Monte Roraima (e mais) do lado venezuelano

Felipe Mortara / SANTA ELENA DE UAIRÉN , O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2014 | 02h07

Sempre quis conhecer Cuba com Fidel Castro vivo e a Venezuela com Hugo Chávez na ativa. Como a primeira opção ainda é viável, tive que aceitar a impossibilidade da segunda, porém não desisti. E, confesso, jamais achei que a conheceria entrando por terra. Duas horas de carro por uma bem cuidada estrada, a BR-174, separam Boa Vista e Santa Elena de Uairén.

Diferentemente de muitas outras da América Latina, a fronteira não é tensa. Um RG em bom estado é suficiente. Outra dica: se estiver com notebooks ou filmadoras, leve junto as notas fiscais. Como não existe declaração de bens no momento da saída, é comum a fiscalização da Receita Federal brasileira implicar na hora do retorno.

Logo de cara você verá homens com coletes alaranjados oferecendo câmbio (informal, claro). Muitos roraimenses aproveitam a falta de impostos para comprar de bebidas a eletrônicos nas lojas de Santa Elena. Dá vontade de virar muambeiro. Mas talvez a gasolina (um tanque cheio sai por cerca de R$ 30) seja o principal alvo.

Voltemos à viagem. A cada quilômetro dentro da Venezuela, tem-se a impressão de que o lavrado vai mudando de fisionomia, com colinas cada vez mais arredondadas e grama cada vez mais baixa. Parece a terra dos Teletubbies. É a chamada Gran Sabana. Devo dar o braço a torcer: os buritizais e os tepuis (as formações rochosas com formato de mesa) do vizinho são mais bonitos que os nossos.

Joia multinacional. O bioma da savana se estende por 68 mil quilômetros entre o Brasil, a Guiana e a Venezuela, mas é no Parque Nacional Canaima que ficam duas das suas principais atrações naturais, o Salto Ángel, maior cachoeira do mundo, com 979 metros, e o Monte Roraima, mística elevação de topo achatado a 2.739 metros de altitude, exatamente sobre a tríplice fronteira.

A base para as visitas é Santa Elena de Uairén. De lá partem as expedições rumo ao Monte Roraima, que tem 85% de sua superfície na Venezuela. No percurso de seis a oito dias de caminhada, os viajantes encontram raras espécies de plantas e pássaros endêmicos, além de surreais formações no alto da montanha, que inspiraram livros, como O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle, e filmes como Up - Altas Aventuras. A brasileira Roraima Adventures (roraima-brasil.com.br) oferece pacotes desde R$ 1.860.

Para ficar cara a cara com a cachoeira há duas maneiras, ambas com emoção. A primeira é por baixo, numa caminhada de três dias e duas noites, com pernoite em redes, a partir de 19 mil bolívares (R$ 700). A outra é avistar o Salto Ángel por cima, em um sobrevoo em monomotor. Mas o preço é salgado: 800 (R$ 2.400) por pessoa. Ambas na Backpacker Tours (backpacker-tours.com).

Entretanto, a chamada Gran Sabana reúne mais de 800 cachoeiras. Mas fique atento, só é permitido ultrapassar o perímetro de 100 quilômetros de Santa Elena de Uairén com um guia venezuelano credenciado, como os da Ruta Salvaje (rutasalvaje.com). Assim como a Roraima Adventures, a agência local oferece passeios de um ou dois dias dentro da área do parque. Cada diária custa na faixa dos R$ 350, com transporte e guia.

No roteiro fora do perímetro, pontos icônicos como o mirante Jurassic Park, onde Steven Spielberg filmou algumas cenas do longa. Não deixe de tomar banho na Cachoeira de Jaspe, com seu piso de jaspe, pedra vermelha que dá à energética cachoeira um ar surreal. No Mirante de Água Fria, uma panorâmica memorável e, na cachoeira Aponwao, o volume colossal de água vão deixá-lo de queixo caído. Se sobrar disposição, desça de rafting o Rio Yuruani. / F.M.

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