Monges e mantras transcendentais

Antes de ir a Bodhnath, a maior stupa da Ásia, peça para seu guia levá-lo ao Monastério de Shechen, bem próximo dali. Trata-se de uma escola de monges budistas. Deixe-se encantar com a fé de 100 alunos, de crianças a adultos - os mais novos têm 5 anos; os mais velhos, 60 - estudando os preceitos da religião. Meia hora de observação da rotina dos estudantes é o suficiente para inspirar, mas muito pouco para compreender a sofisticação das ideias.

KATMANDU, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2014 | 02h07

Descubra particularidades do maior internato fora do Tibete batendo um papo com algum dos gentilíssimos monges, como Kunchok, de 20 anos, há cinco vivendo recluso. "Meus pais moram bem perto do monastério, mas até nas férias eu não saio daqui porque gosto muito. Para as famílias budistas é um orgulho imenso ter um filho estudando para ser lama", contou. Entre aulas de religião, muita música e trabalhos manuais, como a fabricação de velas e incensos, artigos à venda na loja.

Mandala. Após este primeiro e caloroso contato com a religião, siga a pé para Bodhnath Stupa, impressionante construção circular convexa erguida sobre uma mandala octogonal há mais de 800 anos. À sua volta, mais de 140 rodas mani, que devem ser giradas em sentido horário. Sobre a imensa edificação branca de 120 metros, uma torre quadrada de 36 metros de altura, de onde os olhos de Buda podem enxergar em todas as direções. De fato, um lugar forte.

Da base ao topo, 13 degraus que simbolizam os níveis até chegar ao nirvana. Esporadicamente, alguns homens jogam lá do alto baldes de tinta laranja produzida com açafrão, formando desenhos circulares que representam a flor de lótus, ritual de fé que rende ótimos cliques para lentes forasteiras.

Nos arredores da stupa, dezenas de monastérios, os localmente famosos gompas. No de Guru Lhakhang, lindas velas de manteiga de iaque compõem uma visão quase transcendental de Bodhnath. Delicadas pinturas na parede, como a Roda da Vida, repassam adiante ensinamentos e valores de Buda, como o caminho dos oito passos e as quatro nobre verdades.

Na gompa Tamang os visitantes são brindados com grupos de 15 monges sentados em posição de meditação lendo mantras curtos e repetidos sem sincronia, de modo a transcender (ou seria enlouquecer?!) quase toda a audiência. Diante de um altar com enormes e douradas imagens de Buda, os monges balançam o corpo incessantemente para frente e para trás - ecoam como se fossem alcançar divindades.

Um deles, sentado num posto mais alto, lidera a reza, com objetos sagrados na mão, como pequenas rodas mani. Deve ser ali - ou ainda mais alto - que jovens monges como Kunchok se dedicam a chegar. / F.M.

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