar rarefeito de uma altitude tão elevada. Passe alguns dias em La Paz para se adaptar antes do passeio.

Ilha do Sol

A quatro horas de ônibus de La Paz (R$ 10 a passagem), Copacabana, próxima à fronteira com o Peru, é a principal porta para o Lago Titicaca. De lá, a travessia até a Ilha do Sol - considerada sagrada pelos incas - leva 1 hora e custa outros R$ 10. Ali teriam nascido os primeiros incas, Manco Capac e Mama Ocllo.

Ruínas preservadas comprovam sua rica história, incluindo uma fonte de distribuição de água construída pelos incas e até hoje utilizada pelos poucos moradores. Em dois dias, é possível percorrer toda a ilha - o trajeto é feito a pé, por isso leve tênis confortáveis. Há hotéis e restaurantes simples, como o Las Velas, com vista para o pôr do sol e luz de velas. Prove ali a especialidade da região: a truta do Titicaca (aproximadamente R$ 20). Isolada em meio às águas azuis do lago e rodeada pela cordilheira dos Andes, a Ilha do Sol tem paisagens arrebatadoras durante o dia e um inesquecível céu estrelado à noite.

Salar do Uyuni

Não desanime com a aparência de abandono de Uyuni, a 500 quilômetros de La Paz. A verdadeira atração do local é o salar, deserto de sal com 12 mil quilômetros quadrados de área, o maior do mundo. Antes da formação da Cordilheira dos Andes, o oceano chegava a essa região. Quando as montanhas subiram e a água evaporou, restou um imenso depósito de sal. No período de chuvas, de dezembro a abril, o salar fica coberto por uma camada de água. A impressão é de que não há limites entre o céu e o chão: tudo parece flutuar.

Para explorar a região, há expedições de um dia, em carros 4X4, que saem por cerca de R$ 80 por pessoa - procure as agências da rua principal da cidade. Os tours são similares, passando pelo Museu de Sal (todos os objetos expostos são formados pelo mineral) e pela Isla del Pescado, com seus cactos gigantes.

Com tempo, vale encarar uma expedição de três dias. Nelas, os visitantes conhecem gêiseres e podem relaxar em banhos termais. O tour sai por cerca de R$ 350, com alimentação e hospedagem. Para ir de La Paz a Uyuni, prefira a Todo Turismo (todoturismo.bo), mais cara, mas com ônibus novos, aquecimento, banheiro (não tão comum na Bolívia) e Wi-Fi. A viagem dura 10 horas e sai por R$ 90.

Potosí

No século 17, Potosí era uma das cidades mais populosas do mundo. A descoberta da maior mina de prata de que se tinha notícia, em 1545, atraiu a cobiça dos colonizadores espanhóis, dando início à exploração do metal. As construções coloniais de Potosí dão, até hoje, a dimensão desse período de riqueza e opulência. No centro da cidade, há dezenas de casarões - muitos transformados em museus - e igrejas suntuosas em excelente estado de conservação. Por isso, a cidade se tornou Patrimônio da Humanidade da Unesco. Embora as reservas de prata tenham se esgotado no século 19, a prospecção de metais menos nobres ainda é importante para a economia local. Corajosos podem visitar as minas de Cerro Rico com a Koala Tours - a empresa pertence aos proprietários do Koala Den, um hostel simpático em Potosí, com diárias a partir de R$ 18 em dormitórios compartilhados. Os guias, Pedro e Efrain, são ex-trabalhadores das minas da região. A visita custa US$ 10.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.