Monstros e vilões no mês das bruxas em Orlando

Nas casas assombradas do Universal e pelas alamedas do Magic Kingdom, fantasmas (e zumbis, gárgulas, princesas...) se divertem em duas festas com perfis bem distintos

MÔNICA NÓBREGA,

16 Outubro 2012 | 15h47

 A chuva seria parte do cenário, se fosse possível fazer chover sobre um parque inteiro por horas a fio. No escuro e vestindo capas de plástico brancas, os próprios visitantes lembravam algum tipo de assombração. Inofensiva como os “fantasmas de lençol” que uma das colegas de grupo, estreante no evento como eu, imaginava encontrar durante uma das Halloween Horror Nights do Universal Studios. E que não deram as caras, ao contrário das criaturas merecedoras dos mais estridentes gritos.

 

O Halloween é badalado em Orlando. Os parques fazem eventos temáticos variados no estilo e nos níveis de susto, para públicos de todas as idades. Há duas semanas, estive em dois deles. De tanto ser avisada, meu habitual ceticismo para assuntos sobrenaturais chegou abalado à entrada do Universal Studios. Os primeiros passos por uma alameda sem luz embaçada por fumaça de gelo seco foram hesitantes, até perceber que não havia monstros ali. Vários deles circulam entre os visitantes (que são proibidos de entrar fantasiados ou de máscara), mas apenas em trechos específicos. Há como manter distância dos sustos.

 

Mas não é para ficar a salvo que o público paga entre US$ 36,99 e US$ 89,99 (halloweenhorrornights.com, até o dia 31, só para quem tem 13 anos ou mais). Na atual edição, a 22.ª, os fantasmas se divertem em sete casas temáticas. Uma historinha cria o clima de mistério. Escavações no parque teriam revelado um antigo cemitério e coisas estranhas estariam ocorrendo.

 

Espere sangue e zumbis no interior da casa The Walking Dead, inspirada na cultuada série de TV homônima (no Brasil, a terceira temporada estreia hoje, na Fox), a mais concorrida – e nojentinha. Do cinema e dos games veio a cidadela assombrada de Silent Hill. A casa Dead End aposta no abandono da Mansão Hartford, onde nada de fato ocorreu – o que pode ser assustador. A catedral Caementum Animus tem o cenário mais bonito: reproduz torres, colunas e paredes de pedra de uma igreja gótica. Ali, as gárgulas ganham vida.

 

Pesadelos do cantor Alice Cooper, com trilha sonora ótima, e uma Las Vegas pós-hecatombe nuclear (vista por meio de óculos 3D) imaginada pela dupla de ilusionistas Pen & Teller – a mais iluminada e divertida das casas – são outros temas.

 

A casa mais clássica presta homenagem ao centenário dos estúdios Universal, celebrado este ano. Monstros como Drácula e Frankenstein assombram e evocam memórias. Para os apaixonados por filmes de terror, pode ser uma forma quase suave e afetiva de final feliz.

 

Doces e travessuras. São os visitantes os protagonistas da festa das bruxas no Magic Kingdom, da Disney (de US$ 55,95 a US$ 69,95 no disneyworld.disney.go.com). Famílias inteiras capricham nas fantasias, assustadoras ou não. As crianças recebem saquinhos para recolher mimos na tradicional brincadeira “doce ou travessura”.

 

A Mickey’s Not-So-Scary Halloween Party (Festa de Halloween não tão assustadora do Mickey, até 2 de novembro) termina por volta das 23h30, depois de uma parada temática (quando Mickey finalmente aparece), do show de fogos no castelo da Cinderela e de um musical protagonizado por vilões Disney. Gente desprezível, como a madrasta da Branca de Neve e o Capitão Gancho, dança, canta e posa para fotos com os pequenos visitantes – os que sobraram acordados. Porque o cenário, a essa altura, é de reino encantado devastado: joaninhas, princesas e Peter Pans profundamente adormecidos em carrinhos de bebê.

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